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31/1/22

TDAH: Tratamento, Sintomas, Sinais e Possíveis Causas

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O Que É TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade)?

O Que É TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade)

Segundo a Associação Brasileira Do Déficit de Atenção, o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a vida. 

Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade e também pode ser chamado de DDA (Distúrbio do Déficit de Atenção), ou em inglês de ADD, ADHD ou AD/HD.

Reconhecido oficialmente por vários países e pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em alguns países, como nos Estados Unidos, portadores de TDAH são protegidos pela lei quanto a receberem tratamento diferenciado na escola.

Mas, quais os sintomas, como funciona o diagnóstico e como é o tratamento desse transtorno? 

Não é uma receita de bolo, mas você aprenderá um pouco mais sobre o tema ao longo deste artigo.

Quais os Sintomas do TDAH?

Desatenção

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade gera uma desatenção natural no indivíduo. Por isso, eles têm determinada dificuldade em se concentrar em uma conversa até coisas mais rotineiras como estudos, trabalho. 

Hiperatividade-impulsividade

O transtorno aparece já na infância, e em geral se associa a dificuldades na escola e no relacionamento com demais crianças, pais e professores. 

As crianças são tidas como “avoadas”, “vivendo no mundo da lua” e geralmente “estabanadas” e com “bicho carpinteiro” ou “ligados por um motor” (isto é, não param quietas por muito tempo). 

Crianças e adolescentes com TDAH podem apresentar mais problemas de comportamento, como por exemplo, dificuldades com regras e limites.

Em adultos, ocorrem problemas de desatenção para coisas do cotidiano e do trabalho, bem como com a memória. São inquietos, vivem mudando de uma coisa para outra e também são impulsivos. 

Eles têm dificuldade em avaliar seu próprio comportamento e quanto isto afeta os demais à sua volta. 

São frequentemente considerados “egoístas” e têm uma grande frequência de outros problemas associados, tais como o uso de drogas e álcool, ansiedade e depressão.

Quais São as Causas da TDAH?

Existem diversos estudos em todo o mundo – inclusive no Brasil – demonstrando que a prevalência do TDAH é semelhante em diferentes regiões, o que indica que o transtorno não é secundário a fatores culturais ou conflitos psicológicos. 

Estudos científicos mostram que portadores desse transtorno têm alterações na região frontal e as suas conexões com o resto do cérebro. 

A região frontal orbital é uma das mais desenvolvidas no ser humano em comparação com outras espécies e é responsável pela inibição do comportamento, pela capacidade de prestar atenção, memória, autocontrole, organização e planejamento.

O que parece estar alterado nesta região cerebral é o funcionamento de um sistema de substâncias químicas chamadas neurotransmissores (principalmente dopamina e noradrenalina), que passam informação entre as células nervosas (neurônios).

Existem causas que foram investigadas para estas alterações nos neurotransmissores da região frontal e suas conexões.

A) Hereditariedade

Os genes parecem ser responsáveis não pelo transtorno em si, mas por uma predisposição ao TDAH

A participação de genes foi suspeitada, inicialmente, a partir de observações de que nas famílias de portadores de TDAH a presença de parentes também afetados com a doença era mais frequente do que nas famílias que não tinham crianças com esse transtorno. 

A prevalência da doença entre os parentes das crianças afetadas é cerca de 2 a 10 vezes mais do que na população em geral (isto é chamado de recorrência familial).

Porém, como em qualquer transtorno do comportamento, a maior ocorrência dentro da família pode ser devido a influências ambientais, como, se a criança aprendesse a se comportar de um modo “desatento” ou “hiperativo” simplesmente por ver seus pais, o que excluiria o papel de genes. 

Foi preciso, então, comprovar que a recorrência familial era de fato devida a uma predisposição genética, e não somente ao ambiente.

Outros tipos de estudos genéticos foram fundamentais para se ter certeza da participação de genes: os estudos com gêmeos e com adotados.

