Covid-19

Síndrome pós-Covid-19: saiba o que é e como se manifesta

O novo coronavírus continua fazendo novas vítimas diariamente, há mais de um ano. Muitos dos indivíduos que sobreviveram ao patógeno continuam apresentando alguma alteração sistêmica, a síndrome pós-Covid-19. Sendo ela caracterizada por sequelas crônicas que necessitam de acompanhamento médico por semanas ou meses após a eliminação do vírus. Isso foi constatado por um estudo realizado em Michigan, nos Estados Unidos.  

A pesquisa estadunidense utilizou dados dos prontuários de 1.250 pacientes que haviam recebido alta - há 60 dias - de 38 hospitais do Michigan. Além disso, também realizaram entrevistas por telefone com essas pessoas. Desse modo, apontaram quais são as consequências tardias causadas pelo coronavírus - o que a literatura médica já chama de Covid-19 pós-aguda ou Covid-19 crônica - e determinaram qual a conduta os profissionais de saúde devem ter.

Pacientes diagnosticados com o coronavírus manifestam sintomas como queda de cabelo, dispneia e depressão mesmo após receberem alta hospitalar. Foto: Reprodução/Unplash
Pacientes diagnosticados com o coronavírus manifestam sintomas como queda de cabelo, dispneia e depressão mesmo após receberem alta hospitalar. Foto: Reprodução/Unplash

Sequelas crônicas causadas pelo coronavírus

Sistema respiratório

Sendo assim, uma das sequelas atinge o sistema respiratório. Os participantes do trabalho relataram a persistência da dispneia quando faziam algum esforço. Sendo ela acompanhada ou não de hipoxemia crônica com redução das capacidades pulmonares e de difusão. Apresentação semelhante à doença pulmonar restritiva.

Os pesquisadores alertam que os achados de imagem podem perdurar por semanas depois da alta e precisam ser acompanhados de perto. Para isso, é preciso avaliar os indivíduos através da oximetria de pulso e da tomografia de tórax. E mais, também precisam ser avaliados funcionalmente, com o Peak Flow Test (teste do pico de fluxo expiratório) em conjunto com o teste de caminhada de 6 minutos.

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Manifestações hematológicas

Alguns pacientes também apresentam consequências hematológicas, mas ainda não é possível determinar quanto tempo dura o estado hiperinflamatório e de hipercoagulabilidade. No entanto, alguns estudos mostram que cerca de 5% dos pacientes apresentam episódios tromboembólicos, com até 3 meses de evolução.

Desse modo, pacientes com histórico prévio de doença trombótica, portadores de d-dímero persistentemente elevado e com doença oncológica de base precisam de uma maior atenção. Ademais, a partir do contato por telefone e da observação dos prontuários também foram apontados distúrbios cardiológicos como sintomas da Covid-19 crônica.

Sendo assim, a dispneia e a dor torácica foram os sintomas mais relatados. Pesquisas já comprovam que existe um aumento progressivo da demanda metabólica na Covid-19 pós-aguda. Além da predisposição para arritmias, devido a presença de cicatrizes no miocárdio. Nesses casos, os cientistas recomendam a avaliação constante através de ecocardiografia, eletrocardiografia e de avaliações seriadas por um cardiologista.

Manifestações psiquiátricas e dermatológicas também são observadas na síndrome pós-Covid-19

Além disso, também aparecem consequências neurológicas, como a fadiga, mialgia, anosmia, cefaleia, problemas de memória e disfunção cognitiva. E mais, 40% dos pacientes desenvolvem depressão e transtorno de ansiedade após a alta da doença. Por isso, os cuidados devem começar já no internamento, com a presença de um familiar importante ou até mesmo com a presença de relógios nos leitos. Depois da alta, a assistência neuropsiquiátrica é essencial.

Por fim, também houve relatos de sequelas dermatológicas. A mais comum delas, em 20% dos casos, foi a significativa perda de cabelo. Além disso, também foram relatadas alterações cutâneas, como a presença de reações urticariformes.

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Pacientes com diagnóstico de ordem dermatológica devem ser supervisionados por um dermatologista e precisam de avaliação nutricional, para saber se há alguma carência vitamínica ou deficiência de oligoelementos. A sintomatologia apresentada após a eliminação do coronavírus é bem diversa, mas a orientação médica após a alta pode ajudar na escolha da terapêutica adequada.

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