Covid-19

Entenda quais são os sintomas das variantes da Covid e como fazer o diagnóstico

Após quase um ano e meio navegando a pandemia da Covid-19, hoje, no país, possuímos 4 variantes de preocupação circulando além do vírus “original” – o que deu início a tudo e fez com que a província de Wuhan, em 31 de dezembro de 2019, liberasse o primeiro comunicado oficial a respeito do que viria a se tornar a maior pandemia do último século.

O subtipo B.1.617 da linhagem do Sars-Cov-2, já presente em cerca de 130 países – incluindo o Brasil – na data de redação deste texto, é conhecido como variante Delta.

A Delta é a variante da Covid identificada como a mais perigosa dentre todas até o momento.

Surgida na Índia por volta de outubro de 2020, a variante Delta é a mais contagiosa entre todas as cepas estudadas até agora.

Um estudo publicado pelo Imperial College em junho deste ano sugere que sua transmissibilidade é cerca de 97% maior que a do coronavírus original.

Trechos do estudo revelam que a Delta tem uma taxa de transmissão 55% maior que a variante Alfa, 60% maior que a variante Beta e 34% que a variante Gama.

O que são as variantes do Coronavírus (Covid-19)?

Variantes da Covid – de qualquer vírus, na verdade – são mutações no sequenciamento genético do vírus original, que ocorrem ao acaso durante sua replicação. 

Quando uma ou mais dessas mutações trazem ao vírus alguma vantagem competitiva sobre as outras cepas, uma nova linhagem viral começa a se espalhar com maior eficácia que as anteriores, tomando conta dos hospedeiros (no caso da Covid-19, humanos e outros mamíferos).

Essa nova linhagem é chamada de variante de preocupação.

No caso do Sars-Cov-2, as vantagens competitivas que as variantes desenvolveram foram principalmente nos sítios de ligação da proteína que recobre o vírus, chamada de proteína Spike.

Essa proteína é associada à capacidade do patógeno de penetrar as células que compõem os nossos tecidos, e é também um dos principais alvos dos anticorpos neutralizantes.

Sua mutação tornou o vírus mais resistente à clivagem ou divisão por outras proteínas, o que aumenta sua capacidade infecciosa.

Veja nosso vídeo sobre o manejo do paciente grave na Covid!

 Quais as variantes da Covid mais preocupantes?

 Quais as variantes da Covid mais preocupantes?

Temos hoje 4 variantes de preocupação circulando pelo mundo. O número total de variantes do Sars-Cov-2 é muito alto, mas as variantes de preocupação são as cepas que são mais contagiosas e/ou letais que a de origem. Vamos, então, a elas.

Variante Delta – Índia (B.1.617.2/AY.1/AY.2)

É a variante de preocupação que está mais em foco no momento. Surgida na Índia por volta de outubro de 2020, é a cepa mais contagiosa do coronavírus detectada até agora.

É possível que cause uma terceira onda significativa.

A variante Delta é tão contagiosa quanto a varicela, por exemplo. Sua transmissibilidade é cerca de 97% maior que a do vírus original.

O órgão americano CDC divulgou recentemente que este subtipo pode ser especialmente grave em idosos, mesmo que estes tenham sido totalmente vacinados. Ela já é a forma dominante da Covid-19 no mundo.

A OMS aponta que, apesar da chegada recente, já nos próximos meses a Delta será a variante com maior prevalência no Brasil.

Variante Alfa – Reino Unido (B.1.1.7)

Foi a primeira variante de preocupação. Surgiu no Reino Unido por volta de setembro de 2020.

Com transmissibilidade entre 30 e 50% maior que a do vírus original, estudos – alguns considerados inconclusivos – apontaram para possível aumento no risco de hospitalização e mortalidade.

Foi responsável pela segunda onda que atingiu o Reino Unido e boa parte da Europa.

A boa notícia é que as vacinas desenvolvidas para a cepa original têm excelente cobertura da variante Alfa. Ou seja, não temos indícios de que haja escape imunológico.

Variante Beta – África do Sul (B.1.351/B.1.351.2/ B.1.351.3)

A Beta foi a segunda variante de preocupação a surgir na pandemia.

Identificada em dezembro de 2020, na África do Sul, esta cepa começou a ser investigada por um possível aumento na mortalidade dos pacientes já hospitalizados, mas, como no caso da Alfa, os estudos também foram considerados inconclusivos.

