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Publicado em
13/4/22

Entenda O Que É Delirium, Suas Causas, Sintomas e Possíveis Tratamentos!

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O delirium, também conhecido como estado confusional agudo ou sofrimento cerebral agudo, é uma das síndromes neuropsiquiátricas mais comuns nos hospitais gerais.

A condição também é frequente em pacientes atendidos em unidades de emergência e UTIs, especialmente na população idosa.

O que é delirium?

O sofrimento cerebral agudo é uma turvação aguda nos níveis de consciência e cognição de um indivíduo, comparticular comprometimento da atenção. 

Essa condição é secundária a um quadro orgânico, e ocorre com frequência no ambiente hospitalar, em unidades de cuidados pós-operatórios e paliativos

A incidência do estado confusional em pacientes que estão em unidade de terapia intensiva pode atingir 80%. 

Quais as etiologias?

Os principais fatores precipitantes são doenças do sistema nervoso central (SNC), doenças sistêmicas e intoxicação ou abstinência de agentes farmacológicos ou tóxicos.

  • Doenças do SNC: Enxaqueca, acidente vascular cerebral (AVC), lesão cerebral traumática, tumor cerebral, demência (doenças de Parkinson, Alzheimer, corpos de Lewy).
  • Agentes farmacológicos: Analgésicos, antibióticos, anestésicos, anti-hipertensivos,

anticolinérgicos.

  • Doenças sistêmicas: Infecções (ex: pneumonia, sepse, infecções do trato urinário, doença de Lyme), distúrbios hidroeletrolíticos, traumatismos, desidratação, queimaduras, deficiência nutricional, hepatite.

Acredita-se que essa condição seja resultante da associação entre a baixa reserva cognitiva e a resposta cerebral a fatores externos, que tende a ser mais alarmante de acordo com a intensidade da injúria. 

Além do comprometimento cognitivo, o envelhecimento e o consumo excessivo de álcool antes da admissão hospitalar são também fatores predisponentes. 

Qual a fisiopatologia do delirium?

A fisiopatologia ainda não está completamente elucidada, mas parece ter origem em distúrbios generalizados, em regiões corticais e subcorticais, como notado pelos seus sintomas generalizados.

O neurotransmissor acetilcolina apresenta papel fundamental no delirium, pois a diminuição da atividade colinérgica parece estar intrinsecamente envolvida em várias das causas já citadas anteriormente.

Outros neurotransmissores são a serotonina e o glutamato. Anatomicamente, a formação reticular da medula espinal é a principal área reguladora da atenção e excitação. 

A principal via que implica no sofrimento cerebral agudo parece ser a via tegmentar dorsal.

Quais os sintomas do delirium?

Partindo da definição da condição, devemos ter em mente que essa perturbação no nível de consciência, cognição e atenção pode se apresentar de forma diferente em cada paciente.

Ele pode ter dificuldade de manter o foco e pode ter dificuldade em se identificar temporalmente e espacialmente.

Além disso, pode haver polarização do humor para depressivo ou hipomaníaco e o pensamento pode estar lentificado ou acelerado, com ideias desorganizadas e conteúdo bizarro. 

Esse conteúdo bizarro vai desde ideias sobrevalorizadas até distorções da realidade (delírio persecutório/paranóide, de ciúme, de autorreferência, de controle, etc).

Outras características psicóticas que podem estar presentes são ilusões e alucinações. As alucinações podem ocorrer em qualquer modalidade sensitiva, mas, quando decorrentes de quadros orgânicos, as visuais são mais comuns.

Uma outra forma de agrupar as manifestações clínicas do delirium é entre os subtipos hiperativo,hipoativo e misto. 

Pacientes com subtipo hiperativo possuem sintomatologia exuberante e são diagnosticados mais rapidamente. 

Aqueles com o subtipo hipoativo costumam apresentar lentificação e sonolência, com diagnóstico tardio ou, às vezes, nunca feito, o que se associa a um pior prognóstico. O subtipo misto apresenta características dos dois anteriores.

Como fazer o diagnóstico?

O diagnóstico do estado confusional agudo é essencialmente clínico. Os exames complementares são importantes na investigação pela causa base, porém os resultados negativos não necessariamente irão excluir o diagnóstico.

Histórico clínico

Segundo o DSM-V, para diagnosticarmos o indivíduo, é necessário que ele preencha os seguintes requisitos:

  • 1) Perturbação na atenção (capacidade reduzida para direcionar, localizar, manter e mudar a atenção) e na consciência (menor orientação para o ambiente);
  • 2) A perturbação é aguda, ou seja, se desenvolve em um período breve de tempo, de horas a poucos dias. Representa mudanças na atenção e na consciência, com oscilações ao longo do dia;
  • 3) Há perturbação adicional na cognição (memória, desorientação, linguagem, capacidade visuoespacial ou percepção);
  • 4) Essas perturbações não são mais bem explicadas por outro transtorno neurocognitivopreexistente, estabelecido ou em desenvolvimento, e não ocorrem no coma; ou
  • 5) Há evidências a partir da história e/ou exames complementares que a perturbação é consequência fisiológica direta de outra condição médica, intoxicação, abstinência ou exposição a uma toxina ou a múltiplas etiologias.

Exames laboratoriais

Não existem exames obrigatórios, e sim exames que podem auxiliar no diagnóstico da causa base, devendo ser requeridos mediante apresentação clínica e hipóteses diagnósticas individuais.

Alguns exames que podem ser pedidos são hemograma completo (com diferencial para células brancas), eletrólitos, índices renal e hepático, glicose, testes de função da tireoide, e testes sorológicos para sífilis.

Além de testes de anticorpos para HIV, urinálise, eletrocardiograma, eletroencefalograma, radiografia torácica e sangue e urina para presença de drogas.

E ainda, culturas (sangue, urina e LCR), concentrações de B12 e ácido fólico, tomografia ou ressonância cerebral, punção lombar e exame do LCR.

Quais os possíveis tratamentos?

O tratamento geral do sofrimento cerebral agudo inclui o tratamento da causa subjacente e medidas gerais de apoio físico, sensorial e ambiental para o paciente e para a sua família.

O haloperidol, popularmente conhecido como haldol, costuma ter boas respostas nos tipos hiperativo e misto, podendo ser indicado nessas situações. Em caso de contraindicação, podemos lançar mão de antipsicóticos atípicos. 

Caso se trate de delirium tremens, ou seja, delirium secundário à abstinência de álcool, podemos utilizar benzodiazepínico de meia-vida curta ou intermediária (ex: lorazepam) para fazer controle da agitação e da insônia.

Como o álcool e os benzodiazepínicos são depressores do sistema nervoso, a administração do lorazepam funciona com melhora sintomatológica e redução de danos para o paciente.

Delirium x Delírio: 

Enquanto o delirium é um tipo de resultado comportamental às lesões biológicas, o delírio é um transtorno do pensamento caracterizado pela alteração do conteúdo do pensamento, com o indivíduo apresentando visão distorcida da realidade.

Desse modo, consideramos que o primeiro é uma síndrome, e o segundo é um sintoma.

Conclusão

É de fundamental importância que o estudante e o profissional médico tenham em mente os principais fatores de risco para o delirium

Sendo necessário recordar desse diagnóstico diferencial toda vez que atenderem um paciente na emergência, especialmente os idosos. 

Um rápido diagnóstico possibilita pronta intervenção e menores complicações para o paciente. 

Leia mais:

Fontes:

  • Compêndio de psiquiatria, 11a edição
  • Tratado de psiquiatria da associação brasileira de psiquiatria

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