Estudo

O Que É Prematuridade e Complicações Que Levam ao Parto Prematuro

A prematuridade leva em conta a idade gestacional. Assim, bebês nascidos com menos de 37 semanas são considerados prematuros.

De acordo com o Ministério da Saúde, esse problema atinge cerca de 15 milhões de crianças ao redor do mundo todos os anos.

No Brasil, os prematuros representam cerca de 12% dos nascidos anualmente, ou seja, aproximadamente 340 mil bebês nascem antes da hora todos os anos.

Os fatores associados ao problema são múltiplos: baixa condição socioeconômica, ausência de pré-natal, gestação em adolescentes menores de 16 anos e o uso de drogas lícitas e ilícitas.

E ainda, intervalo curto entre as gestações, multiparidade, infecções perinatais, doenças maternas não infecciosas e gestação múltipla.

Neste texto, além dos tipos, você também encontra as características, quais as causas e complicações geradas pela prematuridade.

O que é considerado prematuridade?

O que é considerado prematuridade

A gestação completa gira em torno de 37 e 42 semanas. Se o bebê nasce antes das 37 semanas é considerado prematuro, ou numa terminologia mais atual, recém-nascido (RN) pré-termo.

Ela é considerada uma condição de alto risco, já que o RN ainda “não está pronto para nascer”. Com isso, necessita de uma série de cuidados médicos especiais e muitas vezes, pode acarretar riscos à saúde dele.

Em muitos casos, o internamento se faz necessário, para que receba os cuidados necessários e ganhe peso.

De acordo com a pediatra neonatologista, Maria Regina Bentlin, em entrevista para o blog do Dr. Drauzio Varella, a sobrevida dos bebês prematuros tem aumentado significativamente nas últimas décadas.

Isso por causa do avanço tecnológico e da assistência prestada pelas Unidade de Terapia Intensiva Neonatais.

Ainda assim, ela depende não só das condições do pré-natal e nascimento, como também das complicações apresentadas durante o período neonatal, explica a neonatologista.

O que pode levar um bebê a nascer prematuro?

As causas que podem levar à prematuridade são inúmeras, como já mencionado anteriormente. Normalmente estão relacionados a doenças obstétricas e ginecológicas.

Alguns dos fatores de risco, se controlados, podem não resultar num parto prematuro. Confira a seguir.

Hipertensão na gestação

A hipertensão na gestação é considerada uma das principais causas de morbimortalidade materna e infantil, já que resulta no endurecimento da placenta, causando o impedimento da passagem de nutrientes.

Mesmo que a pressão arterial da mulher esteja sendo normal antes da gravidez, durante este período ela pode alterar.

Sendo assim, o diagnóstico é dado quando os níveis pressóricos são iguais ou superiores a 140/90 mmHg.

Esse aumento da pressão sanguínea no período gravídico é denominado Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG).

A DHEG se apresenta de 4 formas:

  • Pré-eclâmpsia ou eclâmpsia: a hipertensão arterial surge após a 20º semana gestacional, associada à proteinúria (≥ 0,3g de proteína em urina de 24 horas ou ≥ 2 cruzes em uma amostra urinária);
  • Hipertensão crônica de qualquer etiologia: observada antes da gestação ou antes da 20º semana gestacional;
  • Pré-eclâmpsia sobreposta à hipertensão crônica: a gestante já hipertensa desenvolve proteinúria depois de 20 semanas de gestação; e
  • Hipertensão gestacional: quando a pressão alta se manifesta após a semana 20 da gravidez.

O tratamento farmacológico deve ser feito preferencialmente com Metildopa, com dose inicial de 250 mg, administrado de 2 a 3 vezes ao dia, aumentando a cada 2 dias conforme necessário.

O medicamento pode até ser utilizado de 6 em 6 horas, contanto que a dose máxima seja de 3000 mg/dia).

Uma outra droga utilizada para controle da hipertensão gestacional é o Nifedipino de liberação lenta (Retard). 

A dose ideal gira em torno de 30 a 90 mg/dia. Ela deve aumentar em intervalos de 7 dias, mas a dose máxima não deve ultrapassar 120 mg/dia.

A Hidralazina (25mg) também é uma escolha. Deve-se prescrever meio comprimido, 4 vezes ao dia, aumentando de 12,5 a 25mg/dia a cada 2 a 4 dias. A dose máxima deve ser de 200 mg/dia.

Diabetes gestacional

A placenta produz hormônios que bloqueiam a ação da insulina no corpo, para garantir que a glicose chegue adequadamente ao feto.

Com isso, o pâncreas tenta compensar aumentando a produção de insulina, pois vai ter mais açúcar circulando no sangue.

Muitas vezes, essa compensação de nada adianta para reduzir a glicose. Então, a soma desses fatores leva a diabetes gestacional.

A idade avançada materna, o sobrepeso e a obesidade são alguns dos fatores de risco para desenvolver o problema.

Ele causa, dentre outras coisas, um aumento no crescimento do feto e na produção de líquido amniótico.

