Estudo
Publicado em
1/4/22

Sangramento Uterino Anormal (SUA): entenda as possíveis causas e tratamentos

Escrito por:

O Sangramento Uterino Anormal (SUA) é um distúrbio no qual a quantidade, frequência e/ou duração do fluxo menstrual podem estar alterados ao mesmo tempo ou individualmente. 

De acordo com o Tratado de Ginecologia da FEBRASGO (2013), é considerada uma disfunção  comum, afetando cerca de 40% das mulheres do mundo. 

Pode afetar negativamente a qualidade de vida da paciente, ao modificar aspectos físicos, emocionais, sexuais e até profissionais da mulher.

O que caracteriza o sangramento uterino anormal (SUA)?

Um fluxo menstrual considerado normal teria a duração de 3 a 8 dias, com perda de 5 a 80ml, e ciclo menstrual que varia entre 24 a 38 dias

Qualquer alteração em um ou mais desses padrões se classifica como sangramento uterino anormal.

Há ainda um grupo de SUA que é o sangramento uterino disfuncional. Ele recebe este nome pois a sua origem se deve, exclusivamente, a um estímulo hormonal inadequado sobre o endométrio.

Hemorragia uterina disfuncional em adolescentes

A principal causa de hemorragia uterina disfuncional em adolescentes é a imaturidade do eixo hipotálamo-hipófise ovariano (HHO), principalmente nos primeiros 2 anos após a menarca. 

Outras causas não disfuncionais incluem gravidez, ISTs e coagulopatias.

Sangramento uterino anormal na menopausa e pós-menopausa

Na mulher no climatério, a causa mais comum de sangramento uterino disfuncional também é a imaturidade do eixo HHO, que está se adaptando à nova fase. Também deve-se pesquisar causas endometriais.

Já na mulher menopausada, as causas principais são atrofia endometrial e câncer de endométrio. Afastar a possibilidade CA de endométrio deve ser prioridade.

Quais as principais causas de Sangramento Uterino Anormal?

O Grupo de Desordens Menstruais desenvolveu um acrônimo denominado PALM-COEIN para a classificação das causas de Sangramento Uterino Anormal. Sendo PALM as causas estruturais e COEIN as causas não estruturais.

Causas estruturais

As causas estruturais são aquelas relacionadas a mudanças na estrutura uterina e que podem ser vistas por exames de imagem, sendo elas: P (pólipos uterinos), A (adenomiose), L (leiomioma) e M (malignas e hiperplasia de endométrio).

Causas não estruturais

São elas: C (coagulopatias), O (ovulatórias, sendo SOP a mais comum), E (endometriais, como DIP), I (iatrogênicas, como DIU, anticoncepcionais e medicamentos) e N (não classificadas, como malformações arteriovenosas, alterações mullerianas e istmocele).

Possíveis complicações do Sangramento Uterino Disfuncional

O sangramento uterino disfuncional pode causar diversas complicações para vida da mulher, desde impactos na vida social a doenças como anemia.

A anemia pode se desenvolver pela perda contínua de sangue na qual o organismo não consegue repor, causando um desequilíbrio fisiológico e diminuindo reservas de ferro sérico. Isso leva à queda de hemácias e a sintomas como tontura, fadiga e cefaléia.

Como fazer o diagnóstico de SUA?

O diagnóstico do sangramento uterino anormal é feito por meio da anamnese, com quantificação e caracterização dessa perda sanguínea, exame físico e exames laboratoriais e de imagem.

A quantificação da perda sanguínea pode ser feita a partir do Pictorial Blood Loss Assesment Chart, que analisa grau de encharcamento dos absorventes e presença ou ausência de coágulos para obter-se um escore.

Pictorial Blood Loss Assesment Chart para quantificar sangramento uterino anormal. Fonte: Springer Open
Pictorial Blood Loss Assesment Chart para quantificar sangramento uterino anormal. Fonte: Springer Open

Exames de laboratório

Em toda paciente com hemorragia uterina anormal em idade reprodutiva, deve solicitar beta-hCG para descartar gravidez. 

Solicita-se também hemograma completo, tempo de sangramento e de coagulação, contagem de plaquetas e função tireoidiana.

