Estudo

Recomendações para o esquema vacinal de pacientes oncológicos

A vacina é essencial para prevenir inúmeras doenças. Na oncologia, ela se torna essencial, pois a imunidade das pacientes oncológicas fica comprometida. A imunização deve ser feita antes dos tratamentos com potencial imunossupressor, para prevenir possíveis infecções. Os seus familiares e os profissionais de saúde também devem ser imunizados, a fim de proteger os doentes contra agentes infecciosos.

A vacinação é recomendada para pacientes com um certo grau de imunocomprometimento, que tende a se agravar com o tratamento ou com a evolução do câncer. O esquema vacinal deve ser feito pelos Centros de Referência em Imunobiológicos Especiais (CRIEs), juntamente com o médico assistente. Isso porque as recomendações habituais podem não ser aplicadas.

Orientações gerais para imunizar pacientes diagnosticados com câncer

O esquema vacinal deve ser atualizado 14 dias antes da terapêutica imunodepressora, podendo até ser encurtado. Desse modo, o tratamento só pode começar duas semanas após a aplicação das vacinas atenuadas e quatro semanas após a aplicação das vacinas vivas. Isso porque vacinar no auge da imunodepressão é arriscado e a paciente pode desenvolver a doença, por causa do agente inoculado pelo imunizante.

Além disso, as vacinas vivas jamais devem ser utilizadas nessa fase. Durante o tratamento com quimioterapia, radioterapia ou corticoterapia, caso haja algum risco para o indivíduo, os imunizantes atenuados podem ser administrados. Mas ainda assim, devem ser reaplicados, pelo menos, três meses após a terapia imunossupressora e se a resposta imunológica for restabelecida. Se ela já foi vacinada antes de iniciar o tratamento, não é preciso a revacinação, a não ser aquelas que fizeram transplante de medula óssea.

Algumas outras orientações estão listadas abaixo:

  • As vacinas vivas e inativadas não devem ser administradas em pacientes realizando tratamento com imunoglobulina;
  • As vacinas vivas só podem ser administradas seis meses após o tratamento com quimioterapia com anticorpos anticélulas B (por exemplo, rituximabe);
  • As vacinas com vírus vivo podem ser inoculadas em pacientes em remissão, com a imunocompetência restabelecida e em pacientes que já tenham terminado a quimioterapia há pelo menos três meses.

Esquema vacinal

O Programa de Imunização (PNI), de maneira geral, recomenda vacinas específicas para as pacientes oncológicas, como: as pneumocócicas e a Hib (Haemophilus influenzae tipo b). Essa última, é indicada, dentre outras coisas, para pacientes abaixo de 60 anos que estão em tratamento com quimio ou radioterapia e ainda não foram vacinadas previamente.

Imunizantes indicados para pacientes em processo terapêutico com quimioterapia, radioterapia ou corticoterapia e para as pessoas do seu convívio.

As vacinas ideias para a atualização do calendário vacinal:

  • Influenza: dose única anualmente
  • Hepatite B: Se a mulher já for vacinada, deve tomar quatro doses (0-1-2-6 meses)
  • HPV: para as imunodeprimidas, independentemente da idade, é obrigatória a aplicação de três doses
  • Tríplice bacteriana: Se a mulher já for vacinada, o reforço deve ser feito a cada 10 anos

Existem algumas outras relacionadas a faixa etária que são indicadas especificamente para as pacientes imunodeprimidas também, mas estão fora do calendário vacinal. São elas:

  • Pneumocócica conjugada 13-valente (VPC13): uma dose para paciente com neoplasia de qualquer idade
  • Peumocócica polissacarídica 23-valente (VPP23): duas doses com um intervalo de cinco anos
  • Meningocócica: pacientes adultas imunodeprimidas devem tomar duas doses, num intervalo de dois meses
  • Hib para Haemophilus influenzae: esquema igual ao da vacina meningocócica

Para os contatos da pessoa com câncer, os CRIEs administram as vacinas influenza e varicela. Além do mais, ainda existem algumas outras que são contra indicadas para pacientes que estão em tratamento e para os seus contatos. Confira na lista abaixo:

  • Vacina da pólio oral: indicada somente a inativada
  • Vacinas de bactérias vivas: BCG, adenovírus e vacina oral Ty21a Salmonella typhi
  • Vacinas de vírus vivos: tríplice viral, pólio oral, influenza via nasal, febre amarela, herpes-zóster, rotavírus, varicela, dengue e varíola

Não é possível determinar completamente a efetividade e a segurança das vacinas nas pessoas com câncer, uma vez que são poucos os estudos que abordam essas perspectivas. Por isso, as orientações para vacinação se baseiam na segurança e na resposta imune desses produtos no geral. Desse modo, eles são recomendados para as mulheres com câncer e a atualização do calendário vacinal deve ocorrer logo após o diagnóstico e antes no início da terapêutica.

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