Estudo

HPV: O que é, transmissão, sintomas e como tratar

vírus do Papiloma Humano(HPV) é o agente da infecção viral sexualmente transmissível mais prevalente no mundo

Isso porque cerca de 80% dos indivíduos sexualmente ativos irão se contaminar com o vírus do HPV em algum momento da vida, mas na maioria deles a infecção será assintomática e não causará prejuízos.

Para mais, o pico de incidência se dá em pacientes jovens, especialmente mulheres, entre 15 e 19 anos.

Entretanto, após os 50 anos, há um novo pico de incidência, provavelmente por novos parceiros sexuais e uma menor resposta imunológica nesse público.

Gráfico exemplificando a prevalência do HPV. Fonte: http://www.rsp.fsp.usp.br/artigo/infeccao-por-hpv-em-mulheres-atendidas-pela-estrategia-saude-da-familia/
Gráfico exemplificando a prevalência do HPV. Fonte: Revista de Saúde Pública

Perceba pelo gráfico acima que os grupos mais acometidos são os de adultos jovens, entre 20 e 34 anos. Os tipos do patógeno, bem como sua importância na evolução para o câncer, serão discutidos a seguir.

Vírus do Papiloma Humano (HPV): o que é?

O HPV é responsável por até 8% de todos os cânceres. Sendo associado virtualmente com 100% dos cânceres de colo uterino, 93% dos cânceres de ânus e 64% dos cânceres de vagina. 

E mais, por 50% dos de vulva, 40% dos de pênis e 60% com os de orofaringe.

Para mais, já foram identificados mais de 200 subtipos do patógeno. Entretanto, apenas 12 destes são considerados oncogênicos. Ou seja, estão associados à formação de tumores invasivos. Sendo o câncer de colo uterino o mais estudado.

Assim, os principais subtipos oncogênicos são os 16 e 18. Felizmente, como demonstrado anteriormente no gráfico, a maioria das infecções por HPV não são por esses subtipos.

Além desses, existem tipos do Vírus do Papiloma Humano não oncogênicos, sendo os principais os subtipos 6 e 11

Eles estão associados à formação de verrugas e ao condiloma acuminado, lesões com baixo risco de evolução maligna. 

Como o vírus do papiloma humano é transmitido?

A transmissão se dá pelo contato direto, não se limitando apenas ao coito. 

Dessa forma, a contaminação pode ocorrer pelo contato pele a pele dos genitais dos parceiros, mesmo sem a penetração.

Para mais, o HPV também pode ser transmitido da mãe para o bebê, em caso de lesões genitais presentes no canal do parto. 

Isso pode causar uma infecção rara do trato aerodigestivo pelo vírus, a papilomatose respiratória

Sendo essa responsável pelo surgimento do tumor de laringe benigno mais comum em lactentes.

Laringoscopia normal. Fonte: Portal do Otorrino
Laringoscopia normal. Fonte: Portal do Otorrino
Larigoscopia com presença da  papilomatose respiratória. Fonte: Portal do Otorrino
Larigoscopia com presença da  papilomatose respiratória. Fonte: Portal do Otorrino

Além disso, sugere-se também a transmissão vertical, apesar disso ainda ser incerto. Por fim, felizmente, a maioria dos neonatos elimina a infecção durante o primeiro ano de vida.

Sintomas do vírus papiloma humano

O Papiloma Vírus tem predileção por células imaturas e em divisão celular

Dessa forma, o quadro infeccioso pode ocorrer em células da camada basal do epitélio escamoso, células subcilíndricas de reserva, células reparativas e em células juncionais.

No entanto, a depender da interação do microrganismo com essas células, as lesões podem ser visíveis clinicamente, ou apenas pela citologia ou biópsia. 

Sendo assim, podem ser classificadas em infecções latentes, subclínicas ou clínicas.

Infecções latentes

São aquelas que podem apenas ser detectadas por métodos de detecção do DNA viral, como o PCR (reação de cadeia de polimerase) e a captura híbrida de segunda geração, por exemplo.

Para mais, essas infecções são assintomáticas, e desaparecem em cerca de 2 anos após a contaminação.