Exames adicionais

A ultrassonografia transvaginal é utilizada para descartar causas estruturais como o leiomioma. Fonte: Adobe Stock
A ultrassonografia transvaginal é utilizada para descartar causas estruturais como o leiomioma. Fonte: Adobe Stock

Para descartar causas estruturais, solicita-se USG transvaginal. Se necessário, pode-se complementar avaliação por meio de histerossonografia, histeroscopia e biópsia de endométrio. 

Para afastar doenças malignas do colo do útero, realiza-se citologia cervical. Outros exames podem ser acrescentados de acordo com a história clínica e investigação de cada paciente. 

Possíveis tratamentos para o Sangramento Uterino Anormal

O tratamento do sangramento uterino irregular escolhido vai depender da causa. Há disponível opções hormonais e não hormonais.

Tratamentos não hormonais para SUA

O tratamento não hormonal é indicado para mulheres que não desejam hormônio, com contraindicação ou com desejo de engravidar com SUA crônica. Inclui os antifibrinolíticos e os anti-inflamatórios não esteroidais (AINE).

O antifibrinolítico utilizado é o ácido tranexâmico, usado 3 a 4x/dia com dose recomendada variável de 1 a 1,5g por 4 dias. 

Tem contraindicação em tromboembolismo e insuficiência renal.

Já o AINE mais usado é o ácido mefenâmico 500 mcg ou ibuprofeno 600 mcg de 8/8h, durante a menstruação. 

Contraindicado em mulheres com úlcera e com suspeita de distúrbio de coagulação.

Tratamentos com contraceptivos orais

O tratamento hormonal pode ser feito com anticoncepcionais orais combinados, anticoncepcionais orais apenas de progestagênios, progestagênio injetável, implante subcutâneo de etonogestrel ou SIU-LNG. Eles promovem atrofia endometrial.

O SIU-LNG é a opção hormonal de maior evidência no sangramento uterino irregular crônico. Atua liberando 20 mcg de levonorgestrel diário.

O seu uso resulta numa grande redução no volume de sangramento e melhoria na qualidade de vida, com melhor aceitação e menos efeitos adversos.

Para o tratamento de SUA agudo, utiliza-se contraceptivos com etinilestradiol (30 mcg ou 35 mcg), 1 comp/dia de 8/8 horas por 7 dias, seguido de 1 comp/dia por 3 semanas. 

Outra opção é acetato de medroxiprogesterona (20 mg) de 8/8 horas por 7 dias.

Outras possibilidades de tratamento para Sangramento Uterino Disfuncional

Outras opções de tratamento para SUA crônica incluem ablação endometrial histeroscópica ou não histeroscópica e histerectomia.

Para causas estruturais, existe a possibilidade de abordagem cirúrgica específicas para cada causa. 

Assim, para pólipos, realiza-se polipectomia. Para miomas, miomectomia. E para adenomiose, cirurgia citorredutora.

Dúvidas Frequentes (Guia Rápido)

Distúrbio hormonal causa sangramento?

Alguns distúrbios hormonais podem causar sangramento uterino irregular, sendo a síndrome do ovário policístico (SOP) a principal. 

Devido seu caráter anovulatório, os ciclos menstruais ocorrem em menor frequência (<8 ciclos por ano ou ciclos > 35 dias).

Como parar o sangramento uterino anormal?

Existem diversas opções de tratamento para cessar com sangramento uterino irregular. 

Para isso, deve ser feita uma avaliação por um médico ginecologista em busca da causa. Para que, então, o melhor tratamento seja escolhido e o sangramento cesse.

Conclusão

O sangramento uterino irregular é um quadro comum que requer investigação para o correto diagnóstico etiológico

Desse modo, é possível aumentar o índice de sucesso terapêutico e reduzir indicações cirúrgicas.

Leia mais:

Artigos relacionados

Ver todos
Este autor ainda não possui outros artigos publicados.
Ver todos
Teste por 7 dias grátis

Experimente a nossa plataforma de estudo

Receba um acesso gratuito para testar todos os nossos recursos e tirar suas dúvidas!

Teste 7 dias grátis

Experimente a nossa plataforma de estudos

Ao confirmar sua inscrição você estará de acordo com a nossa Política de Privacidade.