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Publicado em
16/12/21

Você sabe diagnosticar e tratar a dermatite atópica?

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A dermatite atópica (DA) ou eczema atópico é a dermatose mais frequente da infância, de caráter crônico, recidivante e de início precoce

Há um aumento recente dos casos de DA devido ao aumento da poluição, infecções e exposição à alérgenos. Sendo a prevalência dessa no Brasil de 8,2% em crianças entre 6 e 7 anos, e de 5% em adolescentes.

Assim, conhecer as características da dermatite atópica, bem como seu diagnóstico e tratamento é fundamental para o médico. Por isso, não perca mais um post para contribuir com a sua formação!

Qual é a fisiopatologia da dermatite atópica? 

A DA é caracterizada pela presença de anormalidades na barreira cutânea. Isso porque há um metabolismo anormal dos lipídios, provocando a xerodermia (pele seca). E mais, há também uma disfunção da imunidade cutânea, provocando ativação de linfócitos e, consequentemente, aumentando a produção de IgE.

Além disso, na dermatite atópica, ocorre também a alteração da microbiota cutânea, com colonização da S. aureus e Malassezia furfur. E por fim, pode ter uma influência psicossomática, através de alteração do sistema nervoso autônomo, aumentando a presença de mediadores de células inflamatórias, como eosinófilos e leucócitos.

Como é o quadro clínico do paciente com dermatite atópica?

É fundamental reconhecer o quadro desse paciente, porque o diagnóstico é clínico. Assim, durante a anamnese, deve-se perguntar história familiar de atopia, bem como fatores desencadeantes e alergopatias associadas. Ao exame físico, a localização das lesões costuma variar de acordo com a idade

Dermatite atópica no lactente

Lesões vesiculares com crostas pela face e, em menor grau, na região do tronco e membros superiores. Fonte: UpToDate
Lesões vesiculares com crostas pela face e, em menor grau, na região do tronco e membros superiores. Fonte: UpToDate

No lactente, são comuns lesões na face que poupam a região nasolabial. E mais, elas também podem acometer o couro cabeludo, tronco e região extensora dos membros.

Dermatite atópica no pré-púbere (2 a 10 anos)

Paciente com lesões hiperpigmentadas, com descamação e placas liquenificadas em paciente com DA. Fonte: UpToDate
Paciente com lesões hiperpigmentadas, com descamação e placas liquenificadas em paciente com DA. Fonte: UpToDate

Nessa faixa etária, predominam o eczema subagudo e o crônico. Assim, é comum encontrar a pele seca e áspera, bem como prurido nas pregas antecubitais e poplíteas, provocando a liquenificação (espessamento da pele) e o aparecimento de placas circunscritas.

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Dermatite atópica no paciente puberal

No paciente que já entrou na puberdade, é comum a presença de lesões liquenificadas, com localização na região flexora do braço, pescoço e pernas. Podendo haver acometimento isolado da face, dorso das mãos e pés, punhos e tornozelos.

Paciente com lesões da dermatite atópica no pescoço. Fonte: UpToDate
Paciente com lesões da dermatite atópica no pescoço. Fonte: UpToDate

Para mais, é fundamental reconhecer os fatores desencadeantes das crises. No paciente com DA, há pouca tolerância ao calor e ao clima seco, pois ambos cursam com a piora da xerose. E mais, apesar da exposição solar melhorar as lesões, o prurido piora com a sudorese.

Os antígenos alimentares têm papel controverso na DA. Entretanto, os principais alimentos que mais cursam com a agudização do quadro são o ovo, o leite de vaca, trigo, soja e amendoim

E mais, aeroalérgenos como ácaro e a poeira são os principais exacerbadores da doença. Por fim, 55% dos pacientes com eczema atópico apresentam o fator emocional como desencadeante da crise

Como fazer o diagnóstico da dermatite atópica?

Para estabelecer um diagnóstico é preciso que a queixa de prurido esteja presente nos últimos 12 meses. E mais, deve estar associado com pelo menos 3 dos critérios da tabela abaixo:

1- Pele seca ou história de xerose no último ano
2- História pessoal de rinite ou asma ou familiar de rinite, asma ou dermatite em menores de 4 anos
3- Idade de início precoce, em geral antes do segundo ano de vida
4- Presença de eczema com envolvimento das pregas cubital e poplítea e região anterior dos tornozelos, e nos menores de 4 anos, região malar e frontal e face extensora dos membros

Como tratar a dermatite atópica?

O tratamento da dermatite atópica é embasado em 4 pilares: a educação do paciente e dos familiares, a hidratação e higienização da pele, o controle dos fatores desencadeantes e o controle das crises.

Educação do paciente e dos familiares

É de fundamental importância informar a família sobre o caráter crônico e recidivante da doença, a fim de diminuir consultas desnecessárias com inúmeros especialistas em busca da cura. 

Além disso, a explicação dos fatores desencadeantes para que se possa diminuir a exposição da criança, também deve ser feita.

Hidratação e higienização da pele

A pele deve ser limpa com suavidade, para evitar irritações e remover bactérias. E assim, prevenir infecções secundárias. Para mais, deve-se hidratar a pele para evitar o ressecamento e, nos períodos de crise aguda, o hidratante deve ser utilizado junto à medicação tópica.

Controle dos fatores desencadeantes

É fundamental minimizar a exposição aos agravantes das crises. Sendo exemplos desses detergentes, alvejantes, sabões e amaciantes. Bem como cloro de piscina, fricção da pele e estresse. E mais, alérgenos ambientais como a fumaça de cigarro também podem desencadear a crise.

Controle das crises

O tratamento de primeira escolha para controle das crises é o corticosteróide tópico. Entretanto, para a face e pregas do corpo, os inibidores tópicos da calcineurina (ITC) são os mais indicados. 

Corticosteróides 

Os corticosteróides devem ser aplicados uma vez ao dia nas lesões cutâneas. Os medicamentos com baixa potência - como desonida, acetonido de fluocinolona - estão indicados para serem usados na face, períneo e para casos de dermatite leve

Já os corticosteróides de média potência (desoximetasona, acetonido de fluocinolona) estão indicados para dermatites moderadas.

Inibidores tópicos da calcineurina

Os ITC atuam inibindo seletivamente os canais de cálcio de linfócitos T e mastócitos. Assim, impedem a apresentação de antígenos e a produção de citocinas pró-inflamatórias, controlando a inflamação e o prurido. Devendo ser aplicados 2 vezes ao dia na lesão ativa, sempre associados ao hidratante.

Além disso, o tratamento pode ser feito de forma reativa e proativa.

Tratamento reativo

Tem como objetivo o controle do processo inflamatório. Assim, deve ser feito com o uso do medicamento apenas nas lesões e nos períodos de crise, por 7 a 10 dias. Ademais, é indicado para a maioria dos pacientes. Ou seja, para os que apresentam dermatite leve e de fácil controle.

Tratamento proativo

Já o tratamento proativo é feito após o tratamento reativo. Assim, a medicação é mantida, aplicando-se duas vezes na semana por até 3 meses. Sendo indicado para pacientes com dermatite moderada a grave.

Fontes:

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