Estudo
Publicado em
25/5/22

O que é Rinossinusite Crônica, como diagnosticar e possíveis tratamentos

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A sinusite crônica, também chamada de rinossinusite crônica,  é uma condição que apesar de a maioria dos casos não serem graves, ainda traz desconforto ao dia a dia do indivíduo que a possui.

Ela é considerada a 4ª causa de perda de olfato permanente ou de longa duração, e a quinta condição médica em que há maior prescrição de antibióticos, mas o manejo permanece desafiador, pela alta chance de recorrência.

Dito isso, é muito importante o entendimento acerca do tema para realizar bem o diagnóstico e escolher o melhor tratamento possível para o paciente. 

Definição

Sinusite é a inflamação dos seios paranasais, que são cavidades ocas em torno do nariz, cujas funções são reduzir o peso e conferir resistência aos ossos da face e auxiliar na ressonância da voz.

Normalmente os seios permanecem praticamente estéreis, mas em um processo inflamatório, geralmente mais de um seio é acometido, principalmente o seio maxilar, seguido dos etmoidais, frontais e por fim, esfenoidais.

Anatomia dos seios paranasais e os principais sinais de inflamação. Foto: Reprodução/ShutterStock
Anatomia dos seios paranasais e os principais sinais de inflamação. Foto: Reprodução/ShutterStock

Existem as sinusites aguda e crônica, sendo a primeira uma situação muito mais comum, geralmente após infecções de vias respiratórias superiores (IVAS), mas há diversas outras etiologias que podem ocasionar.

A sinusite crônica é quando os sintomas permanecem por mais de 12 semanas, podendo ser intermitentes ou não e persistirem por anos, causando incômodo por muito tempo, com cefaleias e pressões faciais.

Fisiopatologia

A drenagem dos seios paranasais pode ser impedida nos casos de obstrução dos óstios dos seios ou por deficiência parcial ou total de movimentos ciliares, fazendo com que haja retenção de secreções em seu interior.

O acúmulo de muco nessa superfície gera uma maior suscetibilidade a infecções virais, bacterianas ou por fungos, mais raramente.

A inflamação gera todos os sinais flogísticos conhecidos, como vermelhidão, dor, calor, edema e perda de função, responsáveis pelo quadro clínico habitual da rinossinusite.

Principais subtipos da rinossinusite

Podemos classificar as rinossinusites a partir de alguns parâmetros:

De acordo com a duração

  • Aguda: quando dura menos que 4 semanas, representando a maioria dos casos, principalmente de origem infecciosa.
  • Crônica: por infecções polibacterianas ou fúngicas recorrentes – não persistentes – ou devido a alterações anatômicas importantes.

De acordo com a etiologia

  • Infecciosa;
  • Não infecciosa: Rinite alérgica, presença de pólipos nasais, desvio de septo significativo, irritantes químicos, barotrauma (mergulho em águas profundas ou viagens aéreas), fibrose cística ou até síndrome de Kartagener (doença genética).
  • Hospitalar: Pode surgir principalmente no paciente com intubação nasotraqueal e em uso de sonda nasogástrica (SNG), geralmente com manifestações atípicas. Os agentes são usualmente S. Aureus, Pseudomonas aeruginosa e Klebsiella. 

De acordo com o patógeno

  • Viral: agente mais comum da rinossinusite aguda, sendo o rinovírus e influenza os mais frequentes causadores. 
  • Bacteriana: clinicamente indistinguível da rinossinusite viral. Devido a esse fator, a prescrição de antibióticos para seu tratamento é rotineira.
  • Fúngica: infecção mais comum em imunocomprometidos ou diabéticos, principalmente com cetoacidose

A mucormicose, uma sinusite fúngica aguda, costuma ser muito grave, com celulite orbitária, redução de movimentos oculares, dor retro-orbital, epistaxe e ulcerações nasofaríngeas. E em casos mais avançados, compromete os nervos trigêmeo e facial.

