Qual é a nota de corte do ENARE?
Olá, futuro residente!
A nota de corte do ENARE pode variar bastante entre as especialidades e, principalmente, entre as instituições participantes.
Isso acontece porque cada programa tem a sua própria concorrência, número de vagas e perfil de candidatos, fazendo com que cada um tenha uma pontuação de corte diferente.
Na edição 2025/2026 (com ingresso dos residentes em 2026), as notas de corte dos programas de Acesso Direto em ampla concorrência apresentaram uma grande variação entre as especialidades. Esse cenário reforça uma informação importante: não existe uma única nota de corte do ENARE.
O número que realmente importa é a combinação entre especialidade, instituição e modalidade de concorrência escolhida pelo candidato.
Para entender melhor esse cenário, confira algumas das maiores e menores notas de corte registradas na 1º chamada do Acesso Direto.
Principais notas de corte do ENARE 2025/2026 - Acesso Direto (ampla concorrência)
Como a tabela mostra, a diferença entre as maiores e as menores notas de corte do ENARE é bastante significativa. Enquanto programas altamente concorridos, como Dermatologia, Otorrinolaringologia e Psiquiatria, exigiram pontuações próximas da nota máxima, outros registraram cortes bem mais baixos.
Isso demonstra que a competitividade do ENARE não depende apenas da especialidade escolhida. Fatores como a instituição, o número de vagas ofertadas e o perfil dos candidatos que disputam cada programa também influenciam diretamente na nota de corte.
Por esse motivo, analisar apenas a especialidade pode levar a conclusões equivocadas. Em alguns casos, programas de especialidades tradicionalmente menos concorridas apresentam notas de corte superiores às de áreas bastante disputadas, simplesmente porque pertencem a hospitais mais procurados ou oferecem poucas vagas.
Ao utilizar a nota de corte como referência para a sua preparação, o ideal é analisar sempre a combinação entre especialidade, instituição, modalidade de concorrência e edição do processo seletivo.
Essa avaliação oferece uma visão muito mais precisa da competitividade do programa desejado e ajuda a definir metas de estudo mais realistas e alinhadas aos seus objetivos.
Como a nota de corte do ENARE é formada?
A nota de corte é definida durante a etapa de escolha de vagas. Depois da divulgação da classificação, os candidatos são convocados conforme a sua pontuação e escolhem, por ordem de classificação, entre os programas disponíveis para a sua especialidade.
A nota de corte corresponde justamente à pontuação do último candidato que conseguiu escolher determinada vaga.
Nas vagas de Acesso Direto, a classificação do ENARE passou por uma mudança importante com a integração ao ENAMED. Atualmente, toda a pontuação utilizada na classificação vem da nota obtida no exame, já que a análise curricular deixou de fazer parte da composição da nota.
Na prática, isso significa que o desempenho na prova passou a ter um peso ainda maior. Se antes o currículo podia contribuir para diferenciar candidatos com notas próximas, hoje essa diferença é definida exclusivamente pelo resultado obtido no ENAMED.
Esse também é um dos motivos pelos quais comparar notas de corte de edições antigas exige cuidado. Processos seletivos que ainda utilizavam análise curricular seguem uma lógica diferente da atual, tornando comparações diretas pouco confiáveis.
Nota de corte e nota mínima de aprovação são a mesma coisa?
Não! Apesar de muitas pessoas confundirem esses conceitos, eles representam etapas completamente diferentes do processo seletivo.
A nota mínima de aprovação é a pontuação estabelecida em edital para que o candidato seja considerado aprovado na prova. Já a nota de corte corresponde à pontuação efetivamente necessária para conquistar uma vaga em determinado programa e, na maioria das vezes, ela é muito superior ao mínimo exigido.
Na edição 2024/2025, por exemplo, era necessário alcançar pelo menos 50 pontos na prova objetiva para ser considerado aprovado nessa etapa.
No entanto, atingir esse mínimo não significava garantir uma vaga na residência. Para isso, era preciso alcançar a nota de corte do programa desejado, que poderia ser muito mais alta.
Em resumo, a nota mínima determina se você continua no processo seletivo, enquanto a nota de corte indica a pontuação necessária para conquistar a vaga desejada.
Por isso, utilizar apenas a nota mínima como referência para montar a sua estratégia de estudos é um dos erros mais comuns entre os candidatos.
Como funciona a nota de corte nas vagas reservadas do ENARE?
