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Conheça 15 Melhores Técnicas de Memorização para Médicos Residentes

Durante o período de residência médica, quase todo o seu tempo será gasto dentro de um hospital, dedicado à prática da sua especialidade de escolha.

O tempo restante para o estudo focado será mais restrito do que nunca – e, por esse motivo, trouxemos a você dicas sobre técnicas de memorização.

Um médico residente precisa estudar um bocado. Muito se aprende na prática, claro. Mas possuir bases teóricas firmes é essencial para que o médico extraia o melhor aproveitamento de tudo que lhe é oferecido na residência que escolheu para si.

Uma das tarefas mais complexas executadas pelo cérebro humano consiste na capacidade de absorver, compreender e armazenar informações. É o que chamamos, na prática, de memorização.

Utilizar técnicas de memorização consiste, basicamente, em cultivar práticas que estimulem a atenção e o foco, para que o aprendizado possa ocorrer da forma mais eficiente possível.

15 Técnicas de memorização para Médicos Residentes

Técnicas de memorização para Médicos Residentes

Conforme já discutimos no texto a respeito de flashcards, cada pessoa tem sua própria forma de aprender. Por isso, listamos aqui técnicas de memorização que podem ser úteis a todos, mas nem todo estudante precisa adotar cada uma delas.

A melhor tática a ser aplicada aqui seria a de tentativa-erro. Teste. Se não se adaptar a alguma(s) delas, tudo bem. Utilize as que funcionam para você.

1. Evite decorar o conteúdo

Para muitos, decorar e memorizar são a mesma coisa – mas não é esse o caso. Quando falamos em memorizar, falamos sobre a capacidade de entender e contextualizar a informação em questão, além de utilizá-la na resolução de problemas.

Sobre adaptá-la a situações diversas, moldá-la ao que o problema exige de você.

Quando falamos em decorar, falamos sobre guardar uma porção de informação. Mas sem compreensão profunda, contexto e, mais importante, flexibilidade. Decorar é se lembrar de uma frase completa, ou de uma fórmula, ou de datas. 

É útil às vezes? Sim. Há conteúdos rígidos – por exemplo, a dose padrão de um medicamento – que não necessitam de muita aprendizagem num contexto.

Mas a maior parte do que estudamos na residência não se enquadra na categoria “decoreba”. E memorizar, além de ser mais útil e eficiente, é mais prazeroso e dá resultados melhores em longo prazo.

2. Mantenha o foco

Manter o foco, a concentração, é uma questão de treino e disciplina. O principal aqui é evitar ceder às distrações – mesmo que essas distrações sejam internas. Quem nunca se perdeu num devaneio durante uma sessão de leitura?

Evitar procrastinar com distrações externas é um pouco mais fácil: basta reservar um lugar silencioso e livre de interrupções, sejam elas o smartphone, o computador, a televisão etc. 

Já treinar o cérebro para não se distrair por conta própria é um pouco mais difícil.

Uma prática muito útil para treiná-lo é a meditação mindfulness. Antes de estudar, faça uma sessão – pode ser curta – de meditação focada apenas na respiração.

Esvazie sua cabeça de quaisquer preocupações e foque nas sensações corporais: a respiração, a percepção de sons ambientes, a sensação tátil do peso do próprio corpo.

Sempre que precisar, durante o estudo, volte a ela.

3. Tenha um ritmo de estudo definido

Nosso cérebro, como um todo, se beneficia imensamente de rotinas recheadas de bons hábitos. Com o aprendizado não seria diferente – afinal, é uma de suas funções mais complexas.

Estabelecer um ritmo de estudo vai fazer com que você crie toda uma rotina dedicada apenas a ele. Vai cobrar de você comprometimento e regularidade.

Isto é, mesmo quando você não quiser estudar, o prospecto de quebrar o ritmo que vem criando vai te compelir a fazê-lo mesmo assim.

Um horário definido já condiciona o estudante a entrar num estado de concentração que vai se tornando hábito diário.

4. Mantenha seu espaço físico organizado

Como dito no item número 2, foco e concentração são essenciais. E por maior que seja sua força de vontade, será muito difícil conseguir se concentrar em um ambiente barulhento, desorganizado, caótico.

Seu espaço físico deve refletir seu estado mental. Portanto, reserve um ambiente organizado, que facilite a procura de livros, cadernos, ou mesmo de material digital.

5. Organize resumos e esquemas

A elaboração de resumos e esquemas, com suas próprias palavras, é o que chamamos de aprendizado ativo.

O aluno sai do papel passivo de apenas ouvinte ou leitor. Ele coloca o que aprendeu no papel, ativamente.

Além do ato de elaboração ajudar no aprendizado em si, esses resumos poderão ser úteis no futuro, quando você precisar retornar à matéria mas não tiver tempo de ler o conteúdo por completo.

6. Faça conexões entre informações novas e antigas

Associar uma ideia nova a algo que já existe em nossas vidas (e, portanto, memórias) é uma forma de colocá-la dentro do nosso domínio cognitivo com mais rapidez.

Pode ser com qualquer coisa: desde conteúdos que tenham a ver diretamente com o que está sendo estudado até com uma memória de infância, um filme, uma música.

Já fazemos isso naturalmente, às vezes até inconscientemente, uma vez que o processo de aprendizado é contínuo e não acontece só dentro da sala de aula. Portanto, lembre-se sempre de trazer esse processo até ela.

7. Reflita sobre o que você já estudou

Trabalhe com o seu conteúdo ativamente. Se for um texto, por exemplo, dialogue com ele – não fique apenas na leitura.

Reflita e tente compreender o que está sendo dito, anote dúvidas, sane essas dúvidas. Retorne a elas no futuro.

