Estudo

Pesquisa aponta que a obesidade possui 4 fenótipos distintos

A Clínica Mayo, entidade sem fins lucrativos, localizada nos Estados Unidos, numa pesquisa sobre a obesidade divulgada nesta quarta-feira (17), descobriu que ela se manifesta por meio de 4 fenótipos diferentes, e, por isso, exige abordagens terapêuticas distintas.

A obesidade é considerada um dos mais graves problemas de saúde. Isso de acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO).

Ainda conforme a Instituição, no Brasil, o aumento dessa doença crônica foi de 72% em treze anos. Para 2025, estima-se que 700 milhões de indivíduos ao redor do mundo estejam com o índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30.

Nestes estudos clínicos, realizados durante seis anos, os pesquisadores tiveram como objetivo determinar tratamentos personalizados para cada categoria específica da doença

De acordo com o gastroenterologista Andrés Acosta, especialista em obesidade na instituição - à BBC News Mundo (serviço em espanhol da BBC) - o que motivou a pesquisa foram as diferenças nas respostas dos diversos métodos de tratamento existentes.

Os cuidados para os obesos podem ser feitos através da combinação de mudanças no estilo de vida, de atividade física e alimentação saudável. Em alguns casos, o tratamento pode ser feito com remédios, endoscopia ou cirurgia. No entanto, as respostas de cada organismo aos tratamentos são bastante distintas.

Sendo assim, o doutor Andrés e sua equipe decidiram investigar quais são as características específicas de pessoas com sobrepeso e, principalmente, obesidade. Com isso, puderam identificar quatro fenótipos para a doença. Suas características serão esmiuçadas abaixo.

O cérebro ‘faminto’

O sistema digestivo envia ao cérebro sinais de saciedade, quando nos alimentamos. No entanto, para esse grupo de pessoas, a sensação de estar saciado inexiste, por mais que comam constantemente e repitam as porções, resultando numa farta ingestão de calorias.

O intestino ‘esfomeado’

Nesse fenótipo o intestino não funciona bem. Segundo o gastroenterologista, ele não envia a mensagem que deveria para o cérebro, “idealmente algo como: Acabei de comer. Preciso de um tempo para digerir a comida e me sentir saciado".

Desse modo, a pessoa se alimenta comendo porções normais, sem exageros, mas logo volta a sentir fome, uma ou duas horas depois da refeição. Por isso, quem faz parte deste grupo tende a se alimentar inúmeras vezes durante o dia, depois das três principais refeições.

Alimentação ‘emocional’

Quem faz parte deste fenótipo tem a alimentação atrelada às emoções. Então comem se estão tristes, alegres, estressadas ou se estão ansiosas. Tudo é motivo para ingerir uma quantidade exagerada de calorias.

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Combustão lenta

Nessa categoria se enquadram aqueles que têm um metabolismo ineficiente. Isso significa dizer que os indivíduos não queimam as calorias esperadas para o seu peso, altura, sexo e idade.

Estes representaram 22% da população de estudo, sendo o menos comum. Já o restante populacional estava dividido de maneira bastante parecida entre os fenótipos citados anteriormente.

Além disso, os cientistas também observaram que mais de 1/3 dos participantes se encaixavam em mais de um fenótipo.

Tratamento individualizado

A fim de estabelecer um tratamento personalizado para cada uma das categorias específicas da obesidade, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo. Assim, 88 pessoas foram tratadas de maneira individualizada e os outros 230 tiveram uma abordagem terapêutica comum (atividade física, dieta, medicamentos).

Dessa maneira, a perda de peso para o grupo que fez o tratamento personalizado foi quase o dobro de quem faz o tratamento tradicional. Assim, o primeiro grupo perdeu 16% do peso em um ano e quem fez o método tradicional perdeu 9% do peso no mesmo período.

Vale salientar, que a personalização terapêutica deve estar atrelada a tratamento multidisciplinares: endoscopia, cirurgias, terapia psicológica - sobretudo para o fenótipo alimentação emocional – e dietas.

O especialista em obesidade da Clínica Mayo e a sua equipe esperam que suas descobertas sejam revolucionárias e mudem a forma de tratar a obesidade.

Diante disso, é possível ver que não existe apenas uma maneira de tratar esta doença crônica, não existe remédio ou chá milagroso, se faz necessário uma terapêutica personalizada, que se adeque às necessidades de cada indivíduo.

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