Covid-19

Tofacitinibe e seu impacto no tratamento da Covid-19

Estudo coordenado pela Academic Research Organization (ARO), do Hospital Israelita Albert Einstein, em parceria com a Pfizer, trouxe novidades sobre o tratamento para pacientes hospitalizados por causa da Covid-19. Assim, ele mostrou a eficácia do medicamento tofacitinibe (Xeljanz) para reduzir as mortes pela doença e evitar a falência respiratória. O trabalho foi publicado na revista científica New England Journal of Medicine, na última quarta-feira, 16 de junho.

A pesquisa brasileira contou com a participação de 289 indivíduos adultos, de 15 instituições de saúde, com tempo de internamento de no máximo três dias. Eles obtiveram o diagnóstico da doença através do RT-PCR e boa parte apresentava pneumonia causada pelo coronavírus. Para realizar a pesquisa, os pacientes foram divididos em dois grupos, sendo eles monitorados por um período de 28 dias.

Em um dos grupos foi administrado por via oral o tofacitinibe (10 mg), duas vezes ao dia, acrescido do tratamento convencional para a Covid-19. Isso, até a alta ou durante 14 dias de hospitalização. Durante o mesmo período, o outro grupo recebeu também o tratamento convencional atrelado ao placebo. Ademais, 89.3% dos participantes, durante o período de hospitalização, foram medicados com glucocorticóides (dexametasona, em sua maioria).

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Resultados

Desse modo, fazendo o comparativo entre as duas populações de estudo, ao final dos 28 dias, os pesquisadores observaram a redução do risco de morte em 37%. E ainda, para aquelas pessoas sem necessidade de ventilação mecânica ou não invasiva, constataram a redução das chances de evolução para uma insuficiência respiratória.

Isso porque, a medicação dificulta a formação da lesão pulmonar. Ela impede a tempestade inflamatória causada pela Covid-19 grave. Sendo ela uma resposta exacerbada do sistema imunológico ao ter contato com o vírus.

O tofacitinibe compõe um grupo de inibidores das janus quinase (JAKs), proteínas envolvidas no desencadeamento de doenças inflamatórias. Assim, no ensaio clínico, ele foi responsável por modular o sistema imunológico, prevenindo a inflamação descomedida. Desse modo, ele bloqueia a resposta excessiva do sistema imune ao coronavírus.

Atualmente, o remédio tem permissão no Brasil para ser utilizado no tratamento da artrite reumatoide, artrite psoriásica e retocolite ulcerativa. Desse modo, ainda não foi aprovado para o tratamento de Covid-19 por nenhuma agência regulatória do mundo.

De acordo com o médico que conduziu o estudo, Otavio Berwanger, não houve um aumento dos efeitos colaterais entre o grupo placebo e o grupo do medicamento. No entanto, ele alerta que não deve ser administrado em casa. Os pacientes precisam de monitoramento constante.

Vale salientar que ainda não existe um tratamento específico para a infecção causada pelo novo coronavírus. Sendo assim, essa descoberta pode ser mais uma possibilidade para evitar consequências graves da doença.

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