Covid-19

Sequelas da Covid: Conheça as 10 Principais (2022)

As sequelas da Covid-19 são muitas. Por ser uma doença nova, muitas são as descobertas feitas a todo tempo sobre o comportamento do organismo durante e após a infecção causada pelo SARS-COV-2.

A Covid longa ou persistente, também conhecida como Síndrome pós-Covid ou Covid pós-aguda, é uma fase da doença na qual os sintomas perduram por mais de 4 semanas, a partir da manifestação do primeiro sintoma.

Ela deixa consequências que atingem o organismo como um todo, causando problemas psiquiátricos, renais, dermatológicos, hematológicos e pulmonares. 

Sendo ela mais incidente em pacientes que manifestaram a Covid-19 grave. No entanto, pode estar presente em indivíduos que manifestaram poucos sintomas, em quadros mais leves ou em quadros assintomáticos.

Desse modo, a partir de várias pesquisas feitas por cientistas do mundo todo, é possível conhecer quais são as sequelas da Covid-19.

Os estudos mostram que os pacientes relatam desde a queda de cabelo, a perda do olfato e paladar. Além disso, esses efeitos pós-Covid podem se manifestar individualmente ou em conjunto.

Neste texto você encontrará quais são essas sequelas, o motivo pelo qual são causadas e o que fazer ao prestar atendimento ao paciente com algum sintoma de longo prazo.

Quais as Sequelas da Covid confirmadas até agora?

Quais as Sequelas da Covid confirmadas até agora?

De acordo com uma pesquisa publicada na revista Nature, no último dia 9 de agosto de 2021, já podem ser contabilizadas mais de 50 sequelas da Covid. Outras pesquisas já mostram que elas são mais de 250!

Então, observando as informações científicas que já se tem até agora sobre as sequelas da Covid, compilamos aqui uma parcela delas. Confira agora!

Manifestações pulmonares

Uma pesquisa estadunidense com 1.250 pacientes que haviam recebido alta hospitalar há 60 dias trouxe relatos de sequelas respiratórias, dermatológicas, psiquiátricas e cardiológicas.

Em relação às sequelas respiratórias a população de estudo falou sobre a persistência da dispneia quando faziam algum esforço.

Sendo ela acompanhada ou não de hipoxemia crônica com redução das capacidades pulmonares e de difusão. Apresentação semelhante à doença pulmonar restritiva.

Os pesquisadores alertam que os achados de imagem podem perdurar por semanas depois da alta e precisam ser acompanhados de perto. Para isso, é preciso avaliar os indivíduos através da oximetria de pulso e da tomografia de tórax.

E mais, também precisam ser avaliados funcionalmente, com o Peak Flow Test (teste do pico de fluxo expiratório) em conjunto com o teste de caminhada de 6 minutos.

A perda da função respiratória se dá pela perda muscular ao longo da fase aguda, por isso é preciso a fisioterapia respiratória e motora. Muitos relatam dificuldade para respirar até mesmo ao subir uma escada.

A fibrose pulmonar, enrijecimento progressivo do pulmão, também é um outro efeito pós-Covid bem característico.

Ela é capaz de ocasionar falta de ar e má circulação sanguínea, podendo ser tratada com algumas medicações, mas ainda assim, o pulmão não se recupera totalmente.

Manifestações cardiológicas

A pesquisa dos Estados Unidos também apontou como sequela da Covid os distúrbios cardiológicos. Sendo assim, a dispneia e a dor torácica foram os sintomas mais relatados.

Pesquisas já comprovam que existe um aumento progressivo da demanda metabólica na Covid-19 pós-aguda. Além da predisposição para arritmias, devido a presença de cicatrizes no miocárdio (fibrose miocárdica).

Nesses casos, os cientistas recomendam a avaliação constante através de ecocardiografia, eletrocardiografia e de avaliações seriadas por um cardiologista.

Como o SARS-COV-2 afeta a integridade estrutural do miocárdio, pericárdio e sistema de condução, outras sequelas persistentes também podem ser: taquicardia e disfunção autonômica.

Manifestações dermatológicas

Como sequela dermatológica mais comum do pós-Covid foi apontada pelo trabalho estadunidense citado anteriormente a significativa perda de cabelo. Sendo apontada por 20% da população de estudo.

Também foram relatadas alterações cutâneas, como a presença de reações urticariformes.

Além disso, de maneira geral, também são relatados pelos pacientes: rash cutâneo, coceira e inchaço na pele, formação de bolhas e alopecia.

Assim, conforme o estudo, pacientes com diagnóstico de ordem dermatológica devem ser supervisionados por um Dermatologista e precisam de avaliação nutricional, para saber se há alguma carência vitamínica ou deficiência de oligoelementos.

A sintomatologia apresentada após a eliminação do coronavírus é bem diversa, mas a orientação médica após a alta pode ajudar na escolha da terapêutica adequada.

