Estudo
Publicado em
24/6/21

Tricomoníase: do quadro clínico ao diagnóstico

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A tricomoníase é uma doença infecciosa causada pelo protozoário flagelado unicelular Trichomonas vaginalis. Sendo mais frequente em mulheres, visto que nos homens a maioria dos casos é assintomático. Ademais, os seres humanos são o seu único hospedeiro, e sua transmissão ocorre através da relação sexual desprotegida.

Quadro clínico

O quadro clínico característico é o corrimento vaginal intenso, normalmente amarelo-esverdeado, principal motivo de consulta das mulheres infectadas. Entretanto, o corrimento também pode ser bolhoso e espumoso, acompanhado de odor fétido que lembra um “peixe cru”. 

O prurido pode estar presente, normalmente, ocorrendo devido a uma reação alérgica à infecção pelo protozoário. Nesse caso, quando a inflamação é intensa, pode provocar sinusiorragia (sangramento vaginal após relação sexual) e dispareunia (dor durante a relação sexual). 

E ainda, edema vulvar e disúria também podem estar presentes. No exame especular, pode ser possível visualizar microulcerações no colo uterino, caracterizando o “colo em framboesa” ou “colo em morango”.

Exame especular, evidenciando o “colo em framboesa” ou “colo em morango”. Fonte: WHO (https://screening.iarc.fr/atlascolpodiag_detail.php?Id=AAHA&FinalDiag=29)
Exame especular, evidenciando o “colo em framboesa” ou “colo em morango”. Fonte: WHO

O teste de Schiller, realizado com a aplicação de solução de iodo no colo uterino, pode ter aspecto “tigróide”. Além disso, devido aos transudatos inflamatórios, há uma elevação do pH vaginal, facilitando a proliferação de bactérias patogênicas. Por isso, pode-se estabelecer, concomitantemente a tricomoníase, a vaginose bacteriana.

Colo “tigróide” após coloração de Schiller. Perceba que os pontos “alaranjados” não foram corados pela solução de iodo. Fonte: WHO (https://screening.iarc.fr/colpochap.php?lang=4&chap=9.php)
Colo “tigróide” após coloração de Schiller. Perceba que os pontos “alaranjados” não foram corados pela solução de iodo. Fonte: WHO

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Diagnóstico

O diagnóstico é baseado na história clínica do paciente e nos achados do exame especular. Entretanto, o exame a fresco, quando disponível, é um recurso muito útil para o diagnóstico da tricomoníase. Nele, é possível observar o parasita no microscópio movimentando-se e grande número de leucócitos. Além disso, o pH quase sempre é maior do que 5 e o teste das aminas (aplicação de KOH no muco cervical) é positivo.

Microscopia a fresco, evidenciando a presença de Trichomonas. Fonte: Edisciplinas USP (https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/5383410/mod_resource/content/1/Parasita%20trato%20genital_%20Irene%20Soares%20%5BFCF-USP%5D.pdf)
Microscopia a fresco, evidenciando a presença de Trichomonas. Fonte: Edisciplinas USP

A tricomoníase raramente cursa com maiores complicações. Contudo, pode facilitar o surgimento da Doença Inflamatória Pélvica (DIP) e, como citado anteriormente, a vaginose bacteriana (VB). Em gestantes, também pode provocar uma ruptura prematura das membranas.

Tratamento

A droga de primeira escolha para tratar a tricomoníase é o metronidazol, com 5 comprimidos de 400mg em dose única. Assim, a dose total é de 2g. Para mais, os parceiros sexuais devem ser rastreados e tratados, evitando-se o consumo de álcool e suspendendo-se as relações sexuais durante o tratamento. 

Em gestantes, a terapêutica de escolha é a mesma citada acima. Nelas, o antimicrobiano é fundamental para evitar complicações na mulher e doenças respiratórias e genitais no recém-nascido. 

Por vezes, não é possível fazer o diagnóstico diferencial entre a tricomoníase e a vaginose bacteriana. Nesses casos, opta-se pelo esquema terapêutico com metronidazol, 250mg em dois comprimidos, via oral, por 7 dias. Assim, ambas as doenças serão tratadas.

Fonte: 

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas para atenção integral às pessoas com infecções sexualmente transmissíveis (IST). Brasília, DF, 2020

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