Se for uma aula, idem. Questione, faça perguntas a respeito do que não ficou claro, vá a fundo no que parece estar superficial. Essa dica também gira em torno de adotar uma postura ativa, crítica do que se está aprendendo.

Além de aprender melhor, você lembrará melhor.

8. Coloque em prática os conhecimentos aprendidos

Coloque em prática os conhecimentos aprendidos

Durante a residência, isso nem precisa ser colocado em xeque. Afinal, a residência médica é uma prática constante.

Além de colocar o que ouviu em aula ou leu no livro em prática no hospital, você pode praticar em teoria também.

Resolva casos clínicos de questões de prova, elabore uma lista de exercícios para si mesmo – seja criativo. Conteúdo não falta.

9. Faça associações visuais sempre que possível

Imagens podem ser transformadas em ótimas ferramentas de memorização. A medicina, inclusive, trabalha muito com isso – lembra do “sinal da maçã mordida” no enema opaco, que pode sugerir um adenocarcinoma de cólon? 

Do eritema facial “em asa de borboleta” no lúpus? Das crostas “em favo de mel” no impetigo?

Essas associações são úteis, por isso são tão usadas na medicina, uma área que possui muito conteúdo imagiológico.

As citadas acima já são descritas assim no livro, mas você pode deixar a imaginação fluir e criar as suas próprias.

10. Utilize mapas mentais

Criando um mapa mental, você visualiza a organização global de um tema a partir de sua ideia central. Dessa ideia central você deverá extrair subtópicos e os desdobramentos destes, fazendo associações livres entre os conceitos numa folha de papel.

Trabalhar com lápis e papel ajuda aqui. Até porque a ideia é que você deixe seu cérebro trabalhar livremente; o processo de organização só vem depois. Se quiser saber mais sobre essa técnica de memorização e entender como montar seus mapas, escrevemos um artigo focado em mapa mental, não deixe de ler. 

11. Faça pausas entre os períodos de estudo

A memorização depende muito mais da qualidade do estudo do que do tempo nele despendido. Para manter a qualidade – e, no fim das contas, otimizar o tempo – você precisa descansar. Sobrecarregar o cérebro com informações é contraproducente.

O famoso método Pomodoro, por exemplo, sugere que você divida seu tempo de estudo em períodos de 25 minutos. E que, ao fim de cada um, faça uma pausa de 5.

Esta é apenas uma sugestão, porém. O ideal é que você note na prática por quanto tempo consegue estudar concentrado até começar a se distrair. Quando isso acontecer, faça pausas.

12. Mantenha uma boa alimentação

É até desnecessário enfatizar – especialmente a médicos e estudantes de medicina – que saúde física e mental caminham juntas. Manter uma dieta balanceada é essencial para ter um cérebro saudável.

Essa não é uma técnica de memorização per se; é um conselho que você deve seguir se quiser que seu cérebro esteja sempre entregando o melhor desempenho possível.

Não se esqueça de incluir em seu cardápio os alimentos conhecidos como nootrópicos: ricos em ômega 3, curcumina, flavonoides, vitaminas do complexo B (especialmente B6 e B12), entre outros.

13. Construa seu palácio da memória

O palácio de memória é uma técnica de memorização para quem tem facilidade com a visualização espacial e muita criatividade. Ele se baseia na utilização da memória espacial para gravar nomes, listas, processos, acontecimentos, dados etc.

Para tanto, é necessário projetar mentalmente um local físico tridimensional – podendo este ser ou não um “palácio”, como no nome da técnica – e designar cada ambiente, corredor, móvel e artefato a memórias conectadas entre si.

14. Leia mais de uma vez

Como já enfatizamos, apenas a leitura do conteúdo a ser estudado não é o suficiente para sua memorização.

O ideal é que o estudante estude ativamente: dialogue com o texto, anote as dúvidas, faça resumos, resolva questões, entre outros.

No entanto, a leitura é um passo importante e não podemos estudar sem ela. Dessa forma, devemos fazê-la da forma correta.

Uma leitura inicial, como explicado no método Robinson, deve dar ao aluno uma ideia geral do que ele encontrará no tema a ser abordado.

Mas a leitura inicial não é o suficiente. Após a resolução das dúvidas encontradas na primeira exploração do assunto, deve-se realizar leituras aprofundadas, essas sim voltadas à memorização. E quantas vezes for necessário.

15. Utilize flashcards

Eu acho a técnica de gravação de áudio meio controversa, então troquei por essa, que é melhor aceita e bem mais difundida nos círculos de coaching de otimização de estudos (e não tava na lista da outline). Além disso, posso linkar para o nosso texto sobre isso, que parece estar performando bem. Que tal?

Vamos, sim, bater novamente na tecla dos flashcards. Por quê? Simples: porque sua utilização vem obtendo muito sucesso e conquistando mais e mais adeptos a cada ano.

A técnica não é nova, mas tem ganhado muita força com os meios digitais.

Tanto a montagem quanto a revisão dos flashcards se transformaram com o advento do smartphone e dos aplicativos de mensagem em tempo real (que facilitam sua troca entre estudantes).

Clique aqui para ler um texto completo sobre flashcards. 

Conclusão

Como médico ou estudante de medicina, você não é iniciante na tarefa – às vezes hercúlea – da memorização. Afinal, enfrentou um vestibular concorrido e várias provas no percurso para chegar aonde está agora.

Sendo assim, já deve ter uma boa ideia de quais técnicas de memorização funcionam ou não para você na hora de estudar.

O objetivo desse texto é oferecer ferramentas com as quais você pode não estar familiarizado ainda, e que, se utilizadas corretamente e transformadas em hábito, podem tornar seu estudo mais prazeroso e produtivo.

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