Manifestações subclínicas

As manifestações subclínicas são lesões que não podem ser diagnosticadas a olho nu

Por causa disso, precisam ser visualizadas por métodos como a colposcopia ou a citologia.

Representação da realização da colposcopia. Fonte: https://hpvonline.com.br/sobre-hpv/hpv-e-diagnostico/colposcopia-e-papanicolaou-e-a-biopsia-do-colo-uterino/
Representação da realização da colposcopia. Fonte: HPV Online

Manifestações clínicas

As manifestações clínicas podem ser diagnosticadas a olho nu, através de lesões na pele. 

Exceção disso são as manifestações clínicas por neoplasias avançadas, que podem manifestar sintomas e, entretanto, não apresentar lesões diagnosticável a olho nu.

Assim, normalmente se manifestam como lesões verrucosas genitais e condilomas

Verruga genital. Fonte: Haddad Astolfi
Verruga genital. Fonte: Haddad Astolfi

Além disso, como mencionado anteriormente, estão associadas ao HPV de baixo risco, ou seja, aos subtipos 6 e 11.

Possíveis tratamentos para o vírus do papiloma humano

A conduta terapêutica varia conforme o quadro clínico do paciente.

Conduta para as infecções latentes

Na presença de um quadro infeccioso latente em qualquer sítio, a conduta é expectante, pois a lesão tende a regredir espontaneamente.

Conduta para as lesões subclínicas

Após estudo da lesão, essa pode ser classificada em lesão intraepitelial escamosa de baixa grau (LSIL) ou de alto grau (HSIL).

Com isso, caso seja classificada em lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL), a conduta pode ser expectante, observando-a até a involução.

Entretanto, caso essa lesão seja persistente, ela pode ser tratada por métodos como a imunomodulação ou exérese, a depender do local acometido.

Já quando ela é considerada intraepitelial de alto grau (HSIL), a conduta dependerá da idade do indivíduo.

Diante disso, em mulheres com idade ≤ 24 anos, realiza-se o seguimento com conduta expectante. Contudo, caso tenha idade > 24, opta-se pelo tratamento.

Exceção disso são os casos de biópsia com lesão negativa para neoplasia intra-epitelial cervical e com canal cervical não acometido

Nesses casos, pode-se optar pela conduta expectante, com acompanhamento por citologia e colposcopia a cada 6 meses.

Conduta para lesões clínicas

As lesões clínicas podem ser tratadas por técnicas como a imunomodulação e a exérese, a depender de seu número, localização e da experiência do especialista.

Exemplo disso é o condiloma acuminado, também conhecido por “crista de galo”, mencionado anteriormente no texto. 

Esse pode ser tratado com imiquimode 3,75% ou 5%. Devendo essa pomada ser aplicada pela paciente sobre a lesão uma vez ao dia, três vezes por semana, por 16 semanas.

Condiloma acuminado. Fonte: UpToDate, 2022
Condiloma acuminado. Fonte: UpToDate, 2022

Tratamento de HPV em pessoas com imunodeficiência

Pacientes com imunodeficiências estão mais propensos ao desenvolvimento de condilomas e verrugas anogenitais

Elas também tendem a ser mais extensas e volumosas, em comparação com o paciente imunocompetente. 

Além disso, a pessoa vivendo com HIV é comumente infectada por mais de um subtipo do Vírus do Papiloma Humano, bem como apresentam cargas virais maiores

E ainda, nesse grupo, é mais comum a presença de neoplasias epiteliais de alto grau.

Por isso, nesses pacientes, está indicada a biópsia da lesão, uma vez que até 50% irá detectar lesões de muito alto risco.

Assim, o tratamento indicado é com o imiquimode a 5%. Todavia, em indivíduos não aderentes ao tratamento ou quando ele for ineficaz para o desaparecimento da verruga, pode ser tratado cirurgicamente. 

Nesse caso, deve-se dar preferência pela exérese. Por fim, apesar da maioria das lesões verrucosas desaparecerem após o tratamento, as recorrências nesses pacientes são muito comuns.

Recomendações para prevenção do vírus do HPV

As recomendações indicam que a prevenção do Vírus do Papiloma Humano deve ser feita de forma primária e secundária. 