Uma dúvida bastante comum entre os candidatos é se a nota de corte das vagas reservadas é sempre menor do que a da ampla concorrência. A resposta é: nem sempre.
No ENARE, cada modalidade de concorrência possui a sua própria lista de classificação. Isso significa que as notas de corte são calculadas de forma independente para a ampla concorrência e para cada modalidade de vaga reservada.
Na prática, um mesmo programa de residência pode apresentar notas de corte bastante diferentes entre ampla concorrência, pessoas negras e pardas (PNP), pessoas com deficiência (PCD), indígenas, quilombolas e demais modalidades previstas em edital.
Distribuição das vagas reservadas no ENARE 2025/2026
Na edição 2025/2026, que teve ingresso dos residentes em 2026, o ENARE ofertou 6.036 vagas de Acesso Direto, distribuídas da seguinte forma:
Essa distribuição mostra que cada modalidade possui um quantitativo próprio de vagas e, consequentemente, uma classificação independente.
Por esse motivo, quem concorre às vagas reservadas deve acompanhar a nota de corte correspondente à sua modalidade de concorrência. Utilizar a nota da ampla concorrência como referência pode gerar expectativas equivocadas, já que ela pode ser tanto superior quanto inferior à nota de corte da modalidade escolhida.
Outro ponto importante é que a nota de corte das vagas reservadas também varia de acordo com a especialidade, a instituição e o número de vagas ofertadas. Portanto, não existe uma regra que determine que as cotas sempre apresentam notas de corte menores do que a ampla concorrência.
Ao analisar o histórico do ENARE, faça sempre comparações entre candidatos da mesma especialidade, da mesma instituição, da mesma modalidade de concorrência e da mesma edição do processo seletivo. Essa é a forma mais confiável de utilizar as notas de corte para definir uma meta de estudos realista.
Nota de corte nos programas com Pré-Requisito, Área de Atuação e Ano Adicional
Os programas de residência com Pré-Requisito, Área de Atuação e Ano Adicional possuem uma dinâmica diferente do Acesso Direto. Nessas modalidades, o ingresso continua sendo realizado por meio da prova específica do ENARE, elaborada pela FGV, e a classificação acontece apenas entre os candidatos que concorrem ao mesmo tipo de programa.
Por isso, as notas de corte dessas modalidades não podem ser comparadas diretamente às do Acesso Direto. Cada processo possui características próprias, como perfil dos candidatos, quantidade de vagas e nível de concorrência.
Na edição 2026/2027, por exemplo, foram registradas 8.101 inscrições preliminares para 2.253 vagas nessas modalidades, o equivalente a cerca de 3,6 candidatos por vaga. No Acesso Direto, a concorrência média foi de aproximadamente 14,9 candidatos por vaga, evidenciando um cenário bastante diferente.
No entanto, uma concorrência média menor não significa, necessariamente, notas de corte mais baixas. Alguns programas continuam extremamente disputados e exigem alto desempenho dos candidatos. Foi o caso de Reprodução Assistida, com 15,50 candidatos por vaga, Neurologia Pediátrica, com 12,03 candidatos por vaga, e Cirurgia Plástica, com 11,03 candidatos por vaga.
Assim como ocorre no Acesso Direto, a nota de corte desses programas é influenciada pelo número de vagas ofertadas, pela procura dos candidatos e pelo desempenho geral na prova. Por isso, ao analisar o histórico de um programa, utilize sempre como referência a mesma especialidade, a mesma instituição, a mesma modalidade de ingresso e a mesma edição do ENARE.
Por que a nota de corte de um mesmo programa muda de um ano para o outro?
É comum encontrar programas de residência que apresentam notas de corte bem diferentes de uma edição para outra. Isso acontece porque a nota de corte não é um valor fixo. Ela depende de diversos fatores que mudam a cada processo seletivo e influenciam diretamente na classificação final dos candidatos.
Conhecer esses fatores ajuda a interpretar melhor o histórico do ENARE e evita criar expectativas com base apenas na nota de corte de uma única edição.
Número de vagas ofertadas
A quantidade de vagas é um dos fatores que mais influencia a nota de corte. Em geral, quando um programa amplia o número de vagas, a tendência é que a nota de corte diminua, já que mais candidatos são convocados dentro da classificação.
Da mesma forma, quando há redução na oferta de vagas, a disputa tende a ficar mais acirrada e a nota de corte pode aumentar.
Entrada ou saída de instituições no ENARE
A cada edição, novas instituições podem aderir ao ENARE, enquanto outras deixam de participar do processo seletivo.
