Carreira

Dia a dia de um médico residente (expectativa x realidade)

Na residência, apesar de terem estudado bem o corpo humano, suas limitações são postas em prova: poucas horas de sono, cansaço físico, distância da família, renúncia de uma vida social ativa, entre outros. Embora seja uma profissão privilegiada dos mais abastados, existem muitos com realidade financeira diferente, e que precisam custear tudo com muita dificuldade, tendo que usar a bolsa da residência para bancar moradia, alimentação, despesas pessoais e tudo mais.

A duração da residência pode ser de dois a cinco anos, dependendo da área. De acordo com a legislação, os programas devem ter 60 horas semanais, com no máximo 24 horas de plantão, sendo que cerca de 80% dessa carga horária é prática. Depois os médicos ainda fazem outras subespecializações dentro de sua área, é constante o estudo por toda a carreira.

No local de trabalho, os residentes terão suas atividades supervisionadas pelos médicos do estafe e pela própria Chefia do Serviço. O treinamento é sobremaneira prático e objetivo, nos ambulatórios, enfermarias e demais dependências do hospital, de modo a aprimorar as habilidades técnicas e o raciocínio clínico, habituando-os ao contato direto com os pacientes.

Os horários de um residente de medicina são bastante restritos, acordar cedo para uma longa jornada, e quando chegam os dias de plantão, é necessário muita dedicação para aplicar o que foi estudado nos livros, lembrando que ainda podem surgir vários imprevistos. O cansaço de passar 12 horas do dia no hospital não pode atrapalhar o turno seguinte de plantão, vale salientar que essa rotina recomeça no dia seguinte. São horários puxados, por isso o residente tem que estar preparado física e psicologicamente para lidar com tudo isso.

A residência médica é uma fase de muito aprendizado, apesar de cansativa. É a oportunidade daquele jovem médico aprofundar os estudos e ver, de perto e na prática, como os especialistas trabalham. É a hora de lidar diretamente com os pacientes e seus conflitos, observar diariamente a vida e a morte. Apesar de a maior parte do tempo da residência ser prático, os estudantes ainda têm aulas teóricas e precisam estudar muito para prestar uma prova de titulação no final desse treinamento.

Não é obrigatório fazer a residência, pois ao se formar, o médico já pode exercer a sua profissão em postos de saúde e clínicas generalistas, mas  para se tornar um especialista, ele precisa necessariamente passar pelo período de residência.

Escolher ser residente ocasiona não somente uma especialidade, mas requer um investimento de tempo que o estudante deve estar ciente de que exigirá muito esforço. Nesse período, ele não será pago como um profissional, porque ele recebe apenas uma bolsa e um adicional pelos plantões. Essas são decisões que serão recompensadas no futuro, através do crescimento intelectual, amadurecimento pessoal e profissional, além das novas e melhores perspectivas na carreira.

Se foi sacrificante o caminho até a aprovação no curso de medicina, após o início da graduação e, em seguida, o da residência, não é hora de relaxar. A medicina é uma profissão fascinante, mas exige que o estudante que se propôs a encarar esse universo tenha um nível de dedicação e saiba lidar desde o começo com muitos conflitos, aprenda a fazer escolhas profissionais e pessoais para o seu crescimento. Para manter as expectativas de sucesso acesas, é crucial lembrar que o final dessa jornada é para aqueles que realmente se dedicam e amam o próximo e a profissão.

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Referências:

  1. http://www.hse.rj.saude.gov.br/
  2. https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa1800965
  3. https://blog.facig.edu.br/saiba-como-e-a-rotina-de-um-residente-em-medicina/
  4. http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/32687?start=20
  5. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6932compilado.htm