Estudo

Entenda o que é Impetigo, quais os principais sintomas, causas e possíveis tratamentos

O impetigo/piodermite é uma doença infectocontagiosa de etiologia bacteriana que acomete a pele.

É mais comum em crianças pequenas, entre 2 e 5 anos, e predomina em locais de clima tropical.

Ademais, tem como um de seus principais fatores de risco o contato íntimo com indivíduos infectados e a higiene precária.

Essa última é um fator de risco importante devido a colonização prévia do agente etiológico na pele do paciente.

Assim, traumatismos, arranhaduras e picadas de inseto atuam como “porta de entrada” para inoculação de bactérias. Por isso, a higiene adequada é a melhor maneira de prevenir a doença.

Neste artigo você vai conferir o que é impetigo, as possíveis causas e tratamentos da doença. Acompanhe!

O que é Impetigo?

O impetigo é uma infecção na pele causada por bactérias.

A doença provoca lesões de tipos variados - a depender do agente infeccioso - e pode ocorrer devido a traumas na pele e até picadas de mosquito, aliado a um sistema imunológico debilitado e à falta de higiene.

É uma afecção altamente contagiosa e facilmente transmitida por meio do contato com gotículas de saliva de uma pessoa infectada ou pelo contato direto com as feridas.

O período de incubação da doença pode durar de quatro a dez dias. E o paciente pode estar transmitindo o impetigo antes mesmo de desenvolver as úlceras.

Quais os agentes etiológicos causadores da Piodermite?

Nos anos 1940 a 1950, o Staphylococcus aureus era a bactéria mais prevalente no impetigo.

Entretanto, com a invenção das penicilinas, a infecção por S. aureus diminuiu exponencialmente, e o principal agente etiológico causador da doença tornou-se o estreptococo beta-hemolítico do grupo A (S. pyogenes).

Todavia, devido ao uso indiscriminado dos antibióticos, começaram a surgir S. aureus resistentes a meticilinas.

Por isso, atualmente, há aumento dos casos de impetigo por S. aureus, apesar da infecção por S. pyogenes ainda ser a mais comum.

Quais os principais sintomas do Impetigo?

O surgimento das bolhas e feridas são os principais sintomas do Impetigo. É comum em regiões ao redor da boca, narinas, braços e pernas.

As bolhas possuem pus e quando estouram formam crostas na pele. Elas costumam abrir rapidamente e ficam abertas por alguns dias.

Os tipos mais comuns da doença não costumam causar dor, mas podem causar coceira e desconforto, podendo levar o portador da doença a estourar as bolhas, caso não tenha cuidado. 

Já o ectima, uma forma da doença menos comum e mais grave, pode causar úlceras dolorosas, pois afeta outras camadas da pele além da epiderme. 

O impetigo não costuma causar complicações, mas é bom ficar atento e procurar tratamento o quanto antes para evitar a disseminação da doença para outras pessoas e até para outras partes do corpo.

Algumas complicações, entretanto, podem ocorrer, mas são bem raras. São elas a glomerulonefrite e a celulite infecciosa.

Quadro clínico do impetigo

Há três formas de manifestações clínicas do impetigo: forma crostosa, bolhoso e ectima. 

Impetigo crostoso

Imagem representativa das crostas em “favo de mel”, também chamadas de melicéricas. Perceba que são amareladas, múltiplas e bem localizadas. A evolução para as crostas ocorre aproximadamente após 1 semana do início da doença. Fonte: UpToDate, 2021.
Imagem representativa das crostas em “favo de mel”, também chamadas de melicéricas. Perceba que são amareladas, múltiplas e bem localizadas. A evolução para as crostas ocorre aproximadamente após 1 semana do início da doença. Fonte: UpToDate, 2021.

É a forma mais comum da doença, que produz lesões normalmente localizadas na face (ao redor do nariz e da boca) e nas pernas. Essas comumente surgem em forma de pápulas, evoluindo para vesículas eritematosas. Posteriormente, rompem-se e formam crostas com aspecto característico de “favo de mel”

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Impetigo bolhoso

Impetigo bolhoso em abdome de lactente. Perceba o líquido amarelado nas vesículas. Fonte: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/dist%C3%BArbios-da-pele/infec%C3%A7%C3%B5es-bacterianas-da-pele/impetigo-e-ectima

Impetigo bolhoso em abdome de lactente. Perceba o líquido amarelado nas vesículas. Fonte: MSD Manuals

É característico da infecção pelo S. aureus. As lesões, como o nome sugere, são bolhosas.

