Estudo

Vacinação durante a gravidez

A baixa cobertura vacinal vem causando preocupação entre os profissionais da saúde, principalmente quando falamos nas gestantes. Nesse período, as modificações fisiológicas e imunológicas deixam as mulheres mais susceptíveis a infecções. Com isso, o risco é aumentado, dentre outras coisas, para malformações, atraso no crescimento intrauterino e para o parto prematuro. A imunização adequada previne contra inúmeros tipos de patologias, que também podem levar ao óbito.

Nas últimas décadas os ginecologistas e obstetras passaram a ter participação ativa no esquema vacinal das grávidas. Eles foram instruídos a participar, de fato, do Programa Nacional de Imunização. O desconhecimento sobre a importância da vacinação leva a baixa adesão às vacinas, por isso a taxa de vacinação na gestação, de um modo geral, está em queda. Por isso, o pré-natal se tornou o momento de orientação acolhedora e didática, a fim de promover a saúde da mulher.

O alto índice de imunização materna garante o controle de muitas doenças infecciosas. Dessa maneira, garante a proteção do feto, através da passagem transplacentária dos anticorpos. Vacinas como a da influenza, da hepatite b e a dTpa são recomendadas durante a gravidez.

Alguns detalhes sobre elas estão listados abaixo:

Influenza

Recomendada para todas as gestantes, seja lá qual for a sua fase gestacional. Por não oferecer risco à amamentação, também pode ser administrada até 45 dias após o parto. Essa vacina oferece proteção aos bebês nos primeiros 6 meses de vida, uma vez que, estão mais vulneráveis, podendo ser hospitalizados ou vir a óbito por causa da doença. Na rede pública está disponível a trivalente, protegendo contra o vírus H1N1, H3N2 e uma variante da influenza B. Já na rede privada está disponível a quadrivalente, possuindo uma cepa de uma segunda linhagem B.

Hepatite B

Administrada durante o período gestacional caso a mulher não tenha sido vacinada previamente. Nesse caso, ela deve receber 3 doses do imunizante (0-1-6 meses), com início no primeiro trimestre. E ainda, se o esquema vacinal estiver incompleto, ele deve ser completado com as doses faltantes.

dTpa (difteria, tétano e coqueluche)

Para gestantes que tomaram 3 doses de vacina com o componente tetânico anteriormente ou para as que tomaram duas doses de dT aplicadas na pré-concepção, recomenda-se a aplicação da dTpa após a 20º semana de gestação. Além disso, aquelas com histórico vacinal incompleto ou desconhecido, devem tomar 2 doses de dT e somente uma de dTpa. Apesar de todas essas possibilidades durante a gestação, quem não receber as doses pode tomá-las no pós-parto imediato.

Alguns outros imunizantes podem ser administrados durante a gravidez, se, somente se, houver alto risco de exposição ao vírus, são eles: vacina hepatite A (VHA) e as vacinas pneumocócica conjugada 13-valente e polissacarídica 23-valente. Também são permitidas as vacinas meningocócicas conjugadas mono (C) ou quadrivalentes (A,C,W,Y) e a vacina meningocócica B. Ademais, todas elas estão disponíveis apenas na rede privada.

Para além das vacinas já disponíveis, algumas outras estão em desenvolvimento, de modo a prevenir doenças infecciosas neonatais (de início precoce). Dentre elas estão:  vacinas contra o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável por infecções do trato respiratório inferior em lactentes e crianças menores de 2 anos de idade; contra o vírus do herpes simples (VHS) e do citomegalovírus (CMV). Para mais, também está sendo criada uma proteção contra o Estreptococo do grupo B (EGB), uma das principais causas de pneumonia, meningite e sepse em recém-nascidos (RNs).

Por fim, existem aquelas que são contraindicadas durante a gravidez: a HPV e as vacinas atenuadas (tríplice viral, varicela (catapora) e dengue). Isso porque, teoricamente, elas oferecem risco de transmissão do vírus vacinal ao feto. A vacina contra a dengue não deve ser aplicada também no puerpério. Para mais, a proteção oferecida contra a febre amarela, é feita com vírus vivo atenuado. Assim, embora seja contraindicada na gestação, quando o risco em contrair a doença é maior do que o risco em ser vacinado, se opta pela vacinação em gestantes.


Fonte: https://www.febrasgo.org.br/pt/femina/item/1205-revista-femina-2020-vol-48-n-12