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Entenda O Que É a Residência em Pediatria, Subespecialidades e o Como É o Mercado de Trabalho

Uma das cinco grandes áreas da medicina, a Pediatria costuma ser a segunda ou terceira área de especialização mais concorrida – ficando atrás apenas de Clínica Médica e ora empatando, ora ficando ligeiramente atrás de Cirurgia Geral.

Segundo dados de 2020, o Brasil possui cerca de 39.000 pediatras em atividade, o que corresponde a 10,1% do total de especialistas na medicina brasileira. Possuímos em torno de 2.000 vagas de residência em Pediatria em todo o país.

Esse número transforma a área na segunda especialidade com maior número absoluto de praticantes – ficando atrás, novamente, apenas da Clínica Médica

Ser pediatra é o desejo de muitos estudantes de medicina, que em sua maioria gostam bastante de clinicar mas que preferem, na prática, lidar com crianças e adolescentes.

Veja o vídeo sobre Covid-19 na Pediatria com o nosso professor Filipe Marinho:

O que é a residência em Pediatria e como funciona?

 A residência em Pediatria é o programa de três anos de especialização na área, que conta com uma carga horária mínima de 60 horas semanais dividida entre emergências, ambulatórios, interconsultas, UTIs e enfermarias.

A carga horária nesses locais também é distribuída entre uma grande variedade de subespecialidades, similarmente à Clínica Médica – tais como terapia intensiva, neonatologia, cardiologia pediátrica, pneumologia pediátrica, alergologia, entre outras.

E o que faz um residente em Pediatria?

O residente em Pediatria é exposto às diferentes rotinas de trabalho que um pediatra pode ter em sua carreira e, dessa forma, desenvolve habilidades específicas referentes à área.

Após os três anos-base, a maioria dos profissionais procura uma subespecialização, durante a qual focará apenas em uma das sub-áreas que conheceu nesses anos-base. É possível, também, trabalhar como pediatra generalista. 

Quais são as subespecialidades da Pediatria?

A seguir, daremos uma pequena descrição das principais subespecialidades dentro da Pediatria, falando a respeito de suas habilidades específicas e funções gerais.

Cardiologia Pediátrica

Essa especialidade abarca os conhecimentos da Pediatria e da Cardiologia, integrando ambos para que se previna, diagnostique e trate disfunções do sistema cardiovascular na infância e adolescência, sejam eles específicos dela ou não.

Neurologia Pediátrica (ou Neuropediatria)

Ramo da Pediatria – ou da Neurologia – que se dedica ao estudo de patologias relacionadas ao desenvolvimento e à maturação do sistema nervoso. Diagnostica e trata doenças neurológicas, e possui grande importância na análise das aquisições cognitivas, motoras e sensitivas da criança.

Alergia e Imunologia Pediátrica

Estuda as doenças do complexo sistema imunológico infantil, tanto aquelas relacionadas a imunodeficiências quanto às alergias.

Cancerologia/Oncologia Pediátrica

A Oncologia Pediátrica abrange o diagnóstico e o tratamento do câncer infantil e do adolescente. É bom frisar que esta é uma especialidade clínica – para a Cirurgia Oncológica Pediátrica, a formação base é na área de Cirurgia.

Endocrinologia Pediátrica

É a área que diagnostica e trata as patologias relacionadas às glândulas endócrinas em crianças e adolescentes, tais como suas subsequentes desordens hormonais.

Gastroenterologia Pediátrica

Estuda, diagnostica e trata doenças relacionadas ao aparelho gastrointestinal da criança e do adolescente, ou seja: patologias específicas ao esôfago, estômago, intestinos, pâncreas, fígado e vesícula biliar.

Hematologia e Hemoterapia Pediátrica

Especialidade que estuda doenças hematológicas – ou seja, do sangue – em crianças e adolescentes, tais como hemoglobinopatias, deficiências enzimáticas, trombofilia, anemias e também doenças que cursam com a Oncologia, como leucemias e linfomas.

Infectologia Pediátrica

Investiga, diagnostica e trata doenças infectocontagiosas e parasitárias em crianças e adolescentes, sendo estas específicas da idade ou não.

Medicina do Adolescente ou Hebiatria

Área um pouco diferente das citadas até agora, que não foca em um sistema específico do corpo, mas sim em um período do desenvolvimento: a adolescência. O hebiatra trata pacientes desde o início da puberdade até a chegada da idade adulta.