O líquido presente nas vesículas é amarelado e, com a progressão da doença, torna-se escuro e turvo.

Além disso, as vesículas do impetigo bolhoso são mais extensas que o impetigo crostoso e, quando rompem, deixam crostas finas e marrons.


 Impetigo bolhoso. Perceba que as vesículas rompem, e formam crostas marrons. Fonte: UpToDate, 2021.
Impetigo bolhoso. Perceba que as vesículas rompem, e formam crostas marrons. Fonte: UpToDate, 2021.

Ectima

Esta é a forma menos comum do impetigo. É caracterizada por ser uma lesão ulcerativa, que se estende desde a epiderme até a derme.

Ademais, a úlcera é coberta por uma crosta de contorno amarelado e margens de cor violeta.

Ectima. Perceba a úlcera de crosta escura com contornos amarelos. Fonte: https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/ectima/37/
Perceba a úlcera de crosta escura com contornos amarelos. Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia

Além disso, é preciso atentar para uma complicação importante do impetigo, quando o paciente é infectado por S. pyogenes: a glomerulonefrite pós-estreptocócica.

Essa comumente ocorre após 2 semanas da infecção, e tem como sinais e sintomas mais comuns o edema, a hipertensão, a febre e a hematúria.

Quais as causas do Impetigo?

Como dito anteriormente, a principal causa da doença é o contato com bactérias causadoras devido a algum arranhão ou machucados na derme.

Crianças com sistema imunológico debilitado e portadores de diabetes têm maiores riscos de desenvolver a doença caso entrem em contato com os agentes infecciosos.

Problemas crônicos de saúde e desnutrição também podem ser uma das causas da doença em pessoas adultas.

Como diagnosticar o impetigo?

O diagnóstico para o impetigo é clínico. Entretanto, pode ser realizada a cultura do exsudato para identificação do agente etiológico causador da infecção.

Todavia, o tratamento deve ser iniciado sem a necessidade da coleta quando o paciente apresentar os sinais e sintomas do impetigo.

Quais os tratamentos indicados para a piodermite?

O tratamento para impetigo pode ser feito com medicação tópica ou oral.

A medicação tópica tem prioridade quando o número de lesões não for extenso, devido ao menor risco de resistência bacteriana e de efeitos colaterais.

Nesse caso, o medicamento de escolha é a mucopiracina.

Entretanto, para indivíduos com lesões extensas ou com ectima, é preciso realizar o tratamento oral.

Devido à infecção por S. aureus ser cada vez mais frequente, o tratamento empírico deve cobrir tanto essa bactéria quanto os estreptococos.

Assim, utiliza-se a dicloxacilina ou a cefalexina, 250 mg, 4 vezes ao dia, durante 10 dias.

Ademais, é importante lembrar que as infecções cutâneas por estreptococo beta-hemolítoco do grupo A não provocam sequelas das síndromes pós-infecciosas de febre reumática aguda. 

Como prevenir o Impetigo?

A principal recomendação é manter a pele limpa e bem higienizada. Caso ocorram cortes e arranhões na pele é preciso fazer a limpeza imediata do local e lavar muito bem as mãos antes de tocar no ferimento.

Manter hábitos saudáveis também é recomendado para ajudar o sistema imunológico a se proteger e resistir a possíveis ataques das bactérias em questão.

Já para evitar a transmissão de pessoas que já estão contaminadas para outras, é necessário:

  • Lavar cuidadosamente a área afetada com água corrente e sabão neutro e cobrir a região com gaze.
  • Não compartilhar nenhum objeto pessoal da pessoa infectada com outras pessoas, como toalhas e roupas;
  • Lavar sempre as mãos antes e depois de tocar no ferimento;
  • Trocar lençóis e roupas de cama todos os dias;
  • Evitar tocar nos ferimentos e depois levar a mão para outras regiões do corpo, para não contaminar;
  • Evitar contato com outras pessoas no período de contágio.

Fontes:

  • BADDOUR, Larry M. Impetigo. UpToDate. 2021. Acesso em: 28/07/2021.
  • FAUCI, Jameson. et al. Medicina Interna de Harrison. Porto Alegre: AMGH, 2020.