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Artrite: O Que É, Sintomas, Como Diagnosticar e Tratar

A artrite é um processo inflamatório que pode atingir uma ou mais articulações do corpo. Ela afeta, principalmente, idosos a partir dos 65 anos.

De maneira geral, ela causa dores, rigidez e edemas nas articulações, e seu tratamento vai muito além dos remédios, envolvendo a fisioterapia, e em alguns casos, a cirurgia para colocação de prótese.

As áreas mais afetadas são os joelhos e os quadris, que podem se desgastar por causa de esforços repetitivos ou da idade avançada.

É sabido que existem mais de 100 tipos, e o que mais chama atenção é a artrite reumatóide.

Uma doença autoimune que promove uma lesão articular progressiva. No Brasil estima-se que 2 milhões de pessoas convivam com a enfermidade.

O que é artrite?

O que é artrite

A artrite é uma inflamação nas articulações, tais como cotovelos, ombros, tornozelos e joelhos. 

Assim, além das dores intensas as lesões articulares provocam, dentre outras coisas, dores intensas e rigidez articular.

Quais os principais sintomas da artrite?

Os principais sintomas de artrite são:

  • Dor nas articulações;
  • Rigidez articular, sobretudo durante a manhã;
  • Limitações dos movimentos articulares;
  • Inchaço;
  • Vermelhidão;
  • Calor ao redor da articulação atingida;
  • Perda de peso;
  • Febre;
  • Lesões cutâneas;
  • Dor muscular.

Quais as principais causas?

A causa mais comum da afecção é o desgaste natural, mas ela também tem como fatores de risco o excesso de peso, o uso exagerado da articulação em questão e traumatismos diretos ou indiretos.

O fator genético e o acometimento por fungos, bactérias ou vírus – que infectam as articulações por meio da corrente sanguínea – também podem causar a inflamação.

Nesse último caso, se o tratamento para reverter o processo inflamatório não for feito rápido, a articulação pode ser completamente destruída, resultando em perda da função.

Outros fatores de risco são: idade avançada, e trabalhos, exercícios ou esportes que exijam esforço repetitivo.

Quais os tipos?

Existem mais de 100 tipos de inflamação na articulação e cada uma possui suas particularidades. Aqui nós listamos as principais delas.

Artrite séptica

Conhecida também como artrite infecciosa, é uma monoartrite (geralmente grande) crônica ou aguda, a depender do agente etiológico.

O principal são as bactérias, mas também pode ser causada por fungos ou vírus, identificados através da cultura do líquido sinovial.

Sendo ele determinante para o diagnóstico, apresenta aspecto purulento, com predomínio de neutrófilos. Em alguns casos, a cultura do tecido sinovial torna-se fundamental.

Ela é responsável por causar sintomas como: febre, emagrecimento, lesões cutâneas e dores musculares, e as articulações mais atingidas são a do joelho e do quadril.

Mesmo sem saber o agente causador, a administração de antibióticos convencionais sempre será a primeira escolha. Se a infecção permanecer, pode estar sendo causada por fungos ou micobactérias.

Devendo o paciente ser tratado com antifúngicos ou por um conjunto específico de antibióticos, respectivamente.

O acúmulo de pus pode danificar a articulação e dificultar a cura, dessa maneira, para que isso não aconteça, o pus deve ser removido.

A fisioterapia também é necessária, para fortalecer a musculatura, restabelecer os movimentos e evitar dor.

Artrite gotosa (gota)

Monoartrite aguda mais predominante em homens, é uma das artrites inflamatórias mais comuns. Ela decorre da hiperuricemia crônica, com depósito de urato de sódio nas articulações e outros tecidos (subcutâneo, rins etc.)

As extremidades inferiores são as principais atingidas, sobretudo o hálux. As crises são intermitentes, tendo duração de 7 a 15 dias e, posteriormente, um longo período assintomático (remissão).

Esse tipo é considerado um dos mais dolorosos. Assim, além da dor, a região atingida fica inchada e avermelhada.

O líquido sinovial também é importante para o diagnóstico, pois apresentará características inflamatórias (10 mil a 60 mil leucócitos/ mm3), e mostrará a presença de cristais de urato de sódio.

O tratamento é realizado para aliviar os sintomas e cuidar dos fatores desencadeadores da enfermidade.

Dessa maneira, envolve não apenas medicamentos, como também mudanças no estilo de vida, como o não consumo de alimentos ricos em purina: feijão, amendoim e abacaxi, por exemplo.

Artrite reumatóide

Considerada uma doença inflamatória poliarticular é caracterizada pela inflamação das pequenas articulações como as das mãos, punhos, pés e tornozelos.

Esse processo inflamatório, na maioria das vezes, é crônico, bilateral, simétrico e fixo, causando deformidades articulares como dedo em pescoço de cisne e em botoeira, e desvio ulnar.

Dedos em botoeira e pescoço de cisne


Fonte: MDSmanuals

Quatro dados clínicos são imprescindíveis para determinar a doença: inflamação fixa e bilateral, de três ou mais articulações e a persistência da rigidez matinal.

No entanto, como alguns casos são mono ou oligoarticulares, pode ser que o paciente não tenha critérios suficientes para fechar o diagnóstico.

O exame laboratorial mais específico para diagnosticar a doença é o Fator Reumatóide, positivo em cerca de 70% dos pacientes. Além disso, essa afecção precisa ter a duração de mais de seis semanas.

As opções terapêuticas dependem do estágio, da gravidade e atividade da doença, sendo os anti-inflamatórios a base para o tratamento.

Os corticóides são utilizados para a fase aguda e algumas outras drogas, como os imunossupressores, são capazes de mudar o curso do problema. E mais, os agentes biológicos também são uma opção.

O tratamento cirúrgico também pode ser utilizado, em alguns casos. Ademais, a fisioterapia e a terapia ocupacional auxiliam na qualidade de vida dos pacientes.

Artrite psoriática

Este é um exemplo de um processo inflamatório oligoarticular, sendo ela decorrente da psoríase. Uma pequena parte dos indivíduos com essa doença de pele pode desenvolver um comprometimento articular, após as lesões cutâneas.

Em alguns casos, a artropatia se manifesta antes das lesões, dificultando o diagnóstico de psoríase.  Nesse tipo de inflamação das articulações as manifestações clínicas são:

  • Dor na região lombar;
  • Inflamação dos tendões: tendinite de Aquiles (por trás do calcanhar) e fascite plantar (sola do pé);
  • Alterações nas unhas: podem ocorrer hemorragias, espessamento ou destruição completa das unhas (onicólise).

Por ser uma doença crônica, existe uma alternância entre as recidivas e os períodos de remissão.

O diagnóstico é fundamentalmente clínico, mas podem ser solicitados exames laboratoriais para excluir a artrite reumatóide.

Assim como podem ser solicitados exames de imagem para saber a extensão das lesões presentes nas articulações.

Espondilite anquilosante

A espondilite anquilosante é responsável por acometer as vértebras da coluna e as grandes articulações, a exemplo dos quadris e dos ombros.

Algumas pessoas acabam desenvolvendo esta enfermidade em decorrência da artrite psoriática.

Ela é caracterizada por uma dor na coluna que surge de maneira lenta ou insidiosa ao longo de algumas semanas, e vem acompanhada da rigidez muscular, que melhora com o passar do dia.

Essa dor persiste por mais de 3 meses, piora com o repouso, mas melhora com exercício. Para mais, alguns pacientes apresentam outros sintomas: perda de apetite e peso, sentem-se cansados e podem ter anemia.

Os objetivos do tratamento são aliviar os sintomas e mitigar os riscos de deformidade. Para isso, pode ser montado um esquema terapêutico com anti-inflamatórios não-esteroidais, analgésicos e relaxantes musculares.

Caso seja necessária a substituição da articulação do quadril, o tratamento deve ser cirúrgico.

Como fazer o diagnóstico?

Para realizar o diagnóstico da doença, se faz necessário além da anamnese, o exame físico e exames complementares de imagem e laboratoriais, a depender de qual tipo o médico esteja suspeitando.

Anamnese

Deve-se identificar quais os sinais e sintomas característicos da doença, quanto tempo duram e quais fatores influenciam (exercício, descanso, esforço); se houve algum trauma articular recente ou se foi realizada alguma cirurgia na articulação.

E mais, saber se existem afecções coexistentes como a doença de Crohn, espondilite anquilosante e psoríase também se faz necessário, sobretudo porque permitem determinar o tipo de artrite.  

Sendo assim, se as manifestações clínicas duram entre 4 e 6 semanas, a doença é considerada crônica. Já se permanecerem para além deste período, é classificada como aguda.

Além disso, é preciso identificar quantas articulações estão envolvidas, a fim de definir se é monoarticular, oligoarticular (duas ou quatro) ou poliarticular (mais do que 4) e se elas são pequenas ou grandes; se o processo inflamatório é simétrico ou não, ou se é aditivo ou migratório.