Para mais, o diagnóstico se dá por meio dos exames de glicemia e de curva glicêmica. Uma vez diagnosticado, o problema deve ser tratado com a mudança de hábitos alimentares e exercícios.

Caso eles não sejam suficientes, o tratamento deve ser feito com a insulina, sendo as mais utilizadas a NPH (ação intermediária) e a Regular (ação rápida), na dose inicial é de 0,5 UI/Kg/dia. 

Parto prematuro anterior

Para mulheres que já passaram por um parto prematuro anteriormente, o acompanhamento médico torna-se ainda mais fundamental, pois as chances de ter outro parto do mesmo jeito é grande.

Doenças uterinas

Manifestações como miomas, insuficiência do colo do útero e malformação uterina podem levar à prematuridade. No entanto, eles podem ser identificados nas consultas de pré-natal.

Infecções maternas

A infecção urinária durante a gravidez, se não tratada adequadamente, pode levar a um parto prematuro. Isso porque as toxinas liberadas pelas bactérias no trato urinário provocam contrações uterinas.

Qualquer outra infecção vaginal - como a vaginose bacteriana - ou sistêmica pode resultar num parto antes das 37 semanas.

Quais são as características do RN prematuro?

A característica principal da prematuridade é o baixo peso, considerado menor do que 2,5 Kg. Alguns RN’s chegam a pesar bem menos, já que quanto menor a idade gestacional, menor o peso.

A pele é fina e lisa, de tal forma que as veias podem ser visualizadas; o pouco cabelo; as orelhas  flácidas e com ausência de relevo e a pouca gordura corporal, também são características dos prematuros.

Ademais, eles também podem ter a planta dos pés fina e com poucos sulcos, e a cabeça pode ser proporcionalmente maior do que o corpo.

Os ossos e músculos são muito frágeis, o que aumenta a dificuldade respiratória. O pescoço e os membros são curtos se comparados ao tronco. Os olhos são protuberantes e a língua protusa.

Os reflexos de sucção e deglutição nos pré-termos são fracos, por isso a regurgitação e o refluxo são comuns, aumentando o risco de aspiração do leite materno.

Eles tendem a não erguer os braços e as pernas, pois possuem o tônus muscular reduzido, e a respiração é rápida com pausas curtas (de 5 a 10 segundos), sem que seja bradicardia. Sendo ela chamada de respiração periódica.

Alguns podem apresentar também retinopatia, problemas neurológicos e autismo.

Quais são os tipos de prematuridade?

Quais são os tipos de prematuridade?

A prematuridade pode ser classificada de três formas (tardio, moderado ou extremo), a depender da idade gestacional na qual ocorreu o parto.

Os tipos se diferenciam nas manifestações clínicas e no desfecho prognóstico. Confira abaixo.

Prematuro tardio

A idade gestacional dos pré-termos tardios fica entre 34 e 36 semanas e 6 dias. Apesar de imaturo, os bebês já estão com quase todas as suas funções vitais preparadas.

Contudo, ainda apresentam alguma dificuldade respiratória e distúrbios metabólicos.

Prematuro moderado

Nascidos entre 29 e 33 semanas, o sistema respiratório e o sistema nervoso central desses pré-termos ainda não estão totalmente desenvolvidos.

Ele pode apresentar dificuldades para coordenar a respiração, e, por isso, precisar de suporte respiratório. Ademais, apresenta dificuldade em manter a temperatura corporal.

Prematuro extremo

Os nascidos nesse grupo têm idade gestacional menor do que 28 semanas e apresentam o organismo mais imaturo.

Eles ainda não têm órgãos como o pulmão, coração e rins totalmente desenvolvidos, desse modo, precisam de mais cuidado.

Assim, necessitam de suporte respiratório e alimentação adequados, assim como aquecimento e umidificação, para se desenvolverem com qualidade de vida.

A sobrevivência de prematuros com menos de 23 semanas é rara, mas pode acontecer. Entre ela e a 24ª semana a taxa de sobrevivência aumenta, mas só alguns possuem o funcionamento neurológico normal.

É possível também que os prematuros sejam classificados em relação ao seu peso:

  • Baixo peso: <2.500g;
  • Muito baixo peso: < 1.500g; e
  • Extremo baixo peso: <1.000g

Quais complicações são causadas pela prematuridade?

Dificuldade de manter a temperatura

A prematuridade gera dificuldades em manter a temperatura corporal. Isso se dá por diversos fatores que estão listados abaixo:

Relação menor entre a massa e a superfície corporal, aumentando a sua perda de calor;

Menor quantidade de gordura marrom, a grande responsável por geração de calor no RN; Maior permeabilidade epidérmica; e

Manuseio excessivo a que muitas vezes estão submetidos, favorecendo a maior perda de água corporal e temperatura.

Essa dificuldade na regulação térmica torna o RN mais suscetível aos grandes extremos de temperatura: hipotermia e hipertermia.

Assim, medir a temperatura corporal é imprescindível. O recomendado é que ela seja feita via axilar e a faixa considerada normal fica entre 36,5°C e 37,5°C.

