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Publicado em
13/6/22

Varíola dos macacos: o que é, sintomas, tratamentos e prevenção

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A varíola dos macacos, também conhecida como Monkeypox, é uma doença zoonótica viral, que recebeu esse nome por ser causada por um vírus da mesma família da varíola clássica.

Foi descoberta em 1958 em macacos de laboratório, tendo seu primeiro caso em seres humanos em 1970 na República do Congo. 

É considerada uma doença endêmica nas regiões Central e Ocidental da África, porém, vem ganhando bastante relevância nos últimos meses pelo aumento dos casos em regiões não endêmicas.

Esse post irá abordar sobre esse novo surto, como identificar casos suspeitos, como tratar e como prevenir!

O que é varíola dos macacos?

Esse tipo de varíola é uma infecção viral transmitida por vírus da família Orthopoxvirus, a mesma do patógeno da varíola. 

Além disso, o quadro de ambas também é semelhante, sendo a varíola dos macacos menos grave e com menores taxas de mortalidade do que a varíola clássica.

Existem 2 tipos de vírus causadores da doença: o da África Ocidental e o da África Central.

O da África Ocidental é mais grave, com taxa de mortalidade podendo chegar a 10%, enquanto o da África Central tem taxa de mortalidade de 1%.

Apesar de ter sido descoberta em macacos, tem como principal reservatório os roedores.

Últimas atualizações

Segundo a OMS, já são mais de 27 países com casos confirmados, incluindo EUA, Austrália e Portugal. 

Casos de varíola dos macacos em países não endêmicos. Fonte: OMS https://www.who.int/emergencies/disease-outbreak-news/item/2022-DON385
Casos de varíola dos macacos em países não endêmicos. Fonte: OMS

A Organização Mundial de Saúde afirmou no último dia 5 de junho que já se tem a confirmação de 780 casos da doença em todo o mundo. Todos eles correspondentes a um período de 13 maio a 2 de junho. 

É preciso mencionar que este ano surgiram casos na Europa, EUA, Canadá e Austrália. Apesar de em 2008 e 2011 terem ocorrido casos também nessas regiões, eles haviam relação com viagens a regiões endêmicas. 

O que preocupa neste novo surto é que esses novos casos não parecem não ter relação com as regiões africanas, o que pode indicar uma possível transmissão comunitária do vírus.

Algumas hipóteses poderiam explicar esses novos casos: uma mutação viral que promove uma transmissão mais eficiente, uma diminuição na proteção gerada pela vacina contra varíola desde após a suspensão dos programas de vacinação há cerca de 40 anos e um nicho populacional novo ideal para a disseminação. 

No Brasil, o primeiro caso foi confirmado no último dia 9 de junho, em São Paulo. O paciente, um homem de 41 anos, tinha viajado recentemente para a Espanha.

Pouco depois, no dia 11 de junho, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo confirmou o segundo caso.

Trata-se de um homem de 29 anos, com histórico de viagens para a Espanha e Portugal. Ele manifestou os primeiros sintomas e lesões ainda na Europa. 

O estado ainda investiga um outro caso suspeito, uma mulher de 26 anos sem histórico de viagens para o exterior. 

De acordo com o Ministério da Saúde brasileiro, até o dia 8 de junho, estavam sendo investigados casos suspeitos no Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Rondônia e Santa Catarina. 

Quais os sintomas?

O quadro da varíola dos macacos, no geral, costuma ser leve e autolimitado, regredindo naturalmente em 3 semanas. Tem um período de incubação que pode variar de 5 a 21 dias.

Os sintomas incluem: febre, dor no corpo, fadiga, cefaleia, linfadenopatia e erupção cutânea.

O quadro costuma iniciar com a febre, dor no corpo e cansaço que, de 1 a 3 dias, acompanha o surgimento de manchas vermelhas (rash) que se iniciam nas mucosas

Esse rash na mucosa costuma virar rash macular de distribuição centrípeta na pele, acometendo inclusive palmas e solas. 