Exame físico

Aqui é preciso examinar as articulações dolorosas e compará-las ao lado não doloroso e fazer o exame de movimento passivo e ativo, observando a intensidade da dor e as limitações do paciente, mais durante a extensão do que a flexão.

A palpação articular e a observação da diferença de temperatura, vermelhidão, presença de nódulos e inchaço também deve ser feita.

Tudo isso para identificar se realmente é a enfermidade ou se é somente um quadro de dor articular. Ou ainda se é articular ou periarticular.

Vale salientar que muitos dos indivíduos também apresentam manifestações sistêmicas, como febre, mialgia, pleurite e pericardite. Por isso, a história clínica dele e o exame físico permite indicar qual o tipo do problema.

Quais exames devem ser realizados?

Em geral, o diagnóstico da enfermidade é clínico, mas o médico pode solicitar um raio-x para visualizar o inchaço e a deformidade na articulação.

Assim como também podem ser pedidos uma tomografia computadorizada e uma ressonância magnética.

Ademais, em determinados casos, para determinar qual a classificação da doença, são solicitados os seguintes exames:

  • Fator reumatoide: para identificar se é artrite reumatoide;
  • Punção do líquido sinovial da articulação afetada: para artrite séptica; e
  • Avaliação dos olhos pelo oftalmologista: para determinar se é artrite juvenil.

Caso não seja identificada nenhuma alteração no hemograma comum, o diagnóstico pode ser de osteoartrite, uma vez que essa é uma das suas características.

Quais os possíveis tratamentos?

Quais os possíveis tratamentos

De maneira geral, o tratamento tem o objetivo de aliviar os sintomas, impedir a progressão da afecção, impedir e diminuir a incapacidade gerada pelas lesões articulares, visando tornar a articulação atingida funcional novamente.  

Assim, o tratamento envolve remédios, cirurgias, fisioterapia e tratamentos naturais. Veja a seguir.

Remédios

O uso de anti-inflamatórios e analgésicos é bastante indicado. Então, a depender do quadro clínico pode ser indicado: paracetamol ou ibuprofeno.

Ou ainda, pomadas contendo cetoprofeno, felbinaco e piroxicam. O tratamento medicamentoso também pode ser feito com sulfato de glucosamina ou cloroquina.

O uso do corticoide, normalmente, é indicado quando os medicamentos supracitados são insuficientes. Devendo ele ser injetado a cada 6 meses ou uma vez por ano.

Especificamente para impedir a progressão da enfermidade podem ser utilizados medicamentos como Infliximabe, Retuximabe, Azatioprina ou Ciclosporina, por exemplo.

Fisioterapia

O acompanhamento fisioterápico é essencial, pois ele auxilia na diminuição da inflamação.

Assim, além de fortalecer a musculatura e favorecer a mobilidade diminuindo a rigidez, ele ajuda a diminuir as dores, contribuindo para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Para isso, utilizam-se recursos anti-inflamatórios e analgésicos, bem como, exercícios de alongamento e de mobilização articular para evitar novas deformidades e preservar o funcionamento da articulação.

Cirurgia

O tratamento cirúrgico é indicado como último recurso. Por isso só deve ser solicitado quando a articulação estiver bastante desgastada e não houver mais nenhum outro recurso possível.

Ele consiste na substituição do local afetado por uma prótese, geralmente, quadril e joelho.

Dúvidas Frequentes (Guia Rápido)

Artrite e artrose são a mesma doença?

A artrose é um tipo de artrite. Ela promove o desgaste da cartilagem, com isso, passa a haver um atrito entre as articulações.

Já a artrite em si, causa a inflamação das articulações, seja ela decorrente de algum trauma, infecção ou do envelhecimento.

Artrite tem cura?

A doença não tem cura, mas o tratamento é voltado para oferecer uma melhor qualidade de vida ao paciente, para impedir a sua progressão, aliviar os sintomas e diminuir ou impedir a incapacidade dos movimentos articulares.

Conclusão

As artrites são caracterizadas de várias maneiras: mono, oligo ou poliarticulares, agudas ou crônicas, simétricas ou não, mas o que todos elas têm em comum é a dor e o edema que causam.

A anamnese, o exame físico e os exames complementares são essenciais para estabelecer o diagnóstico, assim como ajudam a discernir e definir de qual tipo se trata, para que o paciente seja tratado o mais rápido possível.

Isso porque, a demora no tratamento pode resultar num prognóstico ruim, levando a incapacidade do portador da doença. Dessa maneira, estar atento aos sinais e sintomas é fundamental.

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