Para aqueles que estão na incubadora, ela pode ser medida continuamente por meio dos sensores cutâneos colocados no abdome superior.

Dificuldade de respirar

O mau funcionamento do sistema respiratório é a principal causa de morbimortalidade nos neonatos. Por isso ele é tão importante para os bebês com prematuridade.

É tanto que, considera-se que os prematuros alcançaram a maturidade fetal quando o pulmão passa a oxigenar de maneira adequada, sem ajudas externas.

Desse modo, é preciso avaliar o padrão respiratório através de cinco sinais importantes:

  • Frequência respiratória: ela deve oscilar entre 40 e 60 incursões por minuto. Como a respiração é periódica, para estabelecer uma frequência fidedigna, deve-se contar a quantidade de incursões por 2 minutos e dividir por 2;

  • Retrações da caixa torácica: a caixa torácica dos prematuros é muito maleável, então, ao menor sinal de desconforto respiratório, as retrações subesternais, intercostais e subcostais ficam evidentes;
  • Batimentos das asas do nariz: a expansão das asas nasais ocorre para aumentar a entrada de ar, minimizando assim a resistência nasal;

  • Gemidos respiratórios: característicos da expiração, o som aumenta a capacidade residual funcional, o que melhora o volume pulmonar e a relação ventilação-perfusão; e

  • Cianose: importante indicador de falha na oxigenação, é mais bem observada quando é feito o exame da língua e da mucosa oral. Para saber se a oxigenação está sendo adequada, deve-se fazer a monitorização através da oximetria de pulso, da gasometria e do hemograma.

A dificuldade respiratória mais observada entre os pré-termos é a Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR). Sendo ela causada pela deficiência de surfactante intra‑alveolar.

Isso resulta no colabamento dos alvéolos, provocando hipoxemia, pois altera a relação ventilação-perfusão.

Por ser comum, caso haja suspeita de prematuridade é preciso administrar corticoide antenal nas gestantes, como uma medida preventiva para diminuir a incidência de SDR.

Para tratar o problema a criança precisa ficar num suporte respiratório com pressão positiva - seja por pronga nasal ou entubação traqueal, recurso mais utilizado se houver complicações.

E mais, deve ser administrado, por via endotraqueal, o surfactante exógeno. A doença pulmonar crônica também é observada entre eles, mas o tratamento para a SDR contribui para a diminuição da ocorrência dessa doença.

Além disso, o fluxo de ar nas vias aéreas superiores pode ser interrompido por 15 ou 20 segundos, seja numa pausa dos movimentos respiratórios ou não, caracterizando dessa forma a apneia da prematuridade.

Dificuldade de alimentação

Os RN’s pré-termos têm dificuldades na coordenação da respiração com a sucção e deglutição, por isso, durante o internamento são alimentados com o leite materno pela sonda nasogástrica.

A nutrição deles deve ser adequada para manter o ritmo de crescimento proporcionado na vida intraútero e como forma de prevenção do catabolismo proteico.

Assim, também para manter as taxas de crescimento, são administradas soluções de glicose com aminoácidos específicos e eletrólitos.Para mais, é feita a oferta gradual de soluções lipídicas, de  vitaminas e oligoelementos.

Dúvidas Frequentes (Guia Rápido)

Como identificar uma ameaça de parto prematuro?

O parto prematuro ou prematuridade pode ser identificado pelos seguintes sinais: perda de líquido amniótico, aumento da pressão ou dor na pélvis, nas coxas ou na virilha, contrações a cada 10 minutos ou numa frequência menor e cólicas na parte inferior do abdome ou similares às menstruais.

E ainda, quadro febril, pressão alta, pressão nas costas ou dor na região lombar. Ela pode ir e vir ou ser constante, mas incomoda mesmo mudando de posição.

Também são sinais desse tipo de parto: diarreia, aumento do corrimento vaginal e líquido aquoso, corrimento rosado ou marrom, ou sangue saindo da vagina.

Todo bebê que nasce prematuro precisa ficar internado?

Não. A idade gestacional e o peso influenciam na necessidade ou não do internamento na UTI neonatal.

Assim, muitos pré-termos precisam ficar no hospital até atingirem as mesmas condições dos nascidos no tempo normal, geralmente até às 34 semanas. Por isso, nascidos entre 34 e 37 semanas podem nem precisar ficar internados.

Conclusão

Crianças que nascem antes das 37 semanas são consideradas prematuras. Isso porque apenas depois das 34 semanas que o recém-nascido completa a formação dos órgãos e eles passam a desempenhar as suas respectivas funções.

Dessa maneira, a prematuridade é considerada grave e é um dos fatores que influenciam diretamente na morbimortalidade materna e fetal.

O pré-natal é extremamente importante para reconhecer os fatores que podem levar ao nascimento de um RN pré-termo e para determinar decisões que mantenham uma gestação saudável.

Dito isso, após o nascimento, saber quais são as necessidades dos pré-termos é imprescindível para que se desenvolvam adequadamente.

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