Por outro lado, a forma crônica da etiologia fúngica geralmente não é invasiva e possui progressão lenta, com agentes como o Aspergillus sp.

Principais sintomas da sinusite crônica

Apesar de os sintomas não serem complicados, a congestão nasal constante e pressão facial aparecem intermitentemente na sinusite crônica, com dor moderada, mas que pode persistir por anos, fazendo com que os pacientes tenham uma taxa elevada de morbidade.

A febre é rara, estando presente mais frequentemente em casos de rinossinusite hospitalar.

Outros sintomas  da sinusite crônica são corrimento nasal e muco espesso e purulento ou de coloração diferente, podendo levar a halitose (hálito fétido).

Na rinossinusite fúngica crônica o muco chega a ter consistência de manteiga de amendoim e podem formar bolas fúngicas, chamadas de micetomas.

Diagnóstico da sinusite crônica

O diagnóstico costuma ser clínico para rinossinusites agudas, mas nas sinusites crônicas há necessidade de melhor avaliação, com exames radiológicos ou endoscópicos.

Enquanto tomografias ou raios X de face e seios paranasais não são rotineiramente solicitados para casos agudos, tornam-se consideravelmente necessários para os casos de recorrência e cronicidade e para detecção de possíveis defeitos anatômicos.

Outra ocasião em que os exames de imagem podem ser úteis, são nos casos de suspeita de rinossinusite hospitalar, em pacientes com intubação nasotraqueal ou SNG e que possuam febre de causa desconhecida.

Exames histológicos e culturas devem também ser solicitados para sinusites crônicas e hospitalares, com função de aprimorar a terapia antibiótica para que seja a mais específica possível.

Quais as complicações?

A perda de olfato e a dor constante no dia a dia são as maiores complicações da sinusite crônica, podendo afetar tarefas diárias do indivíduo, pessoais ou profissionais.

Os dentes molares superiores muitas vezes possuem suas raízes no interior dos seios maxilares, então, quando acometidos, podem gerar odontalgia (dor de dente) intensa, podendo confundir com dor de canal não tratado.

No entanto, são complicações com menos desvantagens, quando comparadas às possíveis manifestações complicadas da rinossinusite aguda, que podem ser celulite orbitária, trombose de seios venosos ou até meningite e abscessos cerebrais.

Tratamentos

A sinusite crônica é de difícil cura clínica e geralmente vários ciclos de antibióticos são realizados por 3 a 4 semanas, que na maioria das vezes não apresentam solução permanente e possuem suas consequências. 

Juntamente a isso, podem ser utilizados glicocorticóides intranasais, mas atenção, seu uso prolongado pode causar efeitos sistêmicos, como hipertensão ou epistaxe.

Soluções salinas estéreis (Salsep) podem auxiliar os sintomas de corrimento e obstrução nasal.

Quando há falha no tratamento clínico, recorre-se a cirurgia de seios paranasais, que levam a melhora significativa na vida do paciente, ainda que possa ser apenas transitória.

O tratamento da rinossinusite fúngica crônica consiste na remoção cirúrgica, por meio da endoscopia, dos micetomas (bola fúngica).

Conclusão 

A sinusite crônica é uma condição inflamatória dos seios paranasais que ocorre por variações anatômicas que obstruem os óstios e impedem a drenagem sinusal.

Ou ainda, pode ser causada infecções recorrentes de fungos (no caso de pessoas imunocomprometidas) ou bactérias.

Seus sintomas podem durar de meses a anos, e afetam o dia a dia dos indivíduos. Ademais, o seu tratamento é desafiador e mesmo com métodos cirúrgicos, infelizmente a recorrência da doença é comum.

Leia mais:

FONTES:

  • Manual de Medicina Interna Harrison 20ª edição
  • Patologia Robbins 10ª edição
  • Manual MSD nariz e seios paranasais

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