Covid-19

Um panorama da vacina

É seguro dizer, diante do cenário atual, que a ciência nunca correu tanto nem tão rápido atrás de uma vacina como está correndo agora. Nosso retorno ao “novo normal” depende tão somente da sua produção. Estamos, coletivamente, vivendo um momento histórico que pode mudar o panorama de como lidaremos com doenças infecciosas no futuro.

Durante a última década, a comunidade científica e a indústria da vacina têm sido forçadas a responder com urgência a epidemias como o Ebola, H1N1, Zika e, agora, à pandemia do SARS-CoV-2. A necessidade de desenvolver rapidamente uma vacina contra o SARS-CoV-2 ocorre em um momento de explosão do conhecimento científico, inclusive em áreas como a genômica e a biologia estrutural, que estão apoiando uma nova era no desenvolvimento de vacinas.

Revisões da experiência com o desenvolvimento da vacina para o H1N1 enfatizaram a necessidade da criação de novas plataformas de desenvolvimento que possam ser prontamente adaptadas a novos patógenos. As empresas de vacinas e biotecnologia têm investido pesadamente em tais abordagens, com o apoio do governo dos EUA e de outros financiadores. Lá, o National Institute of Allergy and Infectious Diseases (Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas) liderou uma iniciativa para apoiar o desenvolvimento inicial de plataformas e testá-las contra “patógenos protótipos” de várias famílias virais.

Atualmente, já possuímos ao redor do globo sete candidatos a potenciais vacinas para o SARS-CoV-2 em fase de testes clínicos. Um processo que normalmente leva anos, ao que tudo indica, dessa vez levará meses. Há preocupações na comunidade científica, porém.

Uma das dez maiores ameaças à saúde global, segundo a OMS listou em 2019, é a resistência da população às vacinas. O movimento antivacinista já chegou a causar grandes estragos, como, por exemplo, diversas epidemias de sarampo — doença que havia sido mantida sob controle até a última década.

Se as pesquisas para o desenvolvimento da nova vacina pularem etapas devido à grande pressão global, poderemos dar mais força a um movimento já muito perigoso. A era da internet alavancou a desinformação exponencialmente. A arma que possuímos para lutar contra ela é o rigor científico. E este não deve ceder à pressão popular — e ao governamental, em muitas instâncias — às custas de sua própria credibilidade.

Fonte:

www.jamanetwork.com/