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Publicado em
13/12/21

O Que É Asma, Quais Seus Sintomas, Tipos, Causas e Possíveis Tratamentos!

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A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais comuns no mundo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), ela acomete cerca de 300 milhões de pessoas.

Sendo considerada a terceira ou quarta causa de internamentos no SUS. Ainda segundo a SBPT, o DATASUS mostra que são em média 350.000 internações por ano.

No Brasil, estima-se que existam 20 milhões de pessoas diagnosticadas com asma. A doença possui fatores de risco como exposição a poeira, fatores genéticos e até mesmo a obesidade.

Pode acometer pessoas das mais variadas faixas etárias, mas a maioria dos diagnósticos é feito na infância, sendo mais observada no sexo masculino. É comum que a afecção se manifeste em membros de uma mesma família.

Vale salientar que ela não tem cura, mas com o tratamento adequado os sintomas são atenuados e podem até desaparecer com o tempo.

Diante disso, fique sabendo por meio deste texto quais os sintomas, as causas, o diagnóstico, os tratamentos daasma e muito mais, para prestar o atendimento mais adequado ao seu paciente.

O que é asma?

O que é asma

A asma é uma doença crônica pulmonar que acomete as vias respiratórias, provocando o estreitamento dos brônquios e uma inflamação difusa das vias aéreas, fazendo-as produzir muco em excesso.

Esses fatores dificultam a passagem de ar provocando contrações ou broncoespasmos. Assim, para os asmáticos a expiração é mais difícil do que a inspiração, já que ao expirar o ar viciado fica preso nos pulmões.

Quais os sintomas da asma?

Os sinais e sintomas da asma são inespecíficos e reversíveis quando tratados no período adequado. Sendo eles desencadeados por um ou mais fatores associados.

A doença afeta o organismo como um todo, não apenas as vias respiratórias, assim, o asmático apresenta tosse seca frequente e prolongada, normalmente a noite.

Esse pode ser o único sintoma apresentado pelo paciente. Também é possível que ele apresente chiado e opressão no peito, com dispneia, cansaço, desconforto torácico e respiração rápida e curta.

A manifestação deles pode ocorrer isoladamente ou em conjunto e em ritmo circadiano, piorando durante à noite ou nas primeiras horas da manhã, frequentemente em torno das 4 da manhã.

Sibilos, pulso paradoxal (queda de pressão arterial sistólica > 10 mmHg durante a inspiração), taquicardia e taquipneia são alguns dos sinais da asma.

Os sibilos podem ocorrer somente na expiração ou em ambas as fases, entretanto, quando a broncoconstrição for grave ele pode ser inaudível.

Alguns pacientes com a forma grave da doença desenvolvem despertares noturnos (asma noturna).

Um outro sinal possível é o tórax em barril, provocado pela alteração da parede torácica do paciente com asma descontrolada, causada pela hiperinsuflação dos pulmões.

Os sinais e sintomas desaparecem entre as exacerbações, embora ainda sejam auscultados sibilos leves em pacientes assintomáticos durante a expiração forçada, em repouso ou após esforço.

Quais são as causas da asma?

Os fatores responsáveis por desencadear ou agravar a asma são muitos e estão divididos em duas categorias: ambientais e genéticas.

Fatores ambientais

Exposição a certos alérgenos como à poeira, aos ácaros e fungos, fumaça de cigarro, perfumes e produtos de limpeza podem ser um gatilho para a asma.

Assim como os pelos de animais e o exercício físico, principalmente se realizado em ambientes frios ou secos. Inclusive, o ar frio por si só é um fator desencadeador dos sintomas.

Emoções como a ansiedade, raiva e agitação em alguns pacientes também podem servir como gatilho.

Existem também fatores infecciosos. Assim, em crianças pequenas as manifestações da doença podem ocorrer devido a infecções causadas pelo rinovírus, pelo vírus sincicial respiratório (VSR) ou pelo vírus para influenza.

Em crianças maiores e em adultos as infecções do trato respiratório superior, principalmente as causadas pelo rinovírus, e a pneumonia são as causas mais comuns.

Ademais, a doença do refluxo gastroesofágico também pode ser um gatilho para a asma em alguns pacientes.

Isso porque pode haver uma broncoconstrição reversa induzida pelo ácido esofágico ou pela microaspiração do ácido. 

Fatores genéticos

Como fatores genéticos temos o histórico familiar de asma ou rinite e obesidade, já que pessoas com essa condição têm mais facilidade de desenvolver processos inflamatórios.

Além disso, são descritos pela literatura mais de 100 genes susceptibilidade à asma. Acredita-se que muitos deles pertencem à categoria de células T-helper tipo 2 (TH2), que podem contribuir para as inflamações.

Alguns deles são: os genes que codificam determinadas interleucinas (IL), como por exemplo a IL-4 e a IL-13 e os genes responsáveis pela imunidade inata (HLA-DBR1, HLA-DBQ1, CD14).

Além do gene que codifica a cadeia beta do receptor de IgE com alta afinidade, o FCER1B; e os genes que participam da inflamação celular.

A asma também pode estar relacionada com a alimentação com baixo teor de  vitamina E de vitamina C e de ácidos graxos ômega 3.

Fatores perinatais como: baixa idade materna, nutrição materna precária, prematuridade, baixo peso ao nascer e ausência de aleitamento materno podem ser uma das causas desta doença crônica.

Quais os tipos de asma?

Asma Alérgica

É um tipo de asma desencadeada ou piorada por fatores alérgicos (poeira, pelos de animais, cheiros fortes, fumaça de cigarro), que, geralmente, tem início na infância.

Ela corresponde a maioria dos casos em crianças, representando 90%. Já nos adultos também é o principal tipo, mas a porcentagem é menor, equivalente a 60% dos casos.

Asma não Alérgica

Ela acomete alguns adultos e não está associada com a alergia. O perfil celular da expectoração pode ser neutrofílico, eosinofílico ou conter algumas células inflamatórias.

Asma de início tardio

A doença se manifesta pela primeira vez na vida adulta e tende a não ser alérgica. Geralmente os pacientes são resistentes aos corticoesteróides.

Asma com limitação do fluxo de ar

Os indivíduos que têm asma há muito tempo desenvolvem limitação do fluxo de ar, por causa da remodelação da parede das vias aéreas.

Asma com obesidade

Alguns pacientes obesos com asma apresentam importantes sintomas respiratórios e pouca inflamação eosinofílica das vias aéreas.

Quais as possíveis complicações da asma?

Como a asma desencadeia várias manifestações que atingem muito além das vias aéreas, ela pode gerar algumas complicações. As principais delas são:

  • Insônia
  • Tosse persistente
  • Capacidade reduzida de fazer exercício físico ou outras atividades que exijam esforço
  • Alterações permanentes no funcionamento dos pulmões
  • Intensa dificuldade para respirar, a ponto de precisar de ventilação mecânica
  • Internamento por ataques severos de asma
  • Efeitos colaterais de medicações utilizadas para controle da doença
  • Morte

Como fazer o diagnóstico da asma?

O diagnóstico da asma é clínico, feito por meio da avaliação clínica (história e exame físico) e confirmado por meio de exames complementares.

Assim, é observado se há uma ou mais das principais manifestações clínicas: dispneia, tosse crônica, sibilância, aperto no peito ou desconforto torácico, nas primeiras horas da manhã ou à noite e realizada a auscultação pulmonar.

E mais, também se verifica se os sintomas são episódicos e se há melhora espontânea ou pelo uso de medicações específicas para asma.

Os exames complementares podem ser os testes de função pulmonar como a espirometria, os testes de broncoprovocação e o pico de fluxo expiratório (PFE), realizados para confirmar e quantificar a gravidade e a reversibilidade da obstrução das vias respiratórias.

Os testes de alergia também podem ser utilizados para diagnóstico da asma alérgica. Em crianças até 4 anos o diagnóstico é proeminentemente clínico devido à dificuldade em realizar os testes de função pulmonar.

Outros exames como radiografia do tórax, exames de sangue e tomografia computadorizada são utilizados para fazer diagnóstico diferencial.

Isso porque é muito importante fazer a exclusão de outros possíveis diagnósticos. Assim deve ser excluída a possibilidade de insuficiência cardíaca, câncer de pulmão, aspergilose broncopulmonar alérgica, disfunção das cordas vocais e bronquioectasia.

E ainda, de embolia pulmonar, fibrose cística, discinesia laríngea, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), anel vascular, bronquiolites e apneia obstrutiva do sono.

Qual a classificação de gravidade da asma?

A gravidade da asma é estabelecida com base na necessidade de um esquema terapêutico para controle dos sintomas e do risco de exacerbações.

Sendo o primeiro avaliado ao longo de 2 a 4 semanas e o segundo deve ser avaliado ao longo do último ano.

Ela é melhor classificada antes do início da terapia de controle, na primeira consulta. Sendo assim a sua classificação pode ser:

Asma leve

É bem controlada com fármacos de primeira linha, seja apenas com medicamento de alívio ou com tratamento de controle de baixa intensidade, como por exemplo com baixas doses de corticoides inalatórios.

Asma moderada

A doença é bem controlada apenas com uma terapêutica intermediária (corticoides inalatórios em baixas doses e beta 2-agonista de longa duração).

Asma grave

É um termo relativo à intensidade dos sintomas, a magnitude da limitação do fluxo de ar ou a natureza de uma exacerbação.

São classificados assim os pacientes com asma refratária e que não fazem o devido tratamento para comorbidades.

O tratamento é feito com altas doses de corticoides inalatórios e beta 2-agonista de longa duração.

Quais os tratamentos possíveis para asma?

Quais os tratamentos possíveis para asma

O tratamento para asma visa diminuir a incapacidade do paciente, de tal forma a prevenir as exacerbações e os sintomas crônicos e reduzir a necessidade do internamento ou da ida à emergência.

E mais, também tem como objetivo a manutenção da função pulmonar basal (normal) e dos níveis de atividade.

Tratamento não Medicamentoso

  • O controle de agentes desencadeadores da asma através do uso de travesseiro de fibra sintética e colchão com revestimento impermeável
  • Evitar cheiros fortes, temperaturas frias e fumaça
  • Lavar regularmente lençóis, fronhas e mantas com água quente
  • Remover móveis estofados, bichos de pelúcia, tapetes e cortinas, para reduzir a quantidade de ácaros
  • Evitar contato com animais domésticos, para reduzir a quantidade de pelo animal
  • Usar desumidificadores em ambientes úmidos e pouco arejados, para evitar o bolor
  • Limitar o contato com pessoas que estejam com doenças infecciosas virais do trato respiratório superior

Tratamento Medicamentoso

ETAPAS DO TRATAMENTO MEDICAMENTOSO
Etapa 1 TRATAMENTO PREFERENCIAL: Dose baixa de CI + FORM de resgate
OUTRAS OPÇÕES: CI + SABA de resgate, dose baixa de CI sempre que usar SABA
Etapa 2 TRATAMENTO PREFERENCIAL: CI dose baixa diária + SABA de resgate ou dose baixa de CI + FORM de resgate
Etapa 3 TRATAMENTO PREFERENCIAL: CI dose baixa + LABA dose fixa + SABA de resgate ou CI dobe baixa + FORM de manuntenção e resgate
OUTRAS OPÇÕES: dode média de CI + SABa de resgate
Etapa 4 TRATAMENTO PREFERENCIAL: CI dosae média + LABA dose fixa + SABA de resgate ou CI dose média + FORM de manutenhção + CI dose baixa + FORM de resgate
OUTRAS OPÇÕES: CI + SABA de resgate, dose baixa de CI sempre que usar SABA
Etapa 5 TRATAMENTO PREFERENCIAL: CI dose alta + LABA
Fenotipar: anti-IgE, caso de asma alérgica grave: associar omalizumabe
Caso de asma eosinofílica grave em adultos: associar mepolizumabe
OUTRAS OPÇÕES: adicionar CO em dose baixa

CI: corticoide inalatório; SABA: broncodilatador ß2–agonista de curta duração; FORM: formoterol; LABA: broncodilatador ß2–agonista de longa duração; Anti-IgE: anti-imunoglobulina E, CO; corticosteroide oral. Fonte: protocolos e diretrizes terapêutica da asma – CONITEC, 2021

Beta 2-agonistas

São utilizados para diminuir a broncoconstrição aguda e para prevenir a broncoconstrição por esforço.

Sendo divididos em fármacos de curta duração, de longa duração e de ação ultra prolongada.

Beta 2-agonistas de curta duração

Albuterol

É sobretudo um fármaco de resgate, não sendo recomendado para o tratamento de manutenção. A terapia deve ser feita com um inalador com dose medida ou por meio da nebulização.

Ademais, se precisar ser usado constantemente significa dizer que não está mais controlando a asma e será preciso adicionar um outro medicamento a terapêutica.

Levalbuterol

É o isômero R do albuterol. A dosagem dele é menor que a do albuterol, por isso, pode apresentar menos efeitos adversos.

Beta 2-agonistas de ação prolongada

São utilizados para asma moderada e grave, e não podem ser utilizados como monoterapia, pois aumentam o risco de morte relacionada.

Eles são responsáveis por diminuir a dosagem de corticoides, já que agem muito bem juntamente com os corticóides inalados.

São utilizados o arformoterol, formoterol e salmeterol. Esse último possui um tempo de ação de 12 horas e atua muito bem na asma noturna, com uma dose por noite. Além disso, não é administrado para o alívio dos sintomas.

Beta 2-agonistas de ação ultra prolongada

Assim como os beta 2-agonistas de ação prolongada, são usados para de asma moderada a grave e, também, não devem ser utilizados como monoterapia e atuam bem juntamente com corticóides inalatórios.

No entanto, diferentemente deles, os beta 2-agonistas de ação ultra prolongada permanecem ativos por 24 horas.

O tratamento pode ser feito com o indacaterol, olodaterol e vilanterol, seja por meio do inalador dosimetrado ou com pó seco, ou pelo inalador de névoa suave.

Além disso, quando falamos apenas do salmeterol, formoterol e vilanterol eles só devem ser utilizados quando a asma ainda não foi controlada adequadamente com outros tratamentos.

Corticoides

Os corticoides podem ser administrados via oral, intravenosa ou inalatória. Dentre outras coisas, são responsáveis por inibir a inflamação das vias respiratórias.  

Nas agudizações da asma o seu uso precoce elimina a exacerbação, diminui a necessidade de hospitalização, previne a recidiva e acelera a recuperação.

No entanto, os corticoides inalatórios não agem na agudização, mas são indicados para suprimir, controlar e reverter a inflamação e os sintomas.

Imunomoduladores

Benralizumabe

É indicado como complemento ao tratamento de manutenção da asma grave em pacientes acima de 12 anos de idade que têm asma eosinofílica.

Ele diminui a frequência das crises. A dose recomendada é 30 mg por via subcutânea, a cada 4 semanas para 3 doses, e então a cada 8 semanas.

Dupilumabe

É indicado para o tratamento de manutenção complementar de indivíduos maiores de 12 anos com asma de moderada a grave.

A dose recomendada é de 400 mg por via subcutânea 1 vez e a seguir, 200 mg a cada 2 semanas. Ou ainda, 600 mg por via subcutânea 1 vez e a seguir 300 mg a cada 2 semanas.

Mepolizumabe

Ele é responsável por diminuir a frequência das exacerbações e os sintomas da asma. A sua dose indicada é de 100 mg por via subcutânea uma vez a cada 4 semanas.

Omalizumabe

O omalizumabe é indicado para pacientes com asma alérgica grave que apresentam níveis elevados de IgE.

A dosagem do fármaco deve se basear no peso corporal e nos níveis de IgE, mas gira em torno de 150 a 375 mg e deve ser aplicada a cada 2 ou 4 semanas.

Reslizumabe

A sua dosagem é de 3 mg/kg por via intravenosa 1 vez a cada 4 semanas.

Para a asma induzida por exercício deve ser usado de maneira profilática um broncodilatador de ação rápida antes da atividade física e quando necessário, antes e durante (inalador de resgate).

Caso sintomas provocados pelo exercício não respondam aos inaladores de resgate, deve-se iniciar o tratamento de resgate.

Conclusão

A asma é uma doença respiratória crônica multifatorial e a sua classificação de gravidade depende justamente dos sintomas que os gatilhos causam e da adaptação ao tratamento.

Tratamento esse que pode ser feito com corticoide inalatório, anti-imunoglobulina E, broncodilatador ß2–agonista de curta duração e de longa duração, formoterol e corticosteróide oral.

Além disso, se a crise asmática for intensa e não for realizada a terapêutica correta, a asma pode causar a morte do paciente. No entanto, o falecimento em decorrência dela é algo raro.

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