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Tomar notas durante a aula: boa ou má ideia

Durante boa parte da faculdade, fui uma aluna que não tomou notas durante a aula. Achava que ganharia mais se dedicasse minha atenção total ao que o professor estava dizendo e, depois, lesse no livro-texto ou nas anotações de outra pessoa um resumo do que foi dito. Com o tempo, percebi que minha compreensão, minhas notas e minha própria capacidade de prestar atenção estavam sofrendo por causa dessa hábito.

É um ledo engano do aluno pensar que a atenção a uma aula é prejudicada pelo hábito de se tomar (boas) notas. Acontece o contrário: se desenvolvemos a capacidade de resumir em curtas anotações uma idea complexa, estamos exercitando o aprendizado ativo. É diferente, claro, se você acaba se transformando num taquígrafo e anotando absolutamente tudo que o professor diz. Em primeiro lugar, não é possível: sua mão — mesmo em um teclado de computador — jamais terá a velocidade da explicação recitada oralmente pelo professor. Em segundo, esse tipo de anotação prejudica sim a atenção. Quando tenta repetir as palavras de outra pessoa na velocidade em que elas são ditas, você não está mais prestando atenção, muito menos resumindo ideias complexas em notas curtas com suas próprias palavras. Está apenas reproduzindo mecanicamente o que está sendo dito. Assim, perde duas oportunidades: a de entender o assunto em questão e a de fixar o conteúdo enquanto sintetiza suas ideias centrais.

Quem toma boas notas sabe, talvez inconscientemente, de algo que os outros não sabem: a vantagem de anotar durante a aula provém do fato de não se poder anotar tudo. A ideia pode parecer paradoxal, se partirmos do princípio de que quanto mais informação melhor. Mas não é. A falta de tempo para elaborar resulta justamente nisso: quando já estamos habituados, conseguimos condensar as melhores e mais importantes ideias em sentenças simples e fáceis de serem memorizadas.

Alguns educadores incentivam o aluno a ter um diálogo mental com o professor durante a aula. Enquanto escreve, ele deve perguntar: “Professor, o que aqui é o cerne do assunto e o que não passa de detalhe? Qual a estrutura das ideias apresentadas? Como uma ideia se liga à outra? Quais exemplos vão me ajudar melhor na compreensão? Qual sequência de frases melhor sintetiza essa aula?”

Seguindo um roteiro baseado nessas perguntas e treinando muito, as notas tomadas durante uma aula acabam sendo de extrema importância tanto durante quanto depois dela. E elas devem fazer sentido para você, não para os outros. Já tentou ler as notas que um colega fez em um aula que você perdeu? Se ele não for desses que anotam tudo que o professor diz, provavelmente elas foram inúteis — a não ser que você tenha lido enquanto ouvia a uma gravação da aula ao mesmo tempo. E, ainda assim, pode ser que elas façam sentido apenas para o seu colega. Afinal, os mapas mentais que montamos para a compreensão ao longo dos anos são muito particulares a cada um.

As notas são uma tradução particular do que entendemos da aula. O esforço de síntese e de seleção de ideias são nada menos que o aprendizado ativo em ação. Além disso, por incrível que pareça, nossa cabeça vaga menos quando anotamos — ela sai do papel de ouvinte passiva e assume o de pensadora. Enquanto ouvintes passivos, estamos mais propensos ao tédio, ao sono e às divagações.

Em síntese, tomar notas durante a aula é uma excelente ideia — mas somente se executada da forma correta.

Quer ler mais? entenda como produzir pesquisas em esse artigo com duas partes 1 e 2.