Quando um hospital de grande prestígio passa a oferecer vagas pelo ENARE, é comum que ele concentre candidatos com pontuações mais altas. Como consequência, isso pode alterar a distribuição dos candidatos entre os demais programas e impactar as notas de corte.
Nível de dificuldade da prova
A dificuldade da prova também interfere diretamente nas notas de corte.
Em uma edição considerada mais difícil, a tendência é que as pontuações gerais sejam menores, reduzindo as notas de corte em diversos programas. Já em provas mais acessíveis, as notas costumam aumentar, elevando também os cortes.
Por isso, comparar apenas o número absoluto da nota entre diferentes edições pode levar a conclusões equivocadas.
Escala de pontuação utilizada
Outro fator que merece atenção é a escala de pontuação adotada em cada edição.
Quando há mudanças na forma de calcular ou apresentar as notas, comparar diretamente os valores entre anos diferentes deixa de fazer sentido. Nesses casos, o mais importante é observar a posição relativa do candidato dentro da classificação e a tendência histórica do programa.
O que realmente importa ao analisar o histórico?
Mais do que comparar a nota de corte de uma única edição, o ideal é acompanhar o comportamento do programa ao longo dos anos.
Se um programa apresenta crescimento contínuo da nota de corte em diferentes edições, isso pode indicar aumento da competitividade. Por outro lado, uma variação isolada costuma refletir mudanças específicas daquela seleção, como alteração no número de vagas ou no nível de dificuldade da prova.
Por esse motivo, utilize a nota de corte como um indicador de tendência e não como uma previsão exata da pontuação necessária para conquistar uma vaga na próxima edição do ENARE.
1º, 2º ou 3º chamada: Qual nota de corte considerar?
Ao pesquisar a nota de corte de um programa de residência, é fundamental verificar a qual chamada ela se refere. Isso porque a pontuação necessária para conquistar uma vaga costuma diminuir ao longo das convocações.
Na 1º chamada, são convocados os candidatos mais bem classificados, o que faz com que a nota de corte seja, naturalmente, a mais alta da edição. Conforme ocorrem desistências e novas convocações, a lista de classificados avança e a nota de corte tende a diminuir nas chamadas seguintes.
Por esse motivo, é comum encontrar valores diferentes para um mesmo programa de residência. Em muitos casos, todos eles estão corretos, mas fazem referência a momentos distintos do processo seletivo.
Como interpretar a nota de corte corretamente?
Antes de utilizar qualquer levantamento como referência para a sua preparação, confirme estas 3 informações:
- A chamada considerada: 1º, 2º, 3º ou chamada subsequente.
- A modalidade de concorrência: ampla concorrência ou vagas reservadas.
- A edição do ENARE: as notas de corte podem variar significativamente de um ano para outro.
Esses 3 critérios fazem toda a diferença na interpretação dos dados. Comparar notas de chamadas ou modalidades diferentes pode levar a conclusões equivocadas sobre a competitividade de um programa.
Qual delas usar como referência?
Para quem está planejando os estudos, a nota de corte da 1º chamada costuma ser a melhor referência. Ela representa o nível de competitividade inicial de cada programa e oferece um parâmetro mais conservador para definir a sua meta de pontuação.
As chamadas seguintes também podem servir como fonte de consulta, principalmente para entender o comportamento das convocações ao longo do processo. No entanto, elas refletem um cenário diferente, marcado por desistências, remanejamentos e novas oportunidades de escolha de vagas.
Por isso, sempre que consultar uma nota de corte, verifique o contexto em que ela foi divulgada. Essa simples conferência evita comparações incorretas e ajuda a utilizar o histórico do ENARE de forma muito mais estratégica.
Como usar a nota de corte para definir a sua meta de pontuação?
Conhecer a nota de corte do ENARE é importante, mas o verdadeiro diferencial está em saber como utilizar essa informação para planejar os estudos. Em vez de enxergar a nota de corte como um número absoluto, o ideal é utilizá-la como uma referência para definir uma meta de desempenho compatível com o programa de residência que você deseja.
Para isso, vale a pena seguir um planejamento simples e baseado no histórico das últimas edições.
1. Liste os programas que fazem parte dos seus objetivos
Comece selecionando entre 6 e 10 programas de residência nos quais você realmente aceitaria ingressar. Inclua instituições com diferentes níveis de competitividade para ampliar as suas possibilidades durante a escolha de vagas.
