Covid-19

Ansiedade e pandemia

Falar sobre saúde mental é sempre essencial, sobretudo, em tempos de pandemia causada pelo novo coronavírus. Assim, torna-se ainda mais necessário o cuidado com o psicológico, com o emocional. Dito isso, o transtorno de ansiedade é uma das psicopatologias mais comuns entre os brasileiros, de acordo com uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Ademais, as mulheres são as mais suscetíveis.

O estudo constatou que dentre as 1.996 pessoas (maiores de 18 anos) analisadas, 80% delas ficaram mais ansiosas durante a pandemia. Desse modo, a mudança completa na rotina, causada pelas medidas de prevenção à Covid-19, principalmente, o isolamento, foi um dos motivos por trás dessa porcentagem elevada. Além disso, a falta de perspectiva e a indefinição do momento atual são fatores que auxiliam no agravamento da ansiedade.

Em 2019, uma outra pesquisa realizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), já apontava um alto índice de pessoas ansiosas no país. Com isso, mostrou que o Brasil lidera o ranking de países com maior número de ansiosos, são 18,6 milhões de pessoas que sofrem com algum transtorno de ansiedade. Esse mesmo estudo também apontou que as mulheres são as mais atingidas (7,7%), ao contrário dos homens, com um percentual bem menor (3,6%).

A mulher é mais passível de manifestar sintomas de ansiedade, por causa de fatores genéticos. Foto: Reprodução/Hospital Santa Mônica

As mulheres são mais suscetíveis a desenvolver algum tipo de transtornos de ansiedade patológicos, por viverem em constante estado de hipervigilância. Outros fatores como algumas questões genéticas, as tornam mais sensíveis às oscilações hormonais. Especialmente quando estão no período pré-menstrual, na gestação, no pós-parto e na perimenopausa, o risco de desenvolver ansiedade ou depressão é aumentado.

Vale salientar que nem todos os quadros de ansiedade são patológicos, uma vez que, é algo normal quando as pessoas se sentem ameaçadas de alguma maneira (seja de forma concreta ou subjetiva). Por isso, pode ser associada ao medo, preparando o organismo para uma reação de defesa, de fuga. Reações desencadeadas por meio da produção de noradrenalina e de cortisol. Por outro lado, a ansiedade é considerada patológica quando alcança um grau mais alto.

Dessa maneira, o transtorno começa a prejudicar o dia a dia do indivíduo, as suas relações profissionais, pessoais e familiares. Isso porque o futuro se mostra de maneira incerta, as projeções futuras são negativas, uma vez que, o indivíduo sempre espera algo ruim. Ele sente medo de algo que não pode definir. Sendo assim, surgem os sintomas físicos, que interferem diretamente na qualidade de vida e na produtividade.

Os sintomas são vastos e abarcam: palpitações, aperto no peito, sensação de sufocamento, formigamento nos pés e nas mãos, sudorese, tremores, náuseas ou diarreia. Além do mais, também existem queixas de falta de paciência ou concentração, memória de curto prazo, queda na produtividade e insônia. A partir do momento no qual a sintomatologia se faz presente, a ajuda médica passa a ser imprescindível.

A ansiedade faz a pessoa ter interpretações irreais do mundo que a cerca. Diante disso, o tratamento ideal é a Terapia Cognitiva Comportamental (TCC), pois ajuda na mudança da percepção irreal do mundo e adentra na técnica de controle e mudança comportamental. Para além disso, é necessário aprender a respirar. Sendo assim, a respiração diafragmática é a ideal.

Ela mantém o ritmo cardíaco adequado e o equilíbrio entre o oxigênio e o gás carbônico. Isso porque a alteração da respiração é uma das manifestações sintomatológicas, já que, o ansioso quer ter controle em relação aos acontecimentos futuros. Esse tipo de respiração deve ser exercitado diariamente, sendo três vezes ao dia, durante 5 minutos.

Diante dos sintomas físicos, essa técnica é bastante eficaz e o alívio é rápido. Entretanto, quando os casos são mais graves o psiquiatra indica a medicação. Os antidepressivos são considerados o padrão ouro, por não causarem dependência, nem prejudicarem a memória. Já os ansiolíticos (calmantes) podem ser usados como coadjuvante e durante um curto período. E ainda, não devem ser ingeridos com frequência. 

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