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Residência em Psiquiatria: Áreas de Atuação, Rotina e Mercado de Trabalho

Dentro das três grandes áreas de conhecimento – ciências humanas, exatas e biológicas – a medicina é classificada como uma ciência biológica.

Se você está pensando em cursar residência em Psiquiatria, saiba que, dentro da medicina, esta é a subespecialidade que mais se aproxima de uma ciência humana.

Por quê? Porque ela lida com as questões mais subjetivas do comportamento humano. Como em qualquer outra especialidade, a função de um médico psiquiatra é diagnosticar e tratar (e/ou curar) doenças. 

Mas as patologias psiquiátricas costumam envolver um lado humano que as outras especialidades não envolvem.

Nunca se falou tanto e tão abertamente a respeito de saúde mental quanto se fala hoje. O estigma que as doenças psiquiátricas carregavam no passado começou a se dissolver lentamente ao longo do fim do século XX e início do atual. Felizmente, esse processo não parou.

E nem poderia: a depressão é considerada a grande doença da modernidade. Esta e outras doenças relacionadas à saúde mental têm tido aumento recente de incidência e prevalência sem precedentes na História.

Abaixo, falaremos um pouco mais a respeito da rota para o médico que pretende cursar residência em Psiquiatria, seu dia a dia, seu perfil profissional, suas áreas de atuação e seu mercado de trabalho.

Como é a residência em Psiquiatria?

Como é a Residência em Psiquiatria

A residência em Psiquiatria tem acesso direto e duração de três anos. Há subespecializações que podem estendê-la – tais como Psiquiatria Geriátrica, Psiquiatria da Infância e Adolescência, Psiquiatria Forense, entre outras.

Durante os três anos de residência, o médico trabalhará fazendo rotações em diversos locais: ambulatórios, enfermarias, interconsultas hospitalares, emergências psiquiátricas e CAPS (Centros de Atenção Psicossocial).

Nesses locais, o residente em Psiquiatria acompanhará várias áreas de atenção da Psiquiatria clínica e da psicopatologia, passando, entre outros, por ambulatórios de: 

  • dependência química, 
  • psiquiatria social, 
  • psicoses, 
  • psiquiatria geriátrica, 
  • transtornos alimentares, 
  • violência sexual, 
  • psiquiatria da infância e da adolescência, 
  • psicoterapia, 
  • psicoterapia de grupo.

 A variedade de áreas que a residência cobre pode depender da instituição que o médico escolheu para se especializar.

Algumas dão mais atenção a certos transtornos e são conhecidas como centros de referência para estes.

Em que áreas um psiquiatra pode atuar?

Um médico pode terminar os três anos de residência em Psiquiatria e não fazer uma subespecialização; trabalhar em emergências hospitalares, enfermarias e ambulatórios. 

Também pode abrir o próprio consultório caso crie uma clientela razoável. Se quiser, ainda, pode focar no atendimento de doenças psiquiátricas específicas, como por exemplo a dependência química.

Atualmente, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) reconhece 5 subespecializações dentro da Psiquiatria, sendo elas:

Psiquiatria Geriátrica

É a área da Psiquiatria voltada para o atendimento da população idosa, que tem em comum determinados distúrbios psiquiátricos – são exemplos: 

  • demências, 
  • declínios cognitivos variados, 
  • depressão no idoso, 
  • psicose de início tardio, 
  • degeneração lobar fronto-temporal, 
  • doenças de Parkinson e Alzheimer, 
  • declínio cognitivo vascular. 

O psiquiatra geriátrico focará no diagnóstico, tratamento e acompanhamento de idosos portadores destes e de outros distúrbios.

Psiquiatria Forense

O psiquiatra forense é responsável por perícias psiquiátricas. Ele deve conhecer as leis de importância no âmbito da Psiquiatria forense (civil, criminal etc.) e as implicações de uma conclusão pericial. 

O profissional elabora laudos aos órgãos que os requisitam e discute resultados periciais.

Medicina do Sono

Relativamente nova, a área que compreende a Medicina do Sono não é uma subespecialização exclusiva para psiquiatras – pode ser cursada por neurologistas, por exemplo – e foca, como seu nome indica, no tratamento de doenças relacionadas ao sono. 

O sono está relacionado a diversos processos metabólicos essenciais para a saúde e bem-estar da população, e atualmente há mais de 100 transtornos listados na Classificação Internacional de Distúrbios do Sono. Essa área foca no diagnóstico e tratamento destas doenças.

Psiquiatria da Infância e da Adolescência

O psiquiatra da infância e da adolescência, tal qual o psiquiatra geriátrico, foca no atendimento de uma população específica e no diagnóstico e tratamento de doenças em comum presentes nela. 

Transtornos do espectro autista, TDAH, transtornos relacionados à aprendizagem, transtornos alimentares etc.; tanto quanto a diferenciação e acompanhamento da criança/adolescente normal, com suas características e peculiaridades.

Psicoterapia

O psiquiatra psicoterapeuta age num âmbito teórico-clínico que o possibilita oferecer terapia – como aquela que um psicólogo oferece – das mais variadas formas ao paciente psiquiátrico. 

Ele age, aqui, como um duplo profissional. Como o psiquiatra, que pode diagnosticar e tratar medicamentosamente um transtorno mental, e como o psicoterapeuta, que oferece terapia – sendo a forma mais comum a TCC (terapia cognitivo-comportamental).

O que é preciso para ser um psiquiatra?

O que é preciso para ser um psiquiatra?

Para ser um psiquiatra, você precisa cursar seis anos de medicina e (no mínimo) três anos de residência em Psiquiatria. Essa é a formação oficial.

Não oficialmente falando, para ser um psiquiatra você precisa desenvolver suas habilidades de comunicação como nenhum outro médico precisa.

Durante a maior parte do tempo você estará conversando com seus pacientes. Ouvindo, interpretando o que está sendo dito e tentando extrair sentido daquilo para fazer um bom diagnóstico e oferecer um bom tratamento. 

Paciência, empatia, compaixão e sensibilidade são características essenciais a um psiquiatra. Boa observação também, já que a comunicação não verbal é sempre uma importante parte do atendimento. 

Como é o mercado de trabalho para quem faz residência em Psiquiatria?

Como discutimos na introdução, a discussão pública sobre saúde mental anda em alta. Assim, a procura por especialistas da área – psiquiatras, psicólogos, psicanalistas – vêm seguindo a tendência e aumentando.

A OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), em folheto informativo recente, divulgou a estimativa de que cerca de 300 milhões de pessoas sofram de depressão em todo o mundo – e esta é apenas uma dentre as centenas de doenças psiquiátricas catalogadas pelo DSM.

Segundo o site Salário, a média salarial de um psiquiatra é de R$ 7.078,61 por uma jornada de 20 horas semanais. Como já comentamos em outros textos, essa média costuma ser bem mais alta na prática, já que é muito raro que um médico trabalhe em apenas um local. 

Quanto ganha um residente de Psiquiatria?

Um residente de Psiquiatria ganha o mesmo que todos os outros residentes no Brasil, a bolsa de R$ 3.330,43 mensais ofertada pelo Governo Federal.

Como se preparar para passar na residência em Psiquiatria?

Assista à nossa live sobre como organizar seus estudos para se tornar um residente em 2022:

Conclusão

A residência em Psiquiatria hoje é uma das mais concorridas nas grandes instituições, ficando sempre entre as primeiras dez.

Já foi diferente no passado, mas, conforme a sociedade foi se abrindo à discussão sobre saúde mental – que já foi um tabu no passado –, mais pacientes passaram a procurar psiquiatras.

Na outra ponta, muitos médicos que já se interessavam pela área também eram afetados por esse estigma, e acabavam seguindo outros rumos. Hoje, felizmente, isso está mudado.

Assim a concorrência pela área, que já não é pequena, aumenta a cada ano. Mas se você sente que a Psiquiatria é para você, mergulhe a fundo nos estudos.

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