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Publicado em
21/3/23

Hipertensão arterial sistêmica: como é cobrada nas provas de residência?

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Hipertensão arterial sistêmica: como é cobrada nas provas de residência?

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma condição clínica muito comum na prática médica e é um tema muito frequente nas provas de residência médica. De acordo com a OMS, são mais de 1,28 bilhões de pessoas entre 30 e 79 anos acometidas pela doença, sendo um importante fator de risco para doenças cardiovasculares, como IAM e AVC, a principal causa de morte no Brasil e no mundo.

Se você vai fazer prova de residência, entenda agora os principais pontos cobrados acerca dessa temática!

O que é Hipertensão Arterial Sistêmica?

A hipertensão arterial sistêmica é uma condição clínica multifatorial caracterizada pela elevação sustentada dos níveis pressóricos, igual ou acima dos níveis de 140 x 90 mmHg. Ela aumenta o risco de doença cardiovascular e está presente em cerca de 32,5% dos adultos e 60% dos idosos.

Classificação

A Sociedade Brasileira de Cardiologia classifica a HAS em:

Pré-HAS PAS 130 – 139 | PAD 85 – 89
HAS estágio 1 PAS 140 – 159 | PAS 90 – 99
HAS estágio 2 PAS 160 – 179 | PAD 100 – 109
HAS estágio 2 PAS ≥ 180 | PAD ≥ 110
*PAS: pressão sistólica; PDA: pressão diastólica. Classificação da HAS de acordo com a SBC. Fonte: Cardiopapers

Dica de prova

A classificação da SBC é a mesma da Sociedade Europeia de Cardiologia, e essas são as que costumam ser cobradas nas provas. Porém, se a questão se referir diretamente à diretriz da American Heart Association (AHA), o valor de referência é de PAS superior a 130 ou PAD superior a 80 mmHg.

Diagnóstico da hipertensão arterial sistêmica

O diagnóstico da hipertensão arterial sistêmica pode ser feito por meio de 2 medidas ambulatoriais com PAS ≥ 140 e/ou PAD ≥ 90, com o intervalo de 1 a 4 semanas entre as medições. Porém, se PAS ≥ 180 ou PAD ≥ 110 ou se o risco cardiovascular do paciente for alto só necessita de uma medição.

Nos pacientes com PAS entre 140-179 e/ou PAD entre 90-109 na primeira consulta, pode fazer a avaliação pressórica por meio do MAPA de 24h, do MRPA ou do AMPA (automedida da PA). Esses métodos possibilitam diagnosticar a HAS verdadeira da hipertensão do jaleco branco.

MRPA ou MAPA normal Hipertensão do jaleco branco
MRPA ou MAPA alterado HAS sustentada
Diagnóstico da hipertensão arterial sistêmica. Fonte: EMR

Tratamento da hipertensão arterial sistêmica

O tratamento da hipertensão arterial sistêmica de primeira linha é feito com 4 classes de drogas:

  • Diuréticos tiazídicos 🡪 Hidroclorotiazida, indapamida e clortalidona
  • BRA (bloqueadores da renina-angiotensina) 🡪 Losartana, valsartana e candesartana.
  • IECA (inibidores da enzima conversora de angiotensina) 🡪 Enalapril, captopril, lisinopril, perindopril e ramipril.
  • Bloqueadores do canal de cálcio (BCC/ACA) 🡪 Anlodipino e levanlodipino.

No geral, o tratamento é feito com um IECA ou BRA (nunca deve associar os dois), associados a um diurético e/ou um BCC. O alvo terapêutico naqueles com alto risco cardiovascular é < 130x80 mmHg, naqueles com risco baixo ou moderado é de < 140 x 90 mmHg.  

A espironolactona é a quarta droga de escolha. Os betabloqueadores (BB) não são mais droga de primeira linha, sendo usados apenas em segunda linha, assim como os alfa-2-agosnistas (metildopa e clonidina). Além disso, é de grande importância a associação da mudança de estilo de vida (MEV), com a prática de exercícios, melhora da dieta, cessação do tabagismo.

O tratamento inicial é feito de acordo com o estágio da hipertensão:

Pré-HAS + alto risco cardiovascular
Estágio 1 + baixo risco cardiovascular
MEV e reavaliação em 6 meses
Estágio 1 + alto risco cardiovascular MEV + 2 drogas de classes diferentes
Estágio 3 MEV + 3 drogas de classes diferentes
Tratamento da HAS. Fonte: SBC

Nos idosos muito frágeis e naqueles com HAS estágio 1 e baixo risco cardiovascular que não apresentarem melhora com MEV pode ser feita a monoterapia. Além disso, nos idosos frágeis, PA mais altas são toleradas, sendo < 150 x 80 o alvo terapêutico. 

SciELO - Brasil - Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020  Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020

Fluxograma do tratamento de HAS. Fonte: SBC  

Dica de prova – Condições específicas

As provas costumam cobrar algumas condições especiais e as drogas mais indicadas nesses casos, como pode ser visto a seguir:

Condição Priorizar
DM sem nefropatia Esquemas habituais
DM com nefropatia IECA ou BRA
DAC IECA ou BRA + BB ou BCC
IC com FE reduzida IECA ou BRA + BB cardiosseletivos
DRC sem microalbuminúria Esquemas habituais
DRC com microalbuminúria IECA ou BRA
Síndrome metabólica IECA ou BRA. Evitar tiazídicos e BB.
Gestação Metildopa, nifedipino ou BB (exceto atenolol)
Condições especiais no tratamento de HAS. Fonte: EMR

Conclusão

A hipertensão arterial sistêmica é uma condição clínica extremamente comum, caracterizada por níveis pressóricos aumentados de forma sustentada (≥140x90 mmHg), sendo diagnosticado por meio de  2 medidas com 1 a 4 semanas de diferença ou por meio do MAPA, MRPA ou AMPA. O tratamento é feito por meio da MEV associada às drogas: diuréticos tiazídicos, IECA, BRA e BCC/ACA.

Vamos ver uma questão NA PRÁTICA? Abaixo está o link de uma questão explicada pelo Dr. André Lafayette sobre hipertensão arterial sistêmica.

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FONTES: