Estudo

Tudo que você precisa saber sobre a Coronavac

Segundo a Organização Mundial de Saúde, 40% das pessoas que contraem o COVID-19 desenvolvem a forma leve ou moderada da doença. Aproximadamente 15% dos infectados pelo vírus irão desenvolver a doença grave, necessitando de suporte com oxigênio. Desses, 5% apresentarão, além do comprometimento respiratório, outras complicações cardíacas e renais, trombose, sepse e choque séptico. Nesse contexto atual em que se vive uma das maiores pandemias enfrentadas na história, surge a vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, que já está sendo distribuída e aplicada no território brasileiro. Mas o que se sabe sobre essa vacina? Quem vai ser vacinado primeiro?

A CoronaVac é uma vacina de vírus inativado, criada com uma tecnologia clássica de produção. É considerada segura e imunogênica, uma vez que o vírus inativado não possui capacidade de replicação, portanto, o indivíduo não vai ser exposto a grandes quantidades de antígeno. Apresenta eficácia de 50,4% para a prevenir a infeção pelo COVID-19; ou seja, a cada 100 pessoas que forem expostas ao vírus, espera-se que 50 vão ser infectadas mesmo após serem vacinadas com a CoronaVac. Entretanto, a vacina possui eficácia de 78% para prevenir a necessidade de cuidados ambulatoriais ou hospitalares; ou seja, previne em quase 80% o surgimento de sintomas leves e moderados; e eficácia de 100% para prevenir casos graves, que exijam que o paciente seja levado para a UTI.

Como ainda não há uma ampla distribuição da vacina no mercado global, o objetivo principal da vacinação é reduzir a morbidade e a letalidade da população, diminuindo a ocupação dos leitos hospitalares. Por isso, a campanha inicial de vacinação vai priorizar indivíduos com maiores chances de desenvolverem as formas moderadas e graves da doença.

A ordem de priorização para recebimento da vacina será dada nos indivíduos dos seguintes grupos populacionais:

⦁ Funcionários de serviços de saúde, que serão vacinados nessa ordem:

⦁ Equipes de vacinação inicialmente envolvidas com o processo de vacinação;

⦁ Funcionários das Instituições de Longa Permanência de Idosos e de Residências Inclusivas;

⦁ Trabalhadores de serviços públicos e privados que trabalhem tanto na urgência como na atenção básica e que estejam trabalhando diretamente com casos suspeitos e confirmados de COVID-19;

⦁ Demais trabalhadores de saúde.

⦁ Pessoas idosas que vivam em Residências de Longa Permanência institucionalizadas.

⦁ Pessoas a partir de 18 anos com deficiência, residentes de Residências Inclusivas institucionalizadas.

⦁ População indígena vivendo em terras indígenas.

A decisão de incorporar a população indígena como prioridade na primeira leva de vacinas se deve a maior vulnerabilidade social desse grupo. Isso é justificado pela pior qualidade e acesso restrito à saúde, um modo de vida coletivo que facilita a propagação do vírus e dificuldades de implementação de medidas não farmacológicas.

O esquema vacinal é feito com duas doses, a segunda sendo feita de 2-4 semanas após a primeira, com injeção intramuscular. A vacina é recomendada somente para pacientes com 18 anos ou mais, e ainda não existem estudos controlados em mulheres grávidas e lactentes. As contraindicações dessa vacina são a presença de doenças agudas, febre e início agudo de doenças crônicas não controladas no momento da vacinação. As precauções que precisam ser tomadas para realizar a vacinação são feitas caso o paciente apresente doenças moderadas ou graves e se o indivíduo apresentar infecção confirmada quando for tomar a vacina. Nesses casos, é indicado o adiamento da vacinação até melhora do quadro clínico.

Algumas reações adversas que o paciente pode apresentar, caso seja um adulto (18-59 anos), são dor no local da aplicação, dor de cabeça e cansaço. Além disso, enjoo, diarreia, dor muscular, calafrios, perda de apetite, tosse, dor nas articulações, coceira, coriza, congestão nasal e eritema, inchaço e coceira no local de aplicação da vacina são outros efeitos adversos considerados comuns (presentes em 1-10% dos pacientes que receberam a vacina na fase III do estudo clínico). Em pacientes maiores de 60 anos, os efeitos adversos considerados comuns são enjoo, diarreia, cefaleia, astenia, dor muscular, tosse, dor nas articulações, coceira, coriza, odinofagia e congestão nasal. Além disso, também é comum a presença de coceira, eritema e inchaço no local de punção da agulha.

Fontes:

BRASIL. Ministério da Saúde. Plano Nacional de Operacionalização de Vacinação contra Covid-19. Brasília, DF, 2021.

BRASIL. Ministério da Saúde. Informe técnico – Campanha Nacional de Vacinação contra a Covid-19. Brasília, DF, 2021.

CoronaVac (Vacina adsorvida covid-19) [Bula de medicamento]. Beijing: Sinovac Life Sciences Co., Ltd, 2021. Alina Souza Gandufe.