Estudo

Vacina contra o HIV tem 97% de eficácia comprovada na fase 1 de testes

A erradicação do HIV (vírus da imunodeficiência humana) está cada vez mais próxima. Estudo de fase 1, divulgado no dia 3 de abril, apresentou resultados animadores sobre a vacina contra o HIV. Isso porque ela foi capaz de estimular o organismo a produzir células específicas do sistema imunológico. O imunizante está sendo desenvolvido pela organização sem fins lucrativos Iniciativa Internacional da Vacina da AIDS (IAVI), em parceria com o Instituto Scripps Research, nos Estados Unidos.

Anticorpos amplamente neutralizantes (bnABS) são capazes de anular por completo a ação do HIV no organismo. Foto: SciePro/Shutterstock

O vírus da imunodeficiência humana ao invadir o organismo entra nas células de defesa, libera o seu material genético e assim consegue se multiplicar. Por isso, a estratégia utilizada na pesquisa foi o direcionamento de linha germinativa. Para aplicá-la, a primeira fase do estudo contou com a participação de 48 voluntários, que foram divididos em dois grupos: um recebeu duas doses da vacina e outro, duas doses do placebo.

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A estratégia consiste em estimular os linfócitos B a secretar os raros anticorpos amplamente neutralizantes (bnABS). Essas proteínas conseguem se ligar a regiões específicas, de difícil acesso da cápsula do vírus e desativar a sua ação. Vale salientar que esses pontos específicos geralmente são comuns, ou seja, não variam muito de cepa para cepa. 

Com isso, os anticorpos amplamente neutralizantes são capazes de atacar as mais diferentes variações do patógeno. Diante disso, os pesquisadores conseguiram superar um dos maiores desafios para o desenvolvimento dessa vacina, que era ativar a produção dos bnABS.

A eficácia do composto contra o vírus foi de 97% e não houve nenhum problema relativo à segurança dele. Os participantes precisarão ser acompanhados pelos próximos 12 meses. Além do mais, esse tipo de abordagem também pode ser utilizada para desenvolver vacinas contra outros patógenos: malária, vírus da hepatite C, Zika, dengue e gripe.

Estratégia que se utiliza do RNA mensageiro pode acelerar o processo de produção de um imunizante contra o HIV

As próximas fases serão decisivas para determinar a segurança e eficácia da vacina contra o HIV, sobretudo a fase 3. No entanto, a IAVI e o Instituto Scripps Research pretendem desenvolver um composto semelhante contra o vírus, mas baseado no RNA mensageiro.

Para isso, já firmaram parceria com a empresa de biotecnologia Moderna, fabricante da vacina contra o coronavírus. O RNA mensageiro é capaz de codificar e criar anticorpos contra o vírus. Dessa maneira, o uso dessa tecnologia pode acelerar o desenvolvimento do produto contra o HIV.

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