Estudo

Dismenorreia

A dismenorreia, também chamada de cólica menstrual, acomete de 45% a 90% das mulheres adolescentes e adultas jovens, causando muita dor na região inferior do abdome (hiposgástrio). Isso porque a afecção está relacionada com os ciclos menstruais ovulatórios. Em alguns casos, as dores são incapacitantes e por muitas vezes, negligenciadas pelos médicos e pelas próprias pacientes. Entretanto, não devem, pois podem esconder doenças pélvicas orgânicas como as malformações uterinas, a adenomioese, a endometriose e os pólipos uterinos.

Sua classificação pode ser primária ou secundária. Na primária, não existem evidências de doenças pélvicas, fato que torna o diagnóstico e o tratamento bem mais simples. Sendo assim, de maneira geral, a dismenorreia é sentida um pouco antes do fluxo menstrual iniciar e perdura de 48 a 72 horas. Somente a anamnese já é suficiente para fechar o diagnóstico, para descartar alguma anormalidade. A história clínica é imprescindível. 

A fisiopatologia da dismenorreia primária está diretamente relacionada com os ciclos menstruais ovulatórios. Assim, o substrato inflamatório responsável pela dor é desencadeado no final da fase lútea, quando os níveis de progesterona estão em queda. Dessa maneira, os níveis de ácido araquidônico aumentam. Quando metabolizado, produz mediadores inflamatórios como as prostaglandinas (PGF2α e PGE2), o tromboxano A2 e as prostaciclinas. Elas provocam vasoconstrição e contração do miométrio, causando dor.

Na corrente sanguínea, esses mediadores desencadeiam sintomas como: mal-estar, lombalgia e náuseas. Para tratar a condição existem várias maneiras. A não farmacológica, que envolve uma dieta balanceada, rica em ômega-3 (o que poderia ajudar a reduzir a potência das prostaglandinas); acupuntura e até mesmo, exercício físico. Já os tratamentos medicamentosos podem ser feitos com anti-inflamatórios não esteroidais como nimesulida e ibuprofeno.

Desse modo, devem ser usados de 1 a 2 dias antes do início da menstruação e o uso deve ser mantido pelos primeiros 2 a 3 dias. As oscilações hormonais também podem contribuir para as dores causadas pela dismenorreia primária. Diante disso, o uso de contraceptivos hormonais (contraceptivos combinados ou de progestagênio isolado, injetáveis ou implante liberador de etonogestrel) são uma opção terapêutica. Além de regular os hormônios, retardam o crescimento do endométrio. Como consequência, a quantidade de mediadores inflamatórios diminui, uma vez que, existe menos tecido endometrial.

Fonte: Ginecologia endócrina. Autores: Corleta, Helena - Capp, Edison e colaboradores.


Caso o paciente não responda a nenhuma dessas terapêuticas, deve-se investigar a possibilidade de dismenorreia secundária. Ao contrário da primária, nela existe alguma doença pélvica associada. Com isso, apresenta alguns sintomas característicos, são eles: Sangramento uterino anormal, história familiar de endometriose e dispaurenia (dor genital associada ao ato sexual, seja ela sentida antes ou logo após a relação). Além disso, a dismenorreia desde a menarca também é um sintoma característico,visto que, os primeiros ciclos menstruais são anovulatórios. 

Nesses casos, deve-se buscar o diagnóstico de malformações müllerianas obstrutivas associadas. Por ser causada por doenças pélvicas associadas, esse tipo de dismenorreia é tratado conforme a abordagem específica de cada doença. Ademais, a partir do momento no qual há suspeita, a anamnese deixa de ser suficiente, a complementação precisa ser feita com um exame de imagem. Ele torna-se imprescindível.

Assim sendo, o exame a ser realizado é a ultrassonografia pélvica, de preferência via transvaginal em mulheres que já tiveram sexarca. Caso a transvaginal não seja possível de ser realizada, ou ainda, caso haja alguma malformação complexa, recomenda-se realizar a ressonância magnética. Por fim, para as mulheres que não responderem ao tratamento clínico, indica-se tratamento cirúrgico, geralmente, uma laparoscopia diagnóstica.

Fonte: REVISTA FEMINA - 2020 | VOL 48 | Nº 09 (febrasgo.org.br)