2. Consulte o histórico das notas de corte
Pesquise as notas de corte das 2 ou 3 edições mais recentes do ENARE para cada programa da sua lista. Sempre compare informações da mesma especialidade, da mesma instituição, da mesma modalidade de concorrência e, preferencialmente, da 1º chamada.
3. Observe a tendência, não apenas um único número
Mais importante do que analisar a nota de corte de uma única edição é identificar o comportamento do programa ao longo do tempo.
Se a nota permanece estável ou apresenta crescimento gradual, isso pode indicar uma concorrência consolidada. Já mudanças muito bruscas costumam estar relacionadas a fatores específicos daquela edição, como alterações no número de vagas ou na dificuldade da prova.
4. Defina uma meta com margem de segurança
Depois de analisar o histórico, estabeleça como objetivo alcançar uma pontuação superior à maior nota de corte observada entre os programas que você pretende disputar.
Essa margem oferece mais segurança diante das variações naturais que podem ocorrer de uma edição para outra.
5. Organize os seus programas por nível de competitividade
Uma boa estratégia é dividir a sua lista em 3 grupos:
- Alta competitividade: programas com notas de corte mais elevadas.
- Competitividade intermediária: programas com histórico de notas medianas.
- Competitividade mais acessível: programas com notas de corte mais baixas.
Essa organização amplia as suas possibilidades no momento da escolha de vagas e ajuda a construir uma estratégia mais equilibrada.
6. Atualize a sua meta a cada nova edição
Sempre que um novo edital for publicado, revise o seu planejamento. Alterações no número de vagas, na participação de instituições ou no formato da seleção podem influenciar a nota de corte dos programas.
Por isso, acompanhar o histórico do ENARE e atualizar a sua meta de pontuação faz parte de uma preparação realmente estratégica.
Evite um erro bastante comum
Um dos erros mais frequentes entre os candidatos é montar uma lista composta apenas por programas com notas de corte muito elevadas. Embora seja importante ter objetivos ambiciosos, diversificar os programas de interesse aumenta as chances de conquistar uma vaga sem abrir mão da especialidade desejada.
A nota de corte deve servir como uma ferramenta para orientar o seu planejamento e não como um fator limitante. Quando utilizada da forma correta, ela ajuda a definir metas mais realistas, acompanhar a sua evolução ao longo da preparação e tomar decisões mais estratégicas durante o processo seletivo.
Onde consultar a nota de corte oficial do ENARE?
Se você pretende utilizar a nota de corte como referência para planejar a sua preparação, é fundamental consultar fontes confiáveis e atualizadas. Afinal, um dado analisado fora de contexto pode levar a uma interpretação equivocada sobre a competitividade de um programa de residência.
A principal fonte de consulta são os resultados oficiais do ENARE, divulgados pela banca organizadora ao final de cada edição. Nesses documentos, é possível verificar a classificação dos candidatos e identificar a nota de corte de cada programa de residência, considerando a especialidade, a instituição, a modalidade de concorrência e a chamada.
Além dos resultados oficiais, alguns cursos preparatórios e portais especializados também organizam essas informações em tabelas e rankings, facilitando a comparação entre diferentes programas. Esses levantamentos podem ser excelentes ferramentas de consulta, desde que sejam elaborados com base nos dados oficiais do processo seletivo.
O que conferir antes de comparar as notas de corte?
Independentemente da fonte utilizada, sempre confirme se a informação corresponde aos seguintes critérios:
- Especialidade que você pretende disputar;
- Instituição onde deseja realizar a residência;
- Modalidade de concorrência (ampla concorrência ou vagas reservadas);
- Chamada considerada (1º, 2º ou chamadas posteriores);
- Edição do ENARE.
Esses fatores influenciam diretamente a nota de corte e explicam o motivo pelo qual um mesmo programa pode apresentar pontuações diferentes em levantamentos distintos.
Ao analisar o histórico das últimas edições considerando esses critérios, você terá uma visão muito mais precisa da competitividade do programa desejado e poderá definir metas de estudo mais realistas e alinhadas aos seus objetivos.
Prepare-se para o ENARE com estratégia
Agora que você já sabe como interpretar a nota de corte, o próximo passo é transformar essa informação em estratégia de preparação.
Afinal, conhecer a pontuação necessária para conquistar uma vaga é importante, mas é o seu desempenho na prova que vai determinar até onde você pode chegar.
Para estudar de forma mais direcionada, contar com um planejamento estruturado, revisão eficiente e questões alinhadas ao perfil das provas pode fazer toda a diferença.
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