Manifestações psiquiátricas

Os transtornos psiquiátricos falam de condições que afetam diretamente o humor, o raciocínio e o comportamento.

Isso porque o coronavírus causa lesões indiretas ao cérebro, já que tem o sistema nervoso como alvo principal.

Desse modo, esses transtornos podem desencadear sequelas neurológicas ou vice-versa, mas isso não significa dizer, necessariamente, que estão interligados.

Nesse mesmo estudo estadunidense, 40% dos pacientes relataram ter desenvolvido depressão e transtorno de ansiedade após a alta da doença.

Por isso, os cuidados devem começar já no internamento, com a presença de um familiar importante ou até mesmo com a presença de relógios nos leitos. Depois da alta, a assistência neuropsiquiátrica é essencial.

Outras pesquisas mostram que indivíduos com a Síndrome Pós-Covid também podem ser acometidos por outros transtornos psiquiátricos como fobias, síndrome do pânico e sintomas obsessivos compulsivos.

E ainda, transtorno de estresse pós-traumático - sendo relatado por alguns por causa do tempo de isolamento – e transtorno bipolar.

Manifestações neurológicas

Dentre as principais sequelas cognitivas causadas pelo coronavírus estão os lapsos de memória e linguagem, dificuldade de manter a atenção e de executar atividades cotidianas, problemas de compreensão e déficits no raciocínio.

Também são relatadas dificuldades para lembrar das coisas, mudanças nas emoções e no comportamento, além da confusão mental.

Isso tudo de acordo com um estudo feito pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (InCor) da Universidade de São Paulo.

Ele contou com a participação de 430 indivíduos e apontou que 80% dos deles foram acometidos por essas sequelas da Covid.

O trabalho também mostra que uma outra consequência foi a diminuição da capacidade visuoperceptiva.  Sendo assim, houve muitos relatos de queda, por causa da perda da coordenação motora

Utilizando a ressonância magnética funcional, os pesquisadores descobriram que isso acontece porque o coronavírus afeta a função executiva, responsável pelo planejamento do dia e pela busca por resoluções dos problemas.

O estudo conclui que esses problemas acontecem devido a dessaturação, causada pelo comprometimento pulmonar.

Para solucionar estas disfunções devem ser utilizados exercícios cognitivos específicos, pois irão exercitar o cérebro, estimulando a atividade cerebral.

Um outro estudo publicado pela revista científica Annals of Clinical and Translational Neurology, em março de 2021, apontou quais os sintomas neurológicos mais comuns entre os indivíduos que sofrem com a Covid persistente.

Além da disfunção cognitiva e da visão turva, o artigo aponta outros sintomas: cefaleia, tontura, zumbido nos ouvidos, perda do olfato (anosmia), perda do paladar (ageusia) e dormência ou formigamento.

E mais, dor muscular e dores no corpo também são sequelas neurológicas causadas pelo SARS-COV-2.

Outros estudos mostram que o vírus causa lesões diretas ao córtex cerebral, e por isso pode ser associado a casos de demência.

Manifestações hematológicas

Alguns pacientes também apresentam consequências hematológicas, mas ainda não é possível determinar quanto tempo dura o estado hiperinflamatório e de hipercoagulabilidade.

No entanto, alguns estudos mostram que cerca de 5% dos pacientes apresentam episódios tromboembólicos, com até 3 meses de evolução.

Isso porque a infecção causada pelo coronavírus interfere na coagulação, antes e depois da fase aguda. Sendo assim, essa interferência pode causar um pequeno entupimento das artérias, ou pode até mesmo causar um AVC

Desse modo, pacientes com histórico prévio de doença trombótica, portadores de d-dímero persistentemente elevado e com doença oncológica de base precisam de uma maior atenção.

Agravamento de Doenças Preexistentes

Alguns indivíduos que já tinham alguma doença preexistente podem ter os seus sintomas agravados.

Dessa maneira, pacientes que já tinham diabetes, por exemplo, após eliminarem o vírus tendem a passar por períodos de descontrole da glicemia, sendo difícil também tratar.

Além disso, algumas pessoas chegam até a desenvolver o diabetes como consequência da infecção pelo patógeno.

Manifestações renais

Os rins são os órgãos mais afetados pela infecção causada pelo SARS-COV-2, depois dos pulmões.

Assim, de acordo com o nefrologista Henrique Carrascossi, em entrevista ao portal R7.com, o paciente pode ficar com uma lesão renal importante depois de eliminar o vírus.

Ele afirma que não a tal ponto de precisar de hemodiálise, terapia ou transplante renal. E ainda diz que muitos de seus pacientes ficam crônicos dependentes renais pós-Covid.