Possui uma transmissibilidade maior que a cepa original, mas não maior que as outras variantes de preocupação.

O principal temor ligado à variante Beta tem a ver com um possível escape imunológico em relação às vacinas.

Há indícios de que a Covishield, da AstraZeneca, não tenha boa eficácia contra ela – o que causou sua suspensão na África do Sul.

Alcançou cerca de 60 países, mas sua circulação hoje é baixa na maioria deles, com exceção do país de origem.

Variante Gama – Brasil (P.1/P.1.1/P.1.2)

A variante brasileira foi identificada no início de novembro de 2020 em Manaus, no Amazonas.

Ela rapidamente se estendeu a outros estados brasileiros durante o mesmo mês, mas só foi identificada internacionalmente como uma variante de preocupação em janeiro de 2021, no Japão (em viajantes japoneses que retornavam da Amazônia).

Como as outras variantes, também suspeita-se de que pode provocar um quadro mais grave em pacientes que necessitam de hospitalização.

Ainda é a mais prevalente no Brasil, mas está sendo substituída rapidamente pela variante Delta.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, dentre as 600 amostras de testes sequenciadas pelo Instituto Butantan, foi possível identificar 43,50% das infecções por Covid como sendo causadas pela variante Delta já agora em agosto.

Os sintomas das variantes do Covid são diferentes?

Os sintomas das variantes do Covid são diferentes?

Esse ainda é um tópico bem pouco esclarecido. Mas, principalmente após a chegada da variante Delta, a testagem de pacientes com sintomas que lembram síndromes gripais ou alérgicas cresceu em todo o mundo – pois o perfil deles aparentemente está se alterando.

Ou seja, os sintomas das novas variantes da Covid têm, sim, se alterado lentamente. Especialmente após a chegada da Delta.

Coriza, cefaléia e odinofagia, que inicialmente não indicavam infecção pelo Sars-Cov-2, hoje estão sendo levados em consideração e trazendo maior dificuldade no diagnóstico da doença. 

Qual o potencial de propagação das variantes da Covid?

Todas as variantes de preocupação de um vírus possuem maior potencial de propagação que a cepa original, por definição.

A variante Delta, a mais infecciosa das cepas, é cerca de 97% mais transmissível que a cepa original do coronavírus.

Por isso, no curso normal de uma pandemia, a probabilidade é de que ela substitua todas as variantes anteriores graças à sua vantagem competitiva – até que, caso as imunizações não cubram uma boa parte da população a tempo e gerem imunidade de rebanho, uma nova variante mais potente surja e faça o mesmo.

Dúvidas Frequentes (Guia Rápido)

É possível distinguir uma gripe da Covid e suas variantes apenas pelos sintomas?

Não. Principalmente após a chegada da variante Delta, sintomas como coriza, cefaléia e odinofagia são comuns em infecções pela Covid.

Apenas com o exame laboratorial molecular somos capazes de fazer uma diferenciação mais precisa.

Os sintomas da variante Delta se manifestam da mesma forma em todas as faixas etárias?

Não. Principalmente entre a população mais jovem, os sintomas são mais leves e podem se apresentar como uma síndrome gripal e se associar a sintomas gastrointestinais, como a diarreia.

A Delta é mais transmissível que as outras variantes da Covid?

Sim. Sua transmissibilidade é cerca de 97% maior que a do Sars-Cov-2 original, 55% maior que a variante Alfa, 60% maior que a variante Beta e 34% que a variante Gama.

As pessoas vacinadas podem ser contaminadas pela variante Delta?

Sim, mas a taxa de mortalidade após a imunização completa permanece muito baixa.

Veja abaixo o que pode cair nas provas de residência sobre a Covid!

Conclusão

As variantes de preocupação do Sars-Cov-2 continuam a causar extrema sobrecarga do sistema de saúde em todo o mundo e a prolongar a pandemia, que já dura um ano e meio. Novas variantes sempre possuem o potencial para alterar o curso de uma pandemia.

Mesmo que haja algum escape imunológico para algumas vacinas, marcas como a Pfizer e a Moderna já têm demonstrado boa eficácia contra as variantes.

Assim, a única forma de conter o avanço da doença e impedir que novas variantes de preocupação surjam é empregar a vacinação em massa da população e continuar a reforçar as medidas de prevenção: o uso de máscaras e o isolamento.

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