Estudo

Ciclo menstrual: Saiba o que é, Quais suas fases, Sinais e Sintomas

Ciclo menstrual é um assunto muito abordado em provas de residência e, também, muito abordado na sociedade de forma geral.

Em relação ao segundo, um tema que tem vindo à tona nos últimos anos é o fato da menstruação constituir um grande problema para as mulheres de países em desenvolvimento, como o Brasil. 

Falamos de um problema de saúde pública.

A ONU estima que uma em cada dez adolescentes faltem às aulas quando estão menstruadas. Um estudo, realizado por uma marca de absorventes brasileira em 2018, determinou que cerca de 26% das adolescentes do país entre 15 e 17 anos não têm acesso adequado a produtos higiênicos durante o período menstrual.

Neste texto falaremos a respeito da fisiologia do ciclo, sinais e sintomas relacionados a ele, síndrome pré-menstrual, irregularidade menstrual e mais.

O que é ciclo menstrual? 

O que é ciclo menstrual? 

Ciclo menstrual é um processo de cerca de 28 dias pelo qual as mulheres em idade reprodutiva passam.

Os acontecimentos do ciclo dependem de uma intrincada sequência de interações neuro-hormonais e hormônios ovarianos, envolvendo aqueles produzidos pela hipófise e os produzidos pelo ovário propriamente dito.

O que acontece durante o ciclo menstrual? 

Durante o ciclo há o recrutamento e amadurecimento de folículos no ovário, sob a ação do hormônio folículo-estimulante (FSH), entre o primeiro dia da menstruação – que é considerado o primeiro do ciclo – e o 14º. Esta é a fase folicular.

Em seguida, após o pico do hormônio luteinizante (LH) que ocorre por volta do 14º dia (culminando na ovulação) do ciclo, temos a fase lútea, que perdura até o dia que antecede a ovulação.

Entraremos em mais detalhes sobre cada uma das fases do ciclo – e sua fisiologia – ao longo deste texto.

Quais são os sinais e sintomas presentes durante o ciclo menstrual?

Ao longo dos 28 dias – esse número podendo variar entre 21 e 35 ainda sendo considerado normal – do ciclo, a mulher apresenta sintomas e sinais clínicos correspondentes a cada fase dele.

O início, marcado pela menstruação, além de ser caracterizado pelo sangramento vaginal pode vir acompanhado de dores – as conhecidas cólicas menstruais. Estas dores podem aparecer um pouco antes do sangramento em si.

A dor menstrual é chamada de dismenorreia e, em alguns casos, por ser muito debilitante, pode necessitar de tratamento com analgésicos e anti-inflamatórios.

O sangramento menstrual fica menos intenso e cessa por completo na fase folicular. A duração da menstruação é muito variável, mas o comum é que dure de 4 a 7 dias.

Durante o período peri-ovulatório, que costuma ser de 2 dias antes e 2 dias depois da ovulação (que ocorre no 14º dia do ciclo), há um espessamento do muco vaginal e podem ser percebidas as dores da ovulação (nem sempre e nem em todas as mulheres, porém). 

Neste período também podem ocorrer dores mamárias e edema.

Ao entrar na fase lútea, muitas mulheres apresentam o que conhecemos como síndrome pré-menstrual, anteriormente conhecida como tensão pré-menstrual, a TPM.

O que é síndrome pré-menstrual? 

A síndrome pré-menstrual pode ser definida como o conjunto de sintomas físicos e/ou emocionais que ocorrem antes do período menstrual, e que podem interferir no desempenho habitual das atividades.

Eles costumam ocorrer entre os 3 e 10 dias que precedem a menstruação, variando entre indivíduos – bem como o número e intensidade de sintomas presentes. A exacerbação desses sintomas e seu caráter incapacitante é o que definem esta síndrome.

Veja, abaixo, uma tabela com os principais sintomas associados à síndrome pré-menstrual.

Emocionais Astenia, ansiedade, irritabilidade, depressão, melancolia
Comportamentais Alterações de apetite, distúrbios do sono, isolamento social, agressividade, modificação dos hábitos sexuais
Cognitivos Indecisão, dificuldade de concentração
Decorrentes de retenção hídrica Oligúria, ganho de peso, ingurgitamento mamário, mastalgia, dor pélvica, dor nos membros inferiores, distansão abdominal (edema de alças)
Alérgicos Rinite, prurido, urticária, asma, conjuntivite
Miscelânea Náuseas, vômitops, alteração do trânsito intestinal, dores musculares e osteoarticulares, taquicardia, dispneia, acne, síncope

Há tratamentos disponíveis para casos de SPM incapacitante, que vão desde o uso de anti-inflamatórios comuns até o tratamento hormonal com anticoncepcionais.

Quais as fases do ciclo menstrual normal? 

Aqui podemos ver a fisiologia do ciclo por completo, correlacionando os níveis de secreção dos 4 principais hormônios envolvidos: LH e TSH (os hipofisários), estrógeno e progesterona (os ovarianos). Vemos também o desenvolvimento dos folículos e a descamação/reconstrução do endométrio durante estes ciclos hormonais.

O ciclo normal é dividido em duas grandes fases: a folicular e a lútea, separadas pela ovulação. Essas fases, por sua vez, têm subfases. Descreveremos cada uma a seguir.

Primeira metade do ciclo

Útero: menstruação

O primeiro dia da menstruação é o primeiro dia do ciclo. O endométrio, alterado pela queda hormonal, descama-se e é expelido na forma de menstruação.

Ovários: fase folicular

A fase folicular vai do início da menstruação até a ovulação. Nesse período inicia-se a fase de recrutamento folicular, que mobiliza a cada ciclo cerca de 8 a 10 folículos (com diâmetro de 5mm ou mais), secretando progressivamente quantidades maiores de estradiol.

Os folículos ovarianos iniciam seu processo de amadurecimento através da ação do FSH e, aproximadamente na metade da fase folicular, um folículo é “eleito” o Folículo Dominante (FD). 

O FD inibe o crescimento de outros folículos recrutados, secreta ainda mais estradiol e, quando este atinge um patamar que leva o FSH a um nível circulatório crítico, chega-se à condição ideal para o pico de estradiol (cerca de 24-36h antes da ovulação).

Útero: fase proliferativa

Enquanto no ovário os folículos passam por maturação, o útero se prepara para uma possível fecundação e nidação de um embrião.

Isso significa que ele está em “crescimento”: o estradiol folicular provoca a reconstrução do tecido que foi descamado durante o início do ciclo. O endométrio se torna progressivamente mais espesso e vascularizado.

Interlúdio: ovulação

Este evento marca o fim da fase folicular e o início da fase lútea. Ocorre na metade do ciclo (14º dia, se estivermos considerando um ciclo de 28) e é marcado pela liberação do óvulo que crescia dentro do folículo (antes da maturação chamado de oócito).

A essa altura, o FD já atingiu cerca de 2cm de diâmetro. Quando o nível de estradiol atinge seu pico, ele leva a um aumento dramático da secreção de LH que, por sua vez, determina o rompimento do folículo e a liberação do óvulo nas trompas.

Segunda metade do ciclo

Ovário: fase lútea

O folículo, agora sem um óvulo em seu interior, se transforma no que chamamos de corpo lúteo. Essa estrutura continua a produzir estradiol, mas agora produz também progesterona em grande quantidade.

O estradiol inicia um processo de inibição de secreção do LH e do FSH pela hipófise, pois não há mais folículo a ser maturado durante esse período. Por feedback, a queda destas gonadotrofinas contribui para a degeneração do próprio corpo lúteo.

Se há fecundação, a produção de progesterona dá suporte ao início da gestação. Se não há, entre 9 a 11 dias após a ovulação as células do corpo lúteo iniciam um processo de apoptose, que culmina em sua atresia.

Concomitantemente, a queda dos níveis de estradiol e progesterona vão levar ao início da descamação do endométrio, causando a menstruação.

Útero: fase secretora 

Enquanto as mudanças acima ocorrem nos ovários, no útero a progesterona faz com o que o endométrio, já espesso, comece a acumular glicogênio. As glândulas endometriais tornam-se edemaciadas e tortuosas, com arteríolas dilatadas e espiraladas.

O nome “secretor” faz alusão ao padrão endometrial. O número de receptores de estrogênio cai, mas os de progesterona permanecem.

A última fase endometrial é a menstruação, voltando ao início do ciclo. Devido à atresia do corpo lúteo e consequente queda dos níveis de estradiol e progesterona, temos a isquemia e a necrose do endométrio, levando à sua descamação. 

Aqui podemos observar um esquema da maturação de um óvulo.

Quais fatores podem deixar o ciclo menstrual irregular?

O ciclo irregular é aquele onde não podemos prever início e duração. Vários fatores podem levar a essa situação, entre eles:

·  Síndrome do ovário policístico;

·  Hipo/hipertireoidismo;

·  Puerpério;

·  Início da idade reprodutiva (é normal que as primeiras menstruações sejam irregulares);

·  Início do climatério (período pré-menopausa);

·  Distúrbios emocionais e stress de forma geral;

·  Uso incorreto ou mudança de anticoncepcionais hormonais;

·  Presença de pólipos ou neoplasia no aparelho reprodutivo;

·  Síndromes hiperandrogênicas.

Dúvidas Frequentes (Guia Rápido)

O que é um ciclo menstrual curto?

Os ciclos menstruais em pessoas saudáveis costumam durar de 21 até 35 dias. A média é de 28 dias, então ciclos que ficam entre 21 e 27 dias podem ser considerados curtos, embora não haja consenso a respeito disso.

Quantos dias dura um ciclo menstrual normal?

Entre 21 e 35 dias.

Quantos dias pode durar um ciclo menstrual irregular?

Como já diz o termo “irregular”, não há como prever.  É normal que mulheres entrando e saindo da idade reprodutiva tenham ciclos altamente irregulares, bem como puérperas. 

Essas pessoas podem passar meses sem menstruar ou menstruar mais de uma vez em um ciclo com menos de 21 dias.

É normal o ciclo menstrual variar a cada mês?

É normal que haja pequenas variações, inferiores a 7 dias.

Conclusão

O conhecimento e a compreensão da fisiologia do ciclo menstrual normal são muito importantes tanto por si só – pois cai nas provas – quanto para a compreensão de doenças ginecológicas e obstétricas, que veremos em nossos próximos artigos.

Se você ficou com dúvidas a respeito do que falamos aqui, certifique-se de procurar fontes mais completas e assistir aulas. É um assunto que envolve alguns conceitos e muito raciocínio.

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