Medicina Intensiva Neonatal

Também diferenciando-se pela fase do desenvolvimento, e não sistema específico, a Medicina Intensiva Neonatal foca no cuidado de recém-nascidos que precisam de acompanhamento intensivo nas UTIs.

Medicina Intensiva Pediátrica

Tem a mesma descrição da subespecialidade acima, com o diferencial sendo a idade: os pacientes não são recém-nascidos, mas bebês e crianças mais velhas.

Nefrologia Pediátrica

Especialidade que foca no estudo, diagnóstico e tratamento das patologias relacionadas aos rins em crianças e adolescentes.

Nutrologia Pediátrica

Relativamente nova, a Nutrologia Pediátrica é a área médica que foca na nutrição e sua relação com o desenvolvimento saudável da criança e do adolescente. Cursa com outras especialidades, estudando e tratando carências nutricionais, distúrbios alimentares, obesidade infantil e outras questões relacionadas à alimentação.

Pneumologia Pediátrica

A Pneumologia Pediátrica é a área responsável pelo diagnóstico e tratamento de patologias que envolvem o sistema respiratório de crianças e adolescentes. Algumas patologias respiratórias são especialmente prevalentes em crianças, tais como a bronquiolite, e bronquite, a asma e diversas pneumonias.

Veja nosso vídeo sobre pneumonia na Pediatria com a professora Tarciana Mendonça:

Reumatologia Pediátrica

Diagnostica e trata um abrangente conjunto de doenças inflamatórias crônicas sistêmicas (como o lúpus, por exemplo) ou específicas a certos tecidos (sendo o muscular, ósseo e conjuntivo os mais afetados) na criança e no adolescente. 

Emergência Pediátrica

É a Medicina de Emergência voltada à Pediatria, basicamente – atende crianças e adolescentes em situações de emergência, onde o risco de vida ou de sequelas graves é iminente.

Quais as vantagens e desvantagens da residência em pediatria?

Vantagens Desvantagens
Residência com acesso direto Alta carga emocional e de responsabilidade
Muitas opções de subespecialização Dificuldade na comunicação com os pacientes
Alta demanda no mercado Sucesso terapêutico depende da rede de apoio em torno do paciente
Muitas opções de subespecialização Qualidade de vida afetada pelo alto número de emergências
Grande satisfação pessoal Competitividade alta no mercado
Maior remuneração por plantão em comparação a outras especialidades Dependência do regime de plantões até possuir clientela estabelecida

Como é o mercado de trabalho da residência em pediatria?

Quanto ganha um residente de pediatria?

Um residente de Pediatria ganha o mesmo que todos os outros residentes no Brasil, a bolsa de R$ 3.330,43 mensais ofertada pelo Governo Federal.

Qual o perfil de um residente de pediatria?

Qual o perfil de um residente em pediatria

Desnecessário dizer que, antes de tudo, um residente de Pediatria precisa gostar de trabalhar com crianças.

Um pediatra deve ter habilidades clínicas observacionais até mais aguçadas que a de um clínico geral, pois, ao contrário do paciente adulto, nem sempre o paciente pediátrico poderá adequadamente descrever seus sintomas – muitos deles ainda nem aprenderam a falar, afinal.

Sendo assim, direcionar extrema diligência à avaliação dos sinais é fundamental.

Paciência, compaixão e empatia também deverão entrar nesta conta. Além de lidar com uma criança doente, o residente de Pediatria precisará lidar com pais preocupados e, por isso, muitas vezes difíceis ou até hostis.

Aí entra mais uma habilidade necessária ao perfil: excelente capacidade de comunicação.

Veja nosso vídeo sobre como fazer uma excelente prova com a coach Diana Sette:

Conclusão

A residência médica em Pediatria pode ser especialmente difícil por tratar de uma população altamente vulnerável, algo que pode adicionar ao médico uma carga emocional e de responsabilidade extras, além de exigir uma comunicação mais complexa e cheia de nuances.

Por outro lado, pode ser uma especialidade muitíssimo gratificante pelos exatos mesmos motivos. Nem tanto pela dificuldade da prática, mas pela recompensa que existe em ver seus pequenos pacientes sobreviverem, crescerem e se transformarem em adultos saudáveis.

Pais de pacientes pediátricos que tiveram seus filhos curados, tratados de forma humana e empática costumam ser algumas das pessoas mais gratas do mundo, e isso se reflete na paixão que alguns médicos desenvolvem pela área da Pediatria.

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