Sendo a forma primária a vacinação, e a secundária, o Papanicolau. Assim, desde 2008 estão disponíveis pelo Ministério da Saúde (MS) vacinas contra o patógeno, que apresentam alta eficácia contra o quadro infeccioso.

A imunização visa diminuir a incidência e mortalidade pelo câncer, assim como o aparecimento de lesões anogenitais.

Vacinação

Estão disponíveis pelo Ministério da Saúde as vacinas bivalentes - contra os tipos 16 e 18 do vírus - e as quadrivalentes, atuando contra os subtipos 6, 11, 16 e 18.  

E mais, o calendário vacinal do MS preconiza a vacinação de meninas entre 9 e 14 anos, e de meninos entre 11 e 14 anos. Devendo ser aplicadas duas doses, com intervalo de 6 meses entre elas.

No entanto, em pacientes transplantados de órgãos sólidos, de medula óssea e oncológicos, assim como homens e mulheres vivendo com HIV/aids, o esquema vacinal é diferente. 

Nesse público, o imunizante deve ser aplicado entre 9 e 45 anos, sendo preconizadas três doses, em esquema de 0, 2 e 6 meses.

Uso de preservativos

O uso de preservativos é fundamental para prevenção de diversas infecções sexualmente transmissíveis.

Para o papiloma vírus, eles conferem cerca de 60% de proteção. Isso porque a transmissão pode ocorrer por áreas não protegidas pelo preservativo.

Exame preventivo do câncer de colo de útero

O exame preventivo, que é sinônimo de Papanicolau, citopatologia de colo de útero e citopatologia oncótica, é um exame de prevenção secundária para o câncer de colo de útero. Ou seja, busca evidenciar precocemente a presença de lesões já existentes pelo HPV.

Ele é fundamental porque as lesões precursoras pré-malignas são comumente assintomáticas

E mais, também é importante para detectá-las porque são curáveis, e possuem uma lenta progressão (entre 8 e 10 anos) para as lesões malignas.

Assim, o Papanicolau deve ser feito em mulheres que já tiveram relações sexuais, com idades entre 25 e 64 anos

Além disso, o exame deve ser feito a cada 3 anos, desde que a paciente tenha dois exames anuais normais consecutivos.

Vale salientar que, optou-se por não iniciar o exame preventivo antes dos 25 anos porque a incidência nessa faixa etária é muito baixa. 

E mais, a maioria dessas lesões, quando detectadas, são de baixo grau e tendem a regredir espontaneamente

Dessa forma, concluiu-se que a realização do exame nessas pacientes pode levar a um sobretratamento, provocando aumento da morbidade obstétrica e perinatal, e aumento das chances de partos pré-maturos.

Dúvidas frequentes

Quais são os primeiros sintomas do vírus HPV?

A infecção pelo  Vírus do Papiloma Humano é comumente assintomática, tendendo à regressão em até 2 anos. 

Entretanto, o patógeno pode manifestar-se clinicamente pelo aparecimento do condiloma e de verrugas genitais.

O HPV feminino tem cura?

Quanto ao câncer de colo de útero, a depender do estágio em que as lesões se encontram, existe cura definitiva

Isso porque mesmo os subtipos oncogênicos do vírus causam lesões com lenta progressão e, dessa forma, há maiores possibilidades de detecção precoce da doença. 

O que causa a infecção pelo vírus HPV?

O vírus é transmitido através do contato direto pele a pele com indivíduos previamente colonizados pelo vírus

No entanto, a maioria dos pacientes contaminados o eliminam do organismo sem manifestar nenhum sintoma.

Conclusão

A infecção pelo Vírus do Papiloma Humano é extremamente relevante na prática médica. 

Assim, conhecer seus principais subtipos oncogênicos e não oncogênicos, assim como suas formas de prevenção e quadro clínico, são fundamentais para sua prova de residência!

Leia mais: 

Teste por 7 dias grátis

Experimente a nossa plataforma de estudo

Receba um acesso gratuito para testar todos os nossos recursos e tirar suas dúvidas!

Teste 7 dias grátis

Experimente a nossa plataforma de estudos

Ao confirmar sua inscrição você estará de acordo com a nossa Política de Privacidade.