Carreira

Residência em Cirurgia Geral: Entenda como funciona, rotina e principais desafios

A residência em Cirurgia Geral sempre está entre as 5 mais procuradas de todas as áreas, geralmente ficando atrás de Clínica Médica e, a variar de ano a ano, empatando com Pediatria.

Na última pesquisa realizada pela Demografia Médica no Brasil, ela correspondeu ao destino de 8,9% dos médicos que ingressaram na residência, ficando em 3º lugar.

Recentemente, essa residência passou por uma reformulação importante. Com proposta aprovada em 2016 implementada de fato em 2018, criou-se a residência em Cirurgia Básica, enquanto a Cirurgia Geral deixou de durar 2 anos para durar 3.

Falaremos mais a respeito dessa reformulação – junto com os novos conceitos da Cirurgia Geral – ao longo do texto.

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Como funciona a residência médica em Cirurgia Geral no Brasil?

Conforme dito na introdução, a Cirurgia Geral passou a ser uma residência médica diferente a partir de 2018. Ela ganhou um ano extra.

O que antes era considerada a residência padrão em Cirurgia Geral transformou-se na residência em Cirurgia Básica – que dura dois anos, serve como pré-requisito para as subespecialidades que envolvem cirurgia, mas não mais confere o Título de Especialista.

Durante os primeiros 2 anos a Matriz de Competência se mantém a mesma; ou seja, os programas são iguais em ambas.

A diferença vem no ano adicional, que ofertará mais prática e novos conteúdos ao residente em Cirurgia Geral.

Caso tenha mais dúvidas a respeito da mudança, o Colégio Brasileiro de Cirurgiões disponibilizou um FAQ em sua página oficial.

A prova para Cirurgia Geral continua sendo de acesso direto. Entraremos em detalhes a respeito da rotina do residente mais adiante.

Quais são as subespecialidades da Cirurgia Geral?

A Cirurgia Geral possui muitas subespecialidades e, com o passar do tempo, elas só vêm aumentando em número.

Algumas das mais conhecidas e ofertadas pela maioria dos serviços – bem como áreas em que o residente passa em rotação durante a residência, para conhecer melhor – são:

  • Cirurgia Geral – Programa Avançado;
  • Cancerologia Cirúrgica;
  • Cirurgia Cardiovascular;
  • Cirurgia da Mão;
  • Cirurgia de Cabeça e Pescoço;
  • Cirurgia do Aparelho Digestivo;
  • Cirurgia Pediátrica;
  • Cirurgia Plástica;
  • Cirurgia Torácica;
  • Cirurgia Vascular;
  • Coloproctologia;
  • Urologia;
  • Mastologia;
  • Nutrologia;
  • Medicina Intensiva.

O que faz um residente de Cirurgia Geral?

O que faz um residente em cirurgia geral?

O residente de Cirurgia Geral passará por plantões na emergência, plantões de sobreaviso – geralmente quando ele já está em seus anos finais –, por atendimentos ambulatoriais, por cirurgias emergenciais e eletivas.

Todas essas etapas são divididas entre os 3 anos da residência, onde a complexidade dos procedimentos que ele pode realizar vai ficando gradativamente maior.

Quais as etapas da residência em Cirurgia Geral?

R1 (Primeiro ano)

Durante esse primeiro ano, o foco da residência será em consultas eletivas e avaliações pré-operatórias no ambulatório; internação e acompanhamento de pacientes cirúrgicos na enfermaria; auxílio aos R2 e R3 em cirurgias eletivas e plantões na emergência.

Nesses plantões, o foco do R1 será a identificação do abdome agudo, do escroto agudo, de politraumatizados e queimados.

Ele passa 3 meses em cada um desses estágios obrigatórios: coloproctologia, urologia, cirurgia torácica e cirurgia vascular.

R2 (Segundo ano)

Como R2, o médico residente em Cirurgia Geral já começa a supervisionar seus R1. Ele passará menos tempo no ambulatório e na enfermaria, e mais tempo dentro do centro cirúrgico.

Já poderá realizar cirurgias mais simples sem a supervisão de outros residentes – mas sempre com um preceptor por perto.

Na enfermaria, realizará o diagnóstico e tratamento de complicações pós-operatórias e a estabilização de pacientes cirúrgicos. Continuará na emergência dando plantões e orientando os R1.

R3 (Terceiro ano)

No último ano da residência, o R3 de Cirurgia Geral supervisionará os R2 e R3 no ambulatório e na enfermaria. Ele passará a maior parte do seu tempo no centro cirúrgico, operando.

Ainda realizará plantões na emergência, supervisionando seus R2 e R1.

Você pode saber mais sobre a grade curricular da residência em Cirurgia Geral através deste documento publicado no site do Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Como é o mercado de trabalho da Cirurgia Geral?

De acordo com o Guia de Carreira, o cirurgião geral é o segundo profissional da área médica mais bem remunerado, perdendo apenas para o cirurgião plástico.

O site calculou que, em média, por uma jornada de 20 horas semanais, ganha-se cerca de R$ 7.114,00.

O valor real costuma ser bem maior, porém, pois dificilmente um cirurgião trabalhará por apenas 20 horas semanais e em apenas uma instituição.

O mercado brasileiro sempre foi altamente receptivo a profissionais da área médica, e com a cirurgia não é diferente.

São, aliás, os profissionais mais bem remunerados dentro de todas as especialidades, de forma geral.

Grandes centros costumam pagar melhor, pois têm mais pacientes. Um movimento curioso tem acontecido na última década, entretanto: locais remotos com falta desses profissionais andam tentando atraí-los oferecendo altos salários.

Quanto ganha um residente de Cirurgia Geral?

Quanto ganha um residente em cirurgia geral

Um residente de Cirurgia Geral ganha o mesmo que todos os outros residentes no Brasil, a bolsa de R$ 3.330,43 mensais ofertada pelo Governo Federal.

Quais os principais desafios para um cirurgião geral?

Tempo investido na formação

Para se formar um bom cirurgião, muito tempo de prática é requerido. Você precisa estar disposto a dedicar uma boa parte da sua vida a um treinamento formal.

Educação continuada

Esse treinamento iniciado na residência pode acabar formalmente ao fim dela, mas, na prática, não acaba nunca. Novas técnicas de cirurgia surgem todos os anos. 

Técnicas mais seguras, avançadas e que proporcionam resultados melhores. Se você quiser se manter relevante no mercado, precisará se atualizar.

Escassez de recursos

Nós não somos um dos países mais tecnologicamente avançados do mundo. Não temos, às vezes, equipamentos básicos para uma cirurgia. 

Principalmente no início de sua carreira, a depender de onde está, você pode se deparar com situações de emergência que requerem equipamentos indisponíveis.

Em situações assim, precisa estar preparado para tomar decisões rápidas que podem ser capazes de salvar ou não a vida de um paciente.

Carga horária da residência

A residência médica em Cirurgia Geral é uma das mais pesadas em relação ao cumprimento de horários.

Por lei, nenhuma residência deveria exceder 60 horas semanais, mas na prática todos que trabalham em um hospital sabem que não é assim.

E a residência em Cirurgia é uma das que mais cobra de seus médicos. 

Não se pode prever exatamente quanto tempo uma cirurgia durará, se haverá ou não complicações etc.

Dessa forma, o médico que escolhe Cirurgia Geral precisa estar disposto a lidar com uma carga horária que pode ser brutal, especialmente nos primeiros anos.

Como se preparar para um programa de residência em Cirurgia Geral?

·  Utilize o método de flashcards

·  Estabeleça um método de estudo que siga estes 9 passos

·  Vença a desmotivação no estudo;

·  Conheça bem a prova da residência que você pretende prestar.

Assista à nossa live sobre como organizar seus estudos para se tornar um residente em 2022:

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Conclusão

Dentro da medicina, talvez uma das carreiras que mais traga prestígio pessoal seja a da cirurgia. Porém, não se deixe levar por ele.

Se você não é apaixonado por essa área, não embarque nela por qualquer outra razão. A dificuldade dos procedimentos, os horários pesados, a pressão envolvida, o tempo de formação. 

Tudo isso só valerá a pena se você realmente se interessa por cirurgia e se sente realizado dentro de um centro cirúrgico.

Se esse é o seu caso, a cirurgia é pra você. Mergulhe de cabeça, pois nesse – e somente nesse – caso, o esforço será sua própria recompensa.

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