Manifestação cutânea da varíola dos macacos. Fonte: Express UK https://www.express.co.uk/life-style/health/1016792/monkeypox-what-is-it-virus-contagious-outbreak-uk 
Manifestação cutânea da varíola dos macacos. Fonte: Express UK

Dois dias após o surgimento desse rash macular, formam-se pápulas que duram também dois dias. Em seguida, essas pápulas sofrem umbilicação central e formam vesículas

Depois de dois dias, essas vesículas evoluem para pústulas que costumam durar de 5 a 7 dias. Após as pústulas, elas tornam-se crostas que cicatrizam e caem naturalmente.

Essas lesões de pele parecem bastante com as lesões da catapora e da sífilis.

Evolução da lesão de pele da varíola dos macacos. A) Vesícula inicial. B) Pústula. C) Pústula umbilicada. D) Lesão ulcerada. E) Crosta. F) Lesão em processo de cicatrização.  Fonte: NBC News https://www.nbcnews.com/health/health-news/monkeypox-virus-may-spreading-undetected-years-europe-rcna31504
Evolução da lesão de pele da varíola dos macacos. A) Vesícula inicial. B) Pústula. C) Pústula umbilicada. D) Lesão ulcerada. E) Crosta. F) Lesão em processo de cicatrização.  Fonte: NBC News

Como ocorre a transmissão?

A transmissão dessa infecção ocorre por contato próximo com pessoas infectadas, principalmente com a pele e fluidos ou objetos contaminados. 

Além disso, pode-se também adquirir a doença por contato próximo com animais infectados.

Prevenção

Para prevenção, a OMS preconiza isolamento de contato dos pacientes infectados, um bom cuidado com higiene e ainda, o uso de máscaras PFF2.

Alguns países estão realizando vacinação para varíola clássica em pessoas com contato próximo a infectados e populações de risco, já que a vacina tem proteção de 85% para varíola dos macacos.

A população de risco inclui: recém-nascidos, crianças, grávidas e imunodeprimidos. 

 Durante a gravidez ela pode levar a complicações, varíola congênita ou morte do bebê.

Não se pode, porém, imunizar toda a população mundial devido à escassez de vacina, já que a varíola clássica é uma doença já erradicada.

Como funciona o diagnóstico?

O diagnóstico é feito a partir da suspeita clínica, com confirmação por meio de exames laboratoriais, como PCR e ELISA, que ainda são exames pouco disponíveis.

Como é o tratamento de varíola dos macacos?

Por ser uma doença, em geral, leve, os pacientes se recuperam em algumas semanas sem tratamento específico, apenas com cuidados de suporte. 

Porém, se necessário, existem antivirais disponíveis para o tratamento de pessoas de maior risco.

Cuidados de suporte

Os cuidados de suporte incluem: repouso, hidratação oral, isolamento de contato e medicações sintomáticas, para dor, prurido e febre. 

Antivirais

Nos casos mais graves ou em populações de risco, pode-se utilizar antivirais, sendo eles: tecovirimat, cidofovir e brincidofovir

Tem cura?

A varíola dos macacos tem cura, como na maioria das viroses agudas. O sistema imunológico é capaz de eliminar o vírus e o paciente fica completamente curado.

No entanto, é essencial controlar e quebrar as cadeias de transmissão, a fim de promover a redução do número total de infectados, para que não ocorram casos de óbito e mutações.

Conclusão

A varíola dos macacos não é uma doença nova, porém vem ganhando relevância devido a nova característica desse surto em comparação aos casos de anos anteriores.

Felizmente, é uma doença que costuma ser leve e autolimitada, além de menos infecciosa que afecções como o Covid-19 e menos letal que a varíola clássica. 

Porém, deve ser combatida e conhecida pelos profissionais de saúde. Para isso, é importante entender o diagnóstico e manejo.

Leia mais:

FONTES:

  • ISAACS, Stuart. Monkeypox. UpToDate. 2022.

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