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Publicado em
28/6/22

Tendinite: entenda o que é, diagnóstico e tratamento

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A tendinite é um quadro inflamatório comum, no qual ocorre acometimento do tendão.  A  inflamação é caracterizada por dor, inchaço e, muitas vezes, pode se tornar incapacitante.

Pode acometer diversas partes do corpo, sendo mais comum no ombro, pulso, joelho e tornozelo.

Estima-se que cerca de 19,7% das pessoas possuam algum tipo de tendinite, o que reforça a necessidade de ações interventoras de saúde.

Nesse post iremos entender o que é esse quadro inflamatório, seus tipos e sintomas, como diagnosticar e tratar!

Definição

A tendinite é o termo que se dá para a inflamação do tendão, desencadeada normalmente por lesões de repetição.

Os tendões são estruturas fibrosas cobertas por bainhas sinoviais que ligam os músculos aos ossos. Eles têm capacidade de movimentação, o que permite o movimento corporal.

Porém, são estruturas que, com o passar do tempo, podem se desgastar. Se lesionados, os tendões podem sofrer encurtamento ou estiramento, o que pode causar limitação do movimento e uma sintomatologia característica e incapacitante.

A principal causa deste quadro inflamatório são as atividades repetitivas, pois causam uma sobrecarga na articulação.

Lesões agudas também podem ser a causa, inclusive com rompimento completo do tendão.

Alguns outros fatores também influenciam, como diversidades anatômicas, menor vascularização local e desgaste natural do envelhecimento.

Geralmente, ocorre em pessoas entre 40 e 50 anos de idade.

Anatomia do tendão e tendinite (Tendinite de De Quervain). Fonte: Clínica da Mão https://www.clinicadamao.pt/tendinite-da-base-do-polegar/ 
Anatomia do tendão e tendinite (Tendinite de De Quervain). Fonte: Clínica da Mão

Quais os sintomas?

Se apresenta com dor na região afetada, principalmente ao movimentar, limitação de movimento e incapacidade funcional, que vai depender do estágio e extensão da lesão.

Pode ainda aparecer edema na região, indicando extravasamento de líquido. Alguns casos podem ter dor a palpação da articulação e estalos também.

Se houver o desenvolvimento de fibrose, além da dor e inchaço, pode aparecer rubor, crepitação e diminuição da força

Se houver ruptura completa do tendão - que costuma acontecer apenas em estágios mais avançados - não ocorre a sustentação dos membros.

Quais são os tipos e como diagnosticar?

Existem diferentes tipos de tendinite, que variam de acordo com o local acometido. Algumas das principais são: síndrome do manguito rotador, epicondilite lateral, tenossinovite de DeQuervain, tendinite patelar e síndrome da banda iliotibial.

Síndrome do manguito rotador

A síndrome do manguito rotador é a inflamação da região do manguito, que acomete os tendões localizados entre o úmero e o acrômio da escápula, no ombro. 

Diagnóstico 

Para a suspeita de síndrome do manguito rotador, pode-se realizar o teste de Neer. Esse teste se caracteriza pela elevação passiva do membro superior até sua amplitude máxima. 

Se o paciente sentir dor na região durante a extensão, aplica-se 8 a 10 ml de lidocaína no espaço subacromial. Se a dor sumir por completo ao realizar o mesmo movimento após a aplicação do anestésico, o teste é positivo e forte indicativo de síndrome do manguito rotador.

Teste de Neer. Fonte: Livros Digitais
Teste de Neer. Fonte: Livros Digitais

Pode-se fazer, ainda, o teste de Hawkins-Kennedy. Nele, o profissional apoia uma mão no ombro do paciente e a outra realiza rotação interna do braço com cotovelo em flexão de 90°. Dor na região é indicativo da síndrome.

Teste de Hawkins-Kennedy. Fonte: Blog Pilates 
Teste de Hawkins-Kennedy. Fonte: Blog Pilates 

A radiografia indicada é a de ombro, geralmente em AP. Ela pode mostrar algumas alterações, como lesões, aproximação dos ossos e calcificações.

Radiografia com alteração encontrada na síndrome do manguito rotador, devido retração do tendão. Fonte: Dr. Rafael Patrocínio https://www.rafaelpatrocinio.com.br/doencas-do-ombro/artropatia-manguito-rotador 
Radiografia com alteração encontrada na síndrome do manguito rotador, devido retração do tendão. Fonte: Dr. Rafael Patrocínio

A ressonância magnética é um exame complementar de boa acurácia, mostrando desde alterações iniciais até a ruptura do tendão e alterações ósseas, porém menos disponíveis que a radiografia.

Ressonância mostrando lesão do tendão supraespinhal. Fonte: Ortopedia e ombro https://ortopediaeombro.com.br/lesao-do-manguito-rotador/
Ressonância mostrando lesão do tendão supraespinhal. Fonte: Ortopedia e ombro  

Epicondilite lateral 

A epicondilite é a inflamação nos tendões do cotovelo, causando grande acometimento dos músculos do punho e mãos. 

Pode ser medial, quando acomete tendões mediais, ou lateral, quando acomete tendões laterais. A lateral é a mais comum e, por ser responsável pela extensão do punho, limita o movimento nessa região.

A inflamação também é conhecida como cotovelo do tenista, por ser comum nesses atletas devido ao movimento repetitivo dessa articulação.

Diagnóstico

O teste de Cozen pode contribuir para o diagnóstico da epicondilite lateral. Ele se caracteriza pela realização da extensão do punho, com antebraço em flexão de 90º e cotovelo em pronação. Se o indivíduo relatar dor na região, o teste é positivo.

Teste de Cozen. Fonte: Ortopedia Online 
Teste de Cozen. Fonte: Ortopedia Online 

Outro possível teste é o teste de Mill. Nele, o paciente com a mão aberta e punho em dorsiflexão e cotovelo em extensão. O examinador força o punho e o paciente deve resistir ao movimento. Se sentir dor, o teste é positivo.

Teste de Mill. Fonte: Ortopedia Online 
Teste de Mill. Fonte: Ortopedia Online 

Pode-se fazer também o teste do copo de café (dor na região ao levantar xícara de café), o teste da cadeira (dor na região ao levantar cadeira com uma mão, estando o antebraço em pronação e punho em flexão palmar) e o Teste de Maudsley (dor na região à extensão do dedo médio contra resistência).

Exames de imagem são pouco utilizados, mas podem ajudar no diagnóstico diferencial, que inclui fraturas, artrose e doenças reumatológicas.

Tenossinovite de DeQuervain

A tenossinovite de DeQuervain é o processo inflamatório da bainha do tendão do músculo abdutor longo do polegar e do músculo extensor do polegar.

É mais comum em mulheres, sobretudo gestantes e puérperas.

Diagnóstico

Um teste possível para diagnóstico é o teste de Finkelstein, que consiste no desvio ulnar do punho e flexão do polegar. Se o paciente sentir dor na região, é indicativo de tenossinovite de DeQuervain.

Teste de Finkelstein. Fonte: CampCursos https://campcursos.com.br/teste-de-finkelstein/ 
Teste de Finkelstein. Fonte: CampCursos

Tendinite patelar (Joelho do saltador)

Esta é a inflamação do tendão patelar, na região do joelho. Ela ocorre mais em homens de 20 e 30 anos, com altura elevada e obesidade, devido à sobrecarga sob a patela. 

É chamada também de joelho do saltador devido grande incidência em atletas de salto.

Diagnóstico

Existem dois testes que podem contribuir para o diagnóstico: teste para joelho do saltador e teste da gaveta anterior.

No teste para joelho de saltador, o examinador impõe resistência na extensão da perna do paciente, o que causa dor no joelho ou no quadril.

No teste da gaveta anterior, o paciente em decúbito dorsal e com joelho fletido em 90° e pés apoiados na maca, o examinador puxa para frente as pernas apoiando-se na panturrilha do paciente. O teste é positivo se houver movimento excessivo da tíbia em relação ao fêmur.

Teste da gaveta. Fonte: Vivafisio https://www.vivafisio.pt/teste-da-gaveta-anterior/
Teste da gaveta. Fonte: Vivafisio

Assim como na epicondilite lateral, os exames de imagem são poucos utilizados, mas podem ajudar no diagnóstico diferencial.

Tendinite de Aquiles

A tendinite de Aquiles é a inflamação do tendão de Aquiles, o tendão que conecta os músculos posteriores da perna ao osso calcâneo.

Fatores de risco como uso de salto alto, esporões ósseos, obesidade e diabetes podem contribuir para o quadro.

Diagnóstico

Exames de imagem podem mostrar calcificação no tendão e até espessamento.

RNM mostrando calcificação do tendão de Aquiles. Fonte: Dr. Rodrigo Macedo https://drrodrigomacedo.com.br/2022/04/16/tendinites-do-tendao-de-aquiles/
RNM mostrando calcificação do tendão de Aquiles. Fonte: Dr. Rodrigo Macedo

Banda iliotibial 

A síndrome da banda iliotibial é a tendinite da banda iliotibial, um tendão que se estende pela região lateral da coxa e joelhos.

É muito comum em corredores, sendo por isso chamada também de tendinite do corredor.

Além de lesões por repetição, diferença entre o comprimento das pernas, fraqueza e má flexibilidade também podem contribuir para o quadro.

Tratamentos

Existem opções de tratamentos conservadores, tanto medicamentosos como não medicamentosos, e, para casos mais graves, de tratamento cirúrgico.

Conservador

É necessário diminuir ou evitar realização dos movimentos que propiciem tal lesão e repouso

Além disso, existem opções não medicamentosas: crioterapia (gelo), acupuntura, fisioterapia, alongamento e uso de órteses.

As órteses funcionais podem ser indicadas para melhora da dor e funcionalidade. Indica-se usar por cerca de 15 dias. 

Tratamento medicamentoso

Como tratamento medicamentoso pode-se utilizar analgésicos simples, relaxantes musculares e anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs).

Os analgésicos simples normalmente são usados para dor aguda. Utiliza-se Dipirona de 1g ou Paracetamol de 750mg, de 6/6h.

Os relaxantes musculares são usados se houver dor muscular associada. O mais utilizado é a Ciclobenzaprina, de 5 a 10 mg, 1 a 2 vezes/dia.

Os AINEs são usados para dor e inflamação. Pode-se usar: Celecoxibe 400mg/dia, Naproxeno 500mg/dia e Nimesulida 200mg/dia, por 14 dias.

Cirúrgico

A cirurgia é uma opção terapêutica para casos mais graves, devendo ser sempre acompanhada de fisioterapia.

Pode ser feita por via aberta ou artroscopia. Na artroscopia, é feito reparo de cápsula articular lesada ou estruturas ósseas desgastadas e remoção de calcificação. Pode ainda fazer raspagem óssea e correção de rupturas agudas.

Como prevenir?

Para prevenção da tendinite é indicado alongamentos, exercícios físicos regulares com acompanhamento profissional e evitar ficar na mesma posição.

O uso de cadeiras confortáveis e outros equipamentos que protejam os tendões, além do controle do diabetes e da obesidade também são indicados.

Conclusão

A tendinite é uma condição comum na prática médica, que pode chegar a ser bastante incapacitante e que vem aumentando a prevalência com os anos.

É importante conhecer as principais articulações acometidas, como diagnosticar e os tratamentos disponíveis. Além disso, é muito importante a prevenção e orientação.

Leia mais:

FONTE:

Ortopedia e Traumatologia: Princípios e prática. 5ª edição.

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