No entanto, se a lesão estiver num estágio mais avançado, com a capacidade de funcionamento renal entre 10% e 15%, os indivíduos ficam dependentes de uma terapia substitutiva (a hemodiálise ou a hemodiálise peritoneal e o transplante).

Segundo o médico, existem duas teorias pelas quais isso acontece. A primeira aponta que o vírus causa diretamente as lesões nas células renais, nos glomérulos e túbulos renais.

A outra teoria diz que a infecção causada pelo coronavírus desestabiliza o sistema renina angiotensina aldosterona. Sendo os rins dependentes dele.

“A Covid-19 causa um colapso nesse sistema e altera o fluxo de sangue nos rins, levando a um dano renal. Além do processo inflamatório da Covid-19, que acaba atuando próximo a esse sistema e alterando o bom funcionamento dos rins”, pontua Carracossi.

Por que a Covid-19 deixa sequelas?

Por que a Covid-19 deixa sequelas?

Como falei anteriormente, a Covid-19 é uma doença nova, então ainda não é possível saber a causa exata dos sintomas permanentes, mas é sabido que é causada por uma série de fatores.

Fatores esses que vão desde a inflamação sistêmica, passam pela possibilidade de produção de autoanticorpos e terminam no despertar de alguma tendência genética adormecida.

Inflamação sistêmica como consequência da tempestade de citocinas, produzidas em grandes quantidades para estimular o sistema imunológico a combater o coronavírus.

Assim, elas podem ficar depositadas em outros órgãos e sistemas, provocando uma inflamação crônica e causando as sequelas da Covid.

Mesmo após anos da sua descoberta, talvez nunca seja de nosso conhecimento a causa exata desses efeitos pós-Covid.

O Que Fazer em Caso de Pacientes Com Sequelas da Covid?

Não existe um padrão de conduta para tratar, para reabilitar os pacientes que sofrem com os efeitos da Covid longa. Eles são tratados a partir dos sintomas que manifestam, pelo especialista da área.

Os profissionais devem ter um olhar biopsicossocial, devem olhar para os pacientes como um todo, pois é rara a manifestação dos efeitos pós-Covid isoladamente.

Isso porque precisam ser acompanhadas por um bom tempo, precisam de um atendimento multidisciplinar e individualizado, por um tempo indeterminado.

Esses cuidados devem envolver, dentre outras áreas, a Fisioterapia, Psicologia, Nutrição, Neurologia e Pneumologia, já que as sequelas da Covid podem ser observadas em boa parte do organismo humano.

O paciente precisa que os profissionais se comuniquem, para que seja montado um plano de reabilitação voltado para as suas necessidades.

Entretanto, aqui no Brasil a reabilitação ainda é algo muito incipiente. A revista veja elencou algumas experiências que estão dando certo:

  • Rede Lucy Montoro: Jogos de realidade virtual e robôs para apoiar os movimentos são utilizados para estimular o cérebro;
  • Cia Athletica: As unidades da academia montaram um esquema especial para pacientes que tiveram a Covid-19. Os treinos dão mais atenção a respiração, músculos e sistema cardiovascular. Além disso, existem outros treinos com objetivos direcionados;
  • Unicamp: Aparelho barato e simples desenvolvido por pesquisadoras utilizado como estimulador para os músculos envolvidos na respiração;
  •  Universidade Anhanguera de Ribeirão Preto: Atendimento psicológico gratuito para pacientes com sequelas da Covid.

Dúvidas frequentes

Qual o tempo de incubação da COVID-19?

O tempo para que os primeiros sintomas apareçam gira em torno de 2 a 14 dias.

Quais são os principais cuidados para evitar a contaminação familiar de COVID-19?

Fique isolado num cômodo da casa, sem dividir utensílios (garfo, colher, prato) ou aparelhos eletrônicos, para minimizar o contato com outros familiares.

Se tiver que entrar em contato com eles, utilize máscara; lave as mãos constantemente e respeite o isolamento, não saia de casa.

Quando é seguro voltar ao trabalho e conviver com as pessoas se tive COVID-19?

Quando passados os 14 dias, em média, de isolamento e for realizado um PCR para descobrir se o vírus já foi eliminado e você está testando negativo para a Covid-19. Garantindo assim que você não se torne um agente transmissor e disseminador da doença.

Conclusão

Diante disso, podemos ver que a infecção causada pelo coronavírus não só é bastante complexa na sua fase aguda, como também na fase pós-aguda e crônica.

As sequelas pós-Covid podem chegar às centenas e raramente se manifestam sozinhas.

Por ela ser uma doença nova, as causas para os sintomas persistentes ainda não são totalmente conhecidas, e, talvez, nem cheguem a ser.

Mesmo assim, saber os efeitos pós-Covid é muito importante para direcionar o paciente para uma conduta terapêutica adequada às suas necessidades, com o auxílio de uma equipe multidisciplinar.   

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