Estudo

Fotoimunoterapia: uma nova esperança para o combate ao HIV

A infecção causada pelo HIV é passível de tratamento. Sendo assim, um estudo ‘in vitro’ apontou resultados positivos para a fotoimunoterapia (FIT) no combate ao agente infeccioso. O trabalho foi realizado pelo Instituto de Física de São Carlos (IFCC), da Universidade de São Paulo.

A terapêutica utiliza a combinação da fototerapia com a imunoterapia. Para tal, os cientistas desenvolveram um anticorpo fotossensível. Ele tem a capacidade de se ligar ao patógeno e as células infectadas circulantes no sangue, destruindo-os por meio de uma frequência luminosa específica.

Como as células de defesa expressam as proteínas do envelope do vírus em suas membranas, a FIT ataca diretamente esse conjunto de aminoácidos. Isso porque, fotossensibilizadores estão ligados ao anticorpo, que são capazes de se ligar e destruir essas proteínas específicas. Por causa disso, apenas células infectadas e o HIV são os alvos.

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Os pesquisadores utilizaram as moléculas fotossensibilizadoras em duas abordagens diferentes. Na primeira estratégia elas ficaram dentro da imunoglobulina, protegidas da ação do ambiente. Na outra estratégia, elas ficaram na parte externa, para que fosse possível controlar a quantidade de moléculas ligadas ao anticorpo fotossensível.

Análises ‘in vitro’ mostram que moléculas fotossensibilizadoras ligadas a imunoglobulinas são capazes de destruir as células infectadas pelo HIV e o vírus livre circulante. Foto: Reprodução/Unplash
Análises ‘in vitro’ mostram que moléculas fotossensibilizadoras ligadas a imunoglobulinas são capazes de destruir as células infectadas pelo HIV e o vírus livre circulante. Foto: Reprodução/Unplash

Desse modo, o estudo mostrou que, os anticorpos que contêm os fotossensibilizadores ligados à sua estrutura (fotoimunoconjugados) resultam na morte das cepas virais.

Isso porque, a partir do momento no qual se ligam a membrana, provocam danos físicos ao envelope do patógeno por oxigênio singleto (forma mais reativa). Vale salientar que, esse elemento químico é independente do tipo de fotossensibilizador utilizado.

Diante disso, os autores acreditam que este pode ser um tratamento complementar à terapia antirretroviral. Já que, além de matar as células doentes e o HIV livre de células, ele, possivelmente, é menos tóxico. Além do mais, pode tornar o controle do micro-organismo mais eficaz.‍

Tratamento com fotossensibilizadores ligados a anticorpos ‘in vivo’

Se os mesmos resultados observados ‘in vitro’, forem constatados ‘in vivo’, a FIT associada aos antirretrovirais pode diminuir a dose e a quantidade de medicamentos. Sendo também possível que haja a diminuição da toxicidade destes fármacos a longo prazo.

Ainda existem algumas lacunas no trabalho a serem resolvidas, de acordo com o coordenador da pesquisa, Francisco Guimarães, ouvido pelo UOL. Dessa maneira, “deve-se solucionar a presença persistente do vírus, potencialmente em tecidos com baixa penetração dos retrovirais”, diz ele.

E ainda, “eliminar a replicação residual do vírus em células infectadas adormecidas, na forma latente. Devemos demonstrar que a fotoimunoterapia tem acesso a esses tecidos e reservatórios”, completa. Segundo Francisco, essas etapas farão parte do estudo em animais e humanos.

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