Nos estudos com adotados comparam-se pais biológicos e pais adotivos de crianças afetadas, verificando se há diferença na presença do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade entre os dois grupos de pais. 

Eles mostraram que os pais biológicos têm 3 vezes mais TDAH que os pais adotivos.

B) Substâncias ingeridas na gravidez

Tem-se observado que a nicotina e o álcool quando ingeridos durante a gravidez podem causar alterações em algumas partes do cérebro do bebê, incluindo a região frontal orbital. 

Pesquisas indicam que mães alcoolistas têm mais chance de terem filhos com problemas de hiperatividade e desatenção. 

C) Sofrimento fetal

Alguns estudos mostram que mulheres que tiveram problemas no parto que acabaram causando sofrimento fetal tinham mais chance de terem filhos com TDAH. 

A relação de causa não é clara. Talvez mães com o transtorno possam estar mais predispostas a problemas na gravidez e no parto. 

D) Exposição a chumbo

Crianças muito pequenas que sofreram intoxicação por chumbo podem apresentar sintomas semelhantes aos do TDAH

Todavia, não há necessidade de se realizar qualquer exame de sangue para medir o chumbo numa criança com transtorno, já que isto é raro e pode ser identificado pelo histórico clínico.

E) Problemas Familiares

Algumas teorias sugerem que problemas familiares (discórdia conjugal, baixa instrução da mãe, famílias com apenas um dos pais, funcionamento familiar caótico e nível socioeconômico mais baixo) poderiam ser a causa do TDAH nas crianças

Contudo, estudos recentes têm refutado esta ideia. Problemas familiares podem agravar um quadro de TDAH, mas não causá-lo.

F) Outras Causas

Outros fatores já foram levantados e posteriormente abandonados como causa do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade:

  1. corante amarelo;
  2. aspartame;
  3. luz artificial;
  4. deficiência hormonal (principalmente da tireóide);
  5. deficiências vitamínicas na dieta.

Todas estas possíveis causas foram investigadas cientificamente e foram desacreditadas.

Como Fazer o Diagnóstico de TDAH?

Ao contrário do que se imagina no senso comum, de que existe um “teste” diagnóstico para o TDAH, isso não é verdade. 

Assim como qualquer outro transtorno mental, salvo raríssimas exceções, o diagnóstico do TDAH é clínico, realizado por entrevista com o paciente e seus familiares, com foco em suas queixas atuais e pregressas, curso clínico, prejuízo funcional e diagnósticos de exclusão.

Qual idade para diagnosticar TDAH?

Em 2011, a Academia Americana de Pediatria atualizou a diretriz sobre TDAH para incluir recomendações para o diagnóstico e tratamento de crianças em idade pré-escolar (idade de 4 e 5 anos). 

O que significa que quanto mais cedo o diagnóstico for feito, quanto antes o tratamento se iniciará e o indivíduo com a TDAH terá mais qualidade de vida. 

Muitas vezes, o diagnóstico é dado tardiamente, pois tanto professores e pais tendem a encarar a hiperatividade como característica de uma criança normalmente rebelde. 

No caso da desatenção, tal apatia do pequeno com a realização de tarefas pode ser confundida como preguiça e até timidez. Por isso é importante investigar.

TDAH e Tratamento: Quais os Possíveis?

Possíveis tratamentos para TDAH

O Tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade deve ser multimodal, ou seja, uma combinação de medicamentos, orientação aos pais e professores, além de técnicas que são ensinadas ao portador. 

A medicação, na maioria dos casos, faz parte do tratamento.

Tratamento Com Medicamentos

O TDAH pode ser tratado por meio de remédios que auxiliam no controle dos efeitos do transtorno. 

Esses medicamentos são responsáveis por diminuir os principais sintomas, como a impulsividade e a desatenção.

Veja abaixo a relação de todos eles:

  • Psicoestimulantes, como Metilfenidato (Ritalina), são a primeira escolha para o tratamento.
  • Antipsicóticos: Tioridazina ou Risperidona, por exemplo, são úteis apenas em casos específicos para controle do comportamento, especialmente quando há retardo mental.
  • Antidepressivos: Imipramina, Nortriptilina, Atomoxetina, Desipramina ou Bupropiona.

Tratamento Com Psicoterapia

O tratamento, nesse caso, conta com a presença de profissionais imprescindíveis na condução das intervenções, com destaque para os psicólogos e psiquiatras

Esses especialistas costumam utilizar a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

Essa terapia é responsável por reforçar mudanças de comportamentos e estimular hábitos mais saudáveis. 

Isso faz com que o paciente encontre formas de lidar com determinadas situações de forma mais segura, incluindo sua relação com familiares até ao ambiente escolar e profissional. 

Opções Naturais

Existem também alternativas a serem utilizadas no dia a dia:

  • Técnicas de relaxamento e meditação, através do yoga, acupuntura e shiatsu, por exemplo, pois ajudam a controlar os sintomas de agitação e melhorar a concentração. 
  • Manutenção de um ambiente de casa organizado, com regras que facilitem o desenvolvimento das tarefas e melhoram a concentração.
  • Estímulo à prática de atividades físicas é essencial para diminuir a hiperatividade, pois ajuda a gastar energia e relaxar. 
  • Uma alimentação mais saudável, evitando-se alimentos ricos em corantes, conservantes, açúcares e gordura, que podem piorar a impulsividade.  

Qual o tratamento para TDAH em crianças?

O TDAH em crianças é uma condição comum com morbidade substancial que é muitas vezes gerenciada na atenção primária e frequentemente tratada com medicamentos.

Para o tratamento, a diretriz especifica que para crianças em idade pré-escolar, os médicos devem priorizar o tratamento com terapias comportamentais. Em caso de falha e se as crianças continuarem com problemas que influenciam na sua rotina pode-se prescrever metilfenidato.O que acontece se não tratar o TDAH?

Assim como qualquer transtorno ou adoecimento que exige tratamento, existem alguns riscos para o indivíduo que tem TDAH e não procura o tratamento ou não é instruído para realizá-lo.

Para crianças, podem ocorrer fatores como performance insuficiente na escola, problemas na vida social, abuso de substâncias, acidentes de carro, chance reduzida de prosseguir os estudos até a universidade. 

No caso dos adultos, a falta de tratamento também afeta o trabalho e a renda, a satisfação no casamento e a chance de divórcio.

Dúvidas frequentes (Guia rápido)

Como é uma pessoa com TDAH?

Tanto em adultos, quanto em crianças os sintomas de TDAH são muito evidentes. 

A pessoa costuma emitir opiniões muito baseadas na sua vivência, sem considerar os outros indivíduos e geralmente demonstram sinais de hiperatividade, inquietude e desatenção. 

Como tratar TDAH tipo desatento?

O tratamento do TDAH do tipo desatento deve ser multimodal e inclui orientação, tratamento psicoterápico e uso de psicofármacos. 

Quais os riscos que uma pessoa com TDAH pode vir a correr?

Performance insuficiente na escola, problemas na vida social, abuso de substâncias, acidentes de carro, chance reduzida de prosseguir os estudos até a universidade, afetando o trabalho e a renda, a satisfação no casamento e a chance de divórcio.

Quais são os três tipos de TDAH?

De acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5ª edição (DSM-5), há 3 tipos:

  • Desatenção predominante;
  • Hiperatividade/impulsividade predominante;
  • Combinado.

Conclusão

Conclui-se então, que o transtorno de déficit de atenção com hiperatividade (TDAH) deve ser tratado com o devido acompanhamento clínico e familiar. 

É importante entender as necessidades da pessoa acometida com essa transtorno e acolhê-la com suas particularidades para ajudá-la em seu processo de evolução durante o tratamento. 

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