Estudo

Endometriose

A endometriose é a presença de tecido endometrial fora do útero. Por esse tecido sofrer ação dos hormônios que atuam no ciclo menstrual, há a descamação mensal que provoca uma inflamação crônica estrogênio-dependente. A doença afeta 10% das mulheres em idade fértil, e 35-50% das mulheres com queixa de dor pélvica e infertilidade. É a causa mais comum de dor crônica pélvica em mulheres de idade fértil.

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Locais de possível implantação de tecido ectópico na endometriose

As causas do surgimento da endometriose ainda são obscuras, mas a teoria mais aceita é a do fluxo retrógrado do tecido endometrial pelas tubas uterinas. A partir desse deslocamento, o tecido pode se alojar nos locais mais comuns onde ocorre a endometriose: ovários, tubas uterinas, ligamentos uterinos e peritônio pélvico. O tecido endometrial também pode migrar para outros locais que não a pelve, ainda que seja bem menos frequente.

Imagem exemplificando o fluxo retrógrado do sangue durante a menstruação. Fonte
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O estradiol é o hormônio mais importante na fisiopatologia da endometriose. Através dele, vai haver a facilitação da aderência do tecido endometrial no peritônio pélvico. Além disso, o hormônio vai promover angiogênese (fundamental para sobrevivência do tecido ectópico) e a liberação de substâncias inflamatórias, que serão responsáveis por dois dos sintomas mais comum na mulher com endometriose: dor pélvica e infertilidade.

Assim, os sintomas clínicos da mulher com endometriose são a dismenorréia, dispareunia, dor pélvica crônica, infertilidade e massa pélvica durante a fase proliferativa do ciclo menstrual. Como esses sintomas são inespecíficos, e podem estar presentes em outras comorbidades, a mulher pode passar décadas sem saber que tem a doença.

O padrão ouro para o diagnóstico é a laparoscopia com biópsia. Outros exames de imagem, como a ultrassonografia e a ressonância magnética também tem seu papel diagnóstico. A identificação dos sintomas e da história clínica da mulher serão fundamentais. É preciso fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças com sintomas parecidos, como a síndrome do intestino irritável, doença inflamatória pélvica e neoplasias. Já foi comprovada associação da endometriose com o desenvolvimento do câncer de ovário, mas estudos recentes mostraram que o potencial de malignidade do câncer não tem papel significante nas decisões clínicas de manejo da paciente.

Os principais objetivos do tratamento são a melhora da dor e da qualidade de vida da mulher, prevenir a reincidência da doença e evitar procedimentos invasivos. A cirurgia por laparoscopia para remoção dos focos da endometriose é uma opção para tratamento definitivo da doença, principalmente se a mulher não estiver conseguindo engravidar. Nesse caso, a fertilização in vitro também é uma opção.

Ilustração de como é feito o tratamento com laparoscopia. Fonte

Por ser uma doença estrogênio-dependente, a utilização de métodos farmacêuticos para suprimir a produção de estrogênio diminuem a inflamação e, consequentemente, os sintomas clínicos da mulher. Por isso, a utilização de contraceptivos orais é uma escolha para o tratamento. O uso de progestagênicos diminuem a proliferação endometrial, reduzindo as queixas da paciente. Agonistas do GnRH, danazol e inibidores de aromatase são opções de tratamento e diminuem a incidência de câncer de ovário. Os AINEs também vão ser utilizados para aliviar os sintomas de dor da mulher.

Fontes:

FILHO, G. B. Bogliolo Patologia. 9 ed. Minas Gerais: Guanabara Koogan, 2016.

Maria A. Pino, PhD, MS RpU. Pharmacologic manangement of endometriosis. US Pharm [Internet]. 2017;42(9):1-5. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/1830521/

Bulun SE, Yilmaz BD, Sison C, Miyazaki K, Bernardi L, Liu S, Kohlmeier A, Yin P, Milad M, Wei J. Endometriosis. Endocr Rev. 2019 Aug 1;40(4):1048-1079. doi: 10.1210/er.2018-00242. PMID: 30994890; PMCID: PMC6